Sábado, 20 de Outubro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1009
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CADERNO DA CIDADANIA >

Zuckerberg: espionagem da NSA uniu as empresas de tecnologia

Por André Machado em 04/03/2014 na edição 788

“A NSA reaproximou as empresas de tecnologia e as fez trabalhar juntas. O governo [dos EUA] tinha dois deveres: proteger as pessoas e ser transparente sobre o que fazia, mas estragou tudo. Agora está voltando ao caminho certo.” A declaração foi feita no Congresso Mundial de Mobilidade por Mark Zuckerberg, em sua apresentação, que foi feita em forma de entrevista. A crítica de Zuckerberg ocorreu enquanto ele falava sobre a Internet.org, coalizão de grandes empresas para tentar levar a grande rede aos dois terços da população ainda excluídos digitalmente, e foi indagado sobre a desconfiança gerada pela agência americana no mundo depois das denúncias do ex-técnico da CIA Edward Snowden sobre a espionagem que grassava online.

Zuckerberg defendeu vigorosamente a Internet.org em sua fala, dizendo que a aquisição do aplicativo de mensagens WhatsApp por US$ 19 bilhões na semana passada era um primeiro passo para conectar toda a população do planeta – o que na verdade era seu objetivo desde que criou o Facebook. “Depois que alcançamos 1 bilhão de usuários no Facebook, pensei que deveríamos correr atrás desse objetivo. Você pode continuar agregando internautas aos poucos, mas por que não fazer parcerias para acelerar isso?”, comentou. “Jan Koum (fundador do WhatsApp) e eu conversamos bastante para alinhar nossas visões sobre a internet e nossos objetivos, para só depois botarmos o dinheiro na história.”

A ideia de Zuckerberg com seu trabalho junto a operadoras na Internet.org é oferecer um plano de dados barato com serviços básicos para quem ainda não conseguiu se conectar: mensagens, Wikipedia, previsão do tempo, infos sobre saúde, emprego, educação. E Facebook, naturalmente. “Seria algo parecido com o 911 nos EUA, para onde você liga e obtém acesso a determinados serviços”, explicou. “Os pilares para obter isso seriam três: tentar reduzir o custo da infraestrutura, usar os dados com maior eficácia, sem desperdício de banda, e fazer vendas pontuais de serviços no pacote básico. Por exemplo, pagar um extra para acessar um conteúdo não incluído no pacote.”

Uma compra de US$ 16 bilhões

Segundo Zuckerberg, muito se comenta que há hoje mais celulares que pessoas no mundo, mas o que não se percebe é que o telefone não é a coisa mais cara para o usuário, e sim o plano de dados para acessar a internet. “Oitenta por cento das pessoas hoje vivem em áreas onde já há pelo menos 2G, mas como os excluídos digitalmente não sabem o que esperar da internet, vale oferecer esse pacote básico, que aos poucos os fará perceber o que ela tem a oferecer e migrar para novos planos. É algo de longo prazo, não de curto”, defendeu ele.

A razão por que Zuckerberg apoia tão veementemente essa visão é que ela se coaduna com o mundo conectado que ele imaginou em 2004, quando começou a criar o Facebook em Harvard. “Nunca liguei para quem me dizia que as redes sociais eram uma moda, que eu nunca ia ganhar dinheiro com isso. Eu achava que era algo bom para a internet, e acho que esse plano também é bom, e pode funcionar”, afirmou.

Perguntado se o WhatsApp mudaria depois da compra pelo Facebook, Zuckerberg foi taxativo: ele ficará exatamente o mesmo. “Eles poderão usar nossa infraestrutura para ganhar escala e crescer mais. Mas continuarão autônomos”, garantiu, acrescentando que não pretende fazer uma nova oferta pelo Snapchat. “Olhe, quando você faz uma compra de US$ 16 bilhões (sic), fica satisfeito por um tempo.”

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André Machado, do Globo; o repórter viajou a convite da Nokia

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