Terça-feira, 18 de Junho de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1041
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900 milhões são rastreados ao entrar em sites pornô

Por ‘FT’ em 10/12/2013 na edição 776

Quase 900 milhões de internautas foram rastreados por centenas de companhias de internet e de publicidade ao visitar sites pornô no terceiro trimestre deste ano. Os dados são da Ghostery, companhia que monitora o rastreamento online. Os detalhes de rastreamento incluem informações sobre o endereço do site, a duração da visita e o número de cliques que o visitante registra.

Enquanto o debate sobre a privacidade digital continua a fervilhar, a preocupação quanto às centenas de milhões de internautas que visitam sites pornô se resume a uma questão: determinar se essas atividades são rastreadas e se, em última análise, poderão ser usadas para fazer julgamento sobre eles. Os defensores da privacidade temem que detalhes sobre essas visitas possam ser incorporados a grandes dossiês que empresas de internet, publicidade e dados criam sobre indivíduos e que são usados para personalizar os anúncios e conteúdo que as pessoas veem, entre outros propósitos.

Uma operadora de cartões de crédito, por exemplo, poderia optar por não direcionar anúncios a um internauta que visite sites pornográficos regularmente, por vê-lo como cliente de risco. Já uma empresa de jogos de azar poderia direcionar mais anúncios a quem passa horas em sites pornô, considerando que elas têm maior propensão a se viciar em algo.

Embora algumas companhias afirmem que o comportamento dos visitantes a sites adultos não seja usado para determinar quais anúncios os internautas recebem, as normas de privacidade de diversas empresas de internet e publicidade não rejeitam a prática explicitamente. A regulamentação e as normas autorregulatórias do setor tampouco proíbem o rastreamento ou uso de dados relacionados ao interesse em entretenimento adulto. “Como profissionais da privacidade, às vezes pensamos demais sobre as coisas, especialmente quando se trata de considerar de que maneira a tecnologia funciona. Mas o que realmente interessa aos usuários finais?”, diz Andy Kahl, diretor de análise de dados da Evidon, a companhia de análise de dados e proteção à privacidade que é dona da Ghostery. “Um internauta médio procura coisas na internet sobre as quais ele não deseja que outras pessoas saibam.”

Muçulmanos

A notícia surge depois de revelações de que a NSA (Agência Nacional de Segurança dos EUA) rastreou as visitas de seis muçulmanos a sites pornô, o que poderia ser usado para prejudicar suas reputações, de acordo com documento fornecido ao Huffington Post por Edward Snowden, o ex-prestador de serviços à NSA que denunciou irregularidades nos serviços de inteligência norte-americanos.

De acordo com os dados da Ghostery, 869 rastreadores foram identificados em sites pornô no terceiro trimestre. A maioria dessas empresas também recolhe informações sobre as atividades das pessoas na web em geral.

Domínio pornô

A pornografia domina a web. Os sites de conteúdo adulto respondem por cerca de 15% da internet, de acordo com as estimativas. Cerca de 25% das buscas online – ou 68 milhões ao dia – envolvem pornografia, segundo e analistas. Os sites pornô cada vez mais dependem de publicidade para ganhar dinheiro, já que a receita com assinaturas caiu de US$ 20 bilhões em 2005 para US$ 10 bilhões em 2011.

Dos mais de 5 milhões de sites pornográficos, estima-se que mais de 85% sejam bancados por publicidade.

Embora os sites pornográficos trabalhem há muito com companhias de publicidade especializadas em entretenimento adulto, recentemente vêm recorrendo às mesmas tecnologias e serviços usados na web convencional.

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