Sábado, 19 de Agosto de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº954

CADERNO DA CIDADANIA > VIGILÂNCIA & PRIVACIDADE

EUA rejeitam dividir acesso a dados com Brasil

Por Cláudia Trevisan em 03/09/2013 na edição 762
Reproduzido do Estado de S.Paulo, 30/8/2013

Os EUA rejeitaram proposta do Brasil de firmar um acordo de cooperação para regular o acesso recíproco a dados telefônicos e de internet, apresentada em resposta às revelações de Edward Snowden de que o serviço de inteligência de Washington espionou cidadãos brasileiros.

“A resposta foi que o governo americano não aceitaria fazer um acordo nesses termos com nenhum país do mundo”, relatou ontem o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, em entrevista em Washington. “Nesse ponto, foram peremptórios.”

O ministro discutiu o assunto nos dois últimos dias em reuniões com o vice-presidente, Joe Biden, o secretário de Justiça, Eric Holder, e a assistente do presidente para Segurança Doméstica e Contraterrorismo, Lisa Monaco. Segundo ele, os americanos não negaram que tenham realizado atos de espionagem no Brasil. A rejeição da proposta de acordo foi justificada sob o argumento de que as ações do país estão amparadas pela legislação doméstica e os EUA têm um papel global a cumprir, “de proteger o mundo”, disse Cardozo. Mas as autoridades americanas se declararam “abertas ao diálogo” e à discussão de pontos da sugestão apresentada pelo Brasil. “Estamos dispostos a dialogar, mas seria muito importante que o diálogo não fosse meramente retórico, que tivesse resultados concretos”, ponderou o ministro.

Inteligência

Ex-agente da Agência Nacional de Segurança americana (NSA, na sigla em inglês), Snowden ficou famoso em junho, ao ser identificado como fonte de reportagens que revelavam detalhes sobre a maneira como o organismo de vigilância que ele integrou espionava na internet.

As autoridades americanas cancelaram o passaporte de Snowden enquanto ele estava em Hong Kong, para onde tinha fugido após revelar as informações para a imprensa. Mesmo assim, o americano conseguiu voar para Moscou, onde chegou em 23 de junho e se refugiou na área internacional do Aeroporto de Domodedovo. O americano ficou no terminal até o dia 1.º de agosto, quando conseguiu um asilo temporário do governo russo e entrou oficialmente no país.

Em julho, por meio do colunista Glenn Greenwald, do jornal britânico The Guardian, o diário brasileiro O Globo publicou informações passadas por Snowden que indicavam que o governo americano espionou empresas e cidadãos brasileiros, além de outros países latino-americanos.

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Cláudia Trevisan é correspondente do Estado de S.Paulo em Washington

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