Sábado, 07 de Dezembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1066
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CADERNO DA CIDADANIA >

‘Roberto Carlos usa a imagem de Jesus com fins comerciais’

Por Maurício Meireles em 19/11/2013 na edição 773

O clima foi de humor e polêmicas no debate de abertura do Festival Internacional de Biografias (FIB), na tarde de quinta-feira [14/11], em Fortaleza, com os biógrafos Paulo César de Araújo e Fernando Morais. Paulo César ironizou a demanda de biografados por pagamento para autorizarem que se escreva sobre eles, brincando com as músicas religiosas de Roberto Carlos. “Roberto Carlos usa a imagem de Nossa Senhora e Jesus Cristo com fins comerciais porque o disco é vendido. E aí ele não precisa pagar nada por isso”, disse o escritor, arrancando risos da plateia.

Paulo César de Araújo, que teve sua biografia do cantor, Roberto Carlos em detalhes, recolhida das livrarias depois de um acordo entre sua editora e o “rei”, em 2007, afirmou que a História é uma criação coletiva e não pertence aos personagens biografados. “O cara quer ter uma visão patrimonialista da História, mas ela não pertence a eles. A História pertence à sociedade. Se eu escrevo sobre uma música que várias pessoas ouviram e na qual várias trabalharam, ele não pode dizer: ‘Bicho, essa história é minha’”, disse o biógrafo, imitando a voz do cantor.

Ainda relembrando a polêmica das últimas semanas, Fernando Morais voltou a afirmar, entre uma ironia e outra voltada à empresária Paula Lavigne, que desistiu de escrever biografias por conta da legislação brasileira. “Eu não vou escrever mais nada. Um dia eu ainda vou agradecer à Paula Lavigne por ter me estimulado a pendurar as chuteiras. Vou vender caju na Praça Buenos Aires. Estou pensando em mandar minhas contas de açougue e supermercado para o Djavan”, disse Morais, garantindo que a biografia do ex-presidente Lula, na qual trabalha no momento, será a sua última.

Manifesto

Fernando Morais disse ainda que abandonou o projeto de biografia do ex-ministro José Dirceu, condenado no julgamento do mensalão. O escritor disse que chegou a gravar horas de conversas com o ex-ministro e que os dois até viajaram a Cuba juntos nesse projeto, em 2005, mas quando voltaram ao país o escândalo de corrupção estourou.

O jornalista Lucas Figueiredo, que trabalha em uma biografia de Tiradentes e estava na plateia, defendeu que a luta dos biógrafos por liberdade não é “uma luta corporativa” e teve o apoio de Morais. “Queremos que valha o que está escrito na Constituição. Não estamos defendendo nossos empregos, mas o direito da sociedade de se informar”, disse Morais.

Os biógrafos reunidos no Fib, cuja programação literária tem curadoria do jornalista Mário Magalhães, se articulam no momento para enviar um manifesto à ministra Cármen Lúcia, relatora da ação de inconstitucionalidade contra os artigos 20 e 21 do Código Civil, que permitem que biografias não autorizadas sejam recolhidas das livrarias. O festival acontece até domingo.

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Maurício Meireles, do Globo

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