Domingo, 18 de Fevereiro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº974

CADERNO DA CIDADANIA > PROFISSÃO PERIGO

Jornalista que denunciou sequestros é raptado no México

Por Juan Diego Quesada em 11/02/2014 na edição 785
Reproduzido do El País Brasil, 6/2/2014; intertítulo do OI

Um jornalista mexicano de foi sequestrado nesta quarta-feira (05/02) em sua própria casa diante de sua mulher e filhos. A família contou para as autoridades que um grupo de homens armados entrou na casa, ameaçou com uma faca Gregorio Jiménez, de 40 anos, e o levaram até uma caminhonete que saiu a toda velocidade. Eram 7.30 da manhã.

O acontecimento ocorrido no estado de Veracruz, no leste do México, não pode ser considerado um fato isolado ou excepcional. Os jornalistas locais exercem sua profissão em um meio de risco. O repórter Milo Vela, pseudônimo que Miguel Ángel López usava para assinar suas notícias sobre o crime organizado no jornal Notiver, foi assassinado em junho de 2011 nesta mesma cidade. Mais repercussão internacional teve a morte de Regina Martínez, a correspondente da revista Proceso na região. Seu caso, como o de Milo ou como o de outros 18 jornalistas assassinados ou desaparecidos neste país durante a última década, segue sem solução.

Jiménez soma seu nome a essa longa lista. A família detalhou ao Liberal do Sul, um dos jornais em que ele trabalhava, que depois do amanhecer, quando todos os membros da casa começavam a se despertar, soou a campainha. Os homens perguntavam na porta pelo “fotógrafo”. O repórter foi atender e pediu aguardassem. À força, seis pessoas o tiraram do domicílio e o introduziram em uma caminhonete. O exército, a policial federal e a marinha supostamente estão realizando buscas desde então. Mas seu filho não tem essa sensação: “Vão e vêm policiais (à casa) e não fazem nada, só perguntam. Não vemos nenhum helicóptero.”

Cuidadoso com os temas que cobria

A chefa de informação do jornal Notisur, Sayd Chiñas, contou que o repórter denunciava nos últimos dias uma onda de sequestros em seu bairro, Allende, situado na cidade portuária de Coatzacoalcos. Veracruz é uma das regiões mexicanas onde ocorrem mais sequestros. O governo, que acaba de criar um plano especial contra esse crime (houve um aumento de 25% durante o primeiro ano do presidente Enrique Peña Nieto), tem entre seus objetivos dispersar um comando especial na capital e no porto. Los Zetas, o cartel criado por ex-militares mexicanos de elite, têm uma importante presença na região, segundo os relatórios da promotoria nacional.

Os colegas de Jiménez no Notisur estão pedindo ao governo de Veracruz que se empenhe ao máximo para encontrá-lo o quanto o antes. “Falamos com o governador do estado, Javier Duarte de Ochoa e com o procurador (promotor) Amadeo Flores Espinhosa. Já há uma grande mobilização policial e da Marinha. Fomos informados de que foram produzidas várias linhas de investigação e confiamos que tudo acabará bem”, escreveram seus colegas em uma nota publicada na página do site do jornal. Nesse comunicado, eles mencionam que o repórter é “honesto e trabalhador”. Não são palavras vazias.

Jiménez é descrito por seus familiares como um repórter que tinha muito cuidado com os temas que cobria. Não queria pôr em risco seus filhos. Na última semana, não obstante, escreveu sobre “um ato de violência que implicava uma pessoa muito conhecido no bairro em que vivia”. Seus colegas de profissão, ao saberem de seu desaparecimento, reuniram-se para protestar contra as ameaças que recebem. O governador Duarte recebeu no ano passado um reconhecimento “por seus esforços em defesa dos jornalistas” da Associação Mexicana de Editores de Jornais.

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