Terça-feira, 17 de Outubro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº962

CADERNO DA CIDADANIA > VIGILÂNCIA & PRIVACIDADE

Dilma evita conversas com auxiliares por e-mail

Por Catarina Alencastro em 10/09/2013 na edição 763
Reproduzido do Globo.com, 2/9/2013; intertítulo do OI

A presidente Dilma Rousseff escreve poucos e-mails e só conversa com seus ministros por telefone ou pessoalmente. Quem trabalha com ela conta que a presidente não é da geração dos torpedos e que recorre sempre à boa e velha forma de se comunicar. “Quando quer falar com um de seus ministros, a presidente manda a secretária ligar para ele ou ela no celular, no gabinete, em casa, onde for. Dependendo da situação, ela mesma faz a ligação, se estiver em casa nos fins de semana, por exemplo”, conta um auxiliar da presidente.

Dilma produz pouquíssimos documentos sobre suas conversas com auxiliares. O que ocorre geralmente com as conversas escritas é que elas não se concluem. A presidente recebe grande quantidade de e-mails, mas raramente os responde pela mesma via. As respostas são dadas oralmente. O conteúdo das correspondências digitais que ela recebe viram pautas para encontros com os remetentes, quando aproveita para dar seguimento ao tema.

No caso dos ministros que despacham no mesmo local de trabalho de Dilma, o Palácio do Planalto, o normal é serem chamados à sala dela quando necessário. É o caso das ministras Gleisi Hoffmann (Casa Civil), Ideli Salvatti (Relações Institucionais), Helena Chagas (Comunicação Social) e do ministro Gilberto Carvalho (Secretaria Geral). “A presidenta liga quando precisa falar com a gente. Diferentemente do ex-presidente Lula, ela concede menos audiências. Por outro lado, recebe bilhetes e e-mails e manda nos chamar quando quer tratar daquele tema” resume um interlocutor de Dilma.

Telefone celular criptografado

Dentro da sala da presidente não se entra com celular. Os aparelhos têm que ser deixados pelos convidados do lado de fora do gabinete. A medida passou a ser tomada para evitar interrupções durante a audiência e por questões de segurança: um celular, mesmo desligado, pode ser usado como gravador.

Em julho, após o Globo revelar que o esquema de espionagem dos Estados Unidos também captava informações que transitavam pelo Brasil, o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, acabou admitindo que a presidente costuma dispensar seu telefone celular criptografado, que embaralha as mensagens, e prefere um aparelho comum para acionar seus ministros. Paulo Bernardo até chegou a brincar: as broncas que leva de Dilma podem se tornar públicas diante da falta de proteção das conversas.

A tecnologia de criptografia foi desenvolvida pelo próprio governo brasileiro no Centro de Pesquisas e Desenvolvimento para a Segurança das Comunicações (Cepesc) para tentar salvaguardar informações trocadas entre autoridades. O centro é vinculado à Agência Brasileira de Inteligência (Abin). Os equipamentos são fornecidos à presidente, aos ministros e a servidores de áreas estratégicas para a segurança nacional.

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Catarina Alencastro, do Globo

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