Sábado, 18 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

CADERNO DA CIDADANIA > 14YMEDIO.COM

Jornal de Yoani Sánchez é ‘hackeado’ no dia de seu lançamento

Por ‘OG’ em 27/05/2014 na edição 800
Reproduzido do Globo.com, 21/5/2014

Com uma reportagem sobre a violência nas ruas de Havana, a blogueira e dissidente cubana Yoani Sánchez lançou nesta quarta-feira o jornal digital 14ymedio.com, mas o site foi hackeado três horas após entrar no ar. Pelo Twitter, Yoani acusou o governo cubano de ter bloqueado e redirecionado a página do portal, que reúne notícias independentes de interesse geral sobre Cuba. De servidores de outros países, é possível acessar o site. O governo não fez nenhum comentário oficial sobre jornal.

“Má estratégia do governo cubano de redirecionar a nossa web http://14ymedio.com de #Cuba. Nada é mais atrativo que o proibido”, postou a blogueira no microblog, para depois dizer: “Já experimentei e se pode entrar de #Cuba com proxy anônimo. Abaixo a censura contra @14ymedio#14ymedio.”

O portal dirigia os leitores à página chamada “Yoanilandia.com” – com a mesma URL do 14ymedio.com –, recheada de artigos assinados por blogueiros pró-governo e de ataques a Yoani.

“Este é um site de pessoas cansadas de que Yoani Sánchez se apresente como a Madre Teresa de Calcutá dos dissidentes cubanos”, dizia uma mensagem intitulada “Quem somos”, com um fundo exibindo bandeiras dos Estados Unidos e da União Europeia, além de nomes de outros meios críticos ao governo cubano.

M.H. Lagarde, blogueiro cubano que tem frequentemente criticado Yoani e se posicionado a favor das políticas do governo, afirmou que o site www.yoanislandia.com já existia há algum tempo, mas ele disse não saber quem o administra. Lagarde acrescentou que um artigo seu foi usado no site sem sua permissão. Outros escritores cujos textos apareceram no portal não responderam imediatamente à reportagem.

Cuba dentro de Cuba

A proposta do site de Yoani é abordar sobre todos os aspectos da realidade cubana, a partir de notícias, reportagens e cadernos de cultura e esporte.

“Um espaço para falar de Cuba dentro de Cuba”, definiu Yoani em seu blog.

Esta primeira edição traz uma reportagem sobre a violência, a partir de uma noite passada no Hospital Calixto García, na capital. Um texto analisa a questão dos médicos cubanos no exterior, incluindo uma declaração de um profissional exilado, assim como declarações do ministro da Saúde, Roberto Morales Ojeda, negando que o programa traga problemas para o atendimento no país. Traz ainda uma entrevista com o escritor opositor Ángel Santiesteban, considerado preso político pela organização Repórteres sem Fronteiras.

Uma lista publicada no site mostra o apoio de jornalistas, intelectuais e políticos ao jornal, entre eles o escritor Mario Vargas Llosa e o ex-presidente da Polônia Lech Walesa. A maioria dos cubanos, porém, não pode ler o jornal, uma vez que apenas 2,6 milhões de pessoas de uma população de 11,2 milhões têm acesso à internet e muitos só podem acessar as páginas controladas pelo governo.

O projeto começa com um grupo de 12 redatores, sem uma redação em Havana ou conexão de e-mail. Os jornalistas vão usar mensagens de texto de telefones celulares. A blogueira explicou que o número “14” no nome do jornal se refere ao ano da fundação e do andar onde ela mora e trabalha. Sobre o “y”, Yoani conta que a letra a tem acompanhado por muitos anos.

Há alguns meses, a cubana anunciou sua intenção de dar um passo a mais depois da criação do blog Geração Y, que fala de uma geração que só conheceu o regime dos irmãos Castro. Mas, ela já previa que o projeto podia encontrar resistência do governo. “Será um caminho difícil. Nas últimas semanas tivemos uma prévia de como a propaganda oficial vai tentar demonizar a mídia. Várias pessoas da nossa equipe receberam ligações da Segurança do Estado. No entanto, não temos do que nos envergonhar. 14ymedio nasceu com nada a esconder”, disse a cubana em seu blog.

O governo cubano bloqueou o acesso ao blog de Yoani dentro da ilha, acusando-a de ser uma ferramenta de propaganda de Washington. No entanto, ela ganhou repercussão no mundo ao escrever crônicas sobre o país.

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