Sexta-feira, 25 de Maio de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº988
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CADERNO DA CIDADANIA > PROFISSÃO PERIGO

Repórter e ativista detidas reclamam de abuso de autoridade

Por C-se em 17/06/2014 na edição 803
Reproduzido do portal Comunique-se, 16/6/2014; título original “Repórter de O Globo e ativista do Mídia Ninja são detidas e reclamam de abuso de autoridade”

Os últimos dias foram tensos no que se diz respeito à relação entre imprensa e policiais militares, com colaboradoras do grupo Mídia Ninja e do jornal O Globo sendo detidas enquanto realizavam seus trabalhos na quinta-feira (12/6) e no domingo (15), respectivamente. Na quinta, Karinny de Magalhães, do projeto que se autoclassifica como “midiativista”, gravava vídeo de protesto em Belo Horizonte quando foi abordada. Vera Araújo, de O Globo, recebeu voz de prisão ao registrar a prisão de um argentino nas imediações do estádio do Maracanã. Nos dois casos, há reclamação de abuso de autoridade por parte dos responsáveis pelas prisões.

O conteúdo produzido por Karinny antes de ser presa foi divulgado pelo Mídia Ninja na sexta-feira e repercutiu durante o fim de semana. Ao publicar o vídeo, o grupo garante que a colaboradora foi agredida e não teve seus direitos respeitados pelas autoridades mineiras. A profissional, que ficou detida até a madrugada de sábado, contou, em texto publicado na internet, o que aconteceu. “Depois de ser imobilizada fui alvo de agressão física e verbal. Tapas na cara, golpes de cassete na perna e nas costas – foi esse o protocolo da Polícia Militar ao fazer a abordagem”, relatou horas depois de deixar a cadeia. Na prisão, ela reforçou ter sofrido outras agressões e que fez exame de corpo de delito.

Repórter de O Globo, Vera tentou gravar o momento em que um policial militar do Rio de Janeiro prendia um turista argentino, que acompanharia a estreia de sua seleção na Copa do Mundo e teria, supostamente, urinado na rua. A jornalista foi algemada e ficou mais de uma hora sob o comando do sargento identificado, na matéria do próprio veículo de comunicação, como Edmundo Farias, que não a levou imediatamente para a delegacia. “Ele apertou tanto que os meus pulsos estão machucados. Ele simplesmente não quis ouvir as minhas explicações. Além disso, me agrediu verbalmente”, contou a profissional que alegou abuso de autoridade ao registrar boletim de ocorrência.

Em relação aos dois casos, os comandos das polícias militares do Rio de Janeiro e de Minas Gerais adotaram posturas distintas. Ao saber do episódio envolvendo a jornalista de O Globo, a Secretaria de Segurança Pública do estado enviou representantes da Corregedoria da PM para a 17ª Delegacia de Polícia (São Cristóvão); no fim da noite de domingo, a corporação informou que o policial responsável pela detenção da repórter “ficará preso administrativamente” e garantiu que a corporação mantém “respeito e admiração” por Vera. A Polícia Militar mineira, por sua vez, limitou-se a afirmar, em nota, que Karinny foi presa porque foi vista “depredando patrimônio público”.

>> Assista ao vídeo divulgado pelo Mídia Ninja sobre a prisão de uma de suas ativistas:

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