Segunda-feira, 22 de Abril de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1033
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CADERNO DA CIDADANIA >

Policial e falso investigador apontados como assassinos de dois jornalistas

Por Ezequiel Fagundes em 30/07/2013 na edição 757

Um policial civil e um falso investigador foram apontados pela Polícia Civil de Minas como os assassinos de dois jornalistas de Ipatinga, no Vale do Aço, em março e abril deste ano. Em entrevista coletiva na cidade de Ipatinga na tarde desta terça-feira (23/7), a Polícia Civil divulgou relatório preliminar da investigação apontando o policial Lúcio Lírio Leal, 22 anos, e Alessandro Neves Augusto, 31 anos, o Pitote, como sendo os assassinos do repórter Rodrigo Neto, 38 anos, e do fotógrafo Walgney Assis de Carvalho, 43 anos. Leal e Pitote estão presos. Segundo laudo balístico divulgado hoje, pela polícia, os tiros que atingiram os jornalistas partiram da mesma arma. A investigação, no entanto, ainda não apontou quem foi o autor dos disparos, o mandante ou se há outras pessoas envolvidas com o crime.

Na mesma coletiva de imprensa, as identidades de outros policiais envolvidos em assassinatos também foram divulgadas. Os casos foram amplamente denunciados por Neto. Porém, em nenhum momento a Polícia Civil mineira admite a existência de um grupo de extermínio no Vale do Aço.

No caso dos jornalistas, o modus operandi foi semelhante e a suspeita é que foi uma queima de arquivo. Eles foram alvejados por três tiros disparados pelo carona de uma moto. Neto morreu após sair de uma barraca de churrasquinhos que costumava frequentar. Carvalho foi atingido dentro de um pesque e pague. Especializado em coberturas policiais, Neto já havia denunciado a atuação de um grupo de extermínio na região, que contava com a participação de policiais e, nos últimos tempos, preparava lançar um livro cujo título seria Crimes Perfeitos.

Um pequeno arsenal

Segundo a polícia, Pitote foi preso em 11 de junho, por volta de 1h da manhã, quando chegava em casa. Ele estava com um revólver automático calibre 380 e chegou a apresentar uma carteira falsa de investigador da Polícia Civil mineira. Dois veículos que estavam na casa de Pitote, um Honda CB 300 e de um Fiat Linea, foram apreendidos por documentação irregular e suspeita de procedência.

Junto com o policial Lúcio Leal, preso em 22 de junho, foi apreendida uma caminhonete Fiat Strada Adventure, com placa de Canudos, na Bahia. O carro foi roubado na cidade de Serra, no Espírito Santo, e teve a placa adulterada.

A arma do crime foi procurada em uma loja de móveis de Ipatinga, mas não foi localizada. No local, a polícia descobriu a existência de um pequeno arsenal – submetralhadora, pistolas, espingardas, farta munição de diversos calibres, de fuzil até calibre 50 (utilizada em baterias anti-aéreas), além de silenciadores. Francisco Miranda Rezende Filho foi preso em flagrante pelos crimes de porte de arma e munições de uso restrito das Forças Armadas.

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Ezequiel Fagundes, do Globo.com

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