Domingo, 20 de Agosto de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº954

CADERNO DA CIDADANIA > COPA DO MUNDO

Jornalistas saem como os grandes perdedores da competição

Por Repórteres Sem Fronteiras em 22/07/2014 na edição 808
Comunicado da organização Repórteres sem Fronteiras, 18/7/2014

Durante a Copa do Mundo no Brasil, entre os dias 12 de junho e 13 de julho de 2014, 38 jornalistas brasileiros e estrangeiros foram agredidos por forças policiais e manifestantes. Repórteres sem fronteiras fez do evento esportivo uma ocasião para interpelar as autoridades e a comunidade internacional sobre as violências cometidas contras os profissionais da informação.

Na final da Copa do Mundo, no dia 13 de julho de 2014, o número de jornalistas agredidos alcançou um número esmagador no Rio de Janeiro. Ao todo, 15 jornalistas foram agredidos durante a cobertura da manifestação contra a FIFA que ocorreu algumas horas antes do jogo. Um policial militar foi filmado dando um chute no rosto de Jason O’Hara, um cineasta canadense que já se encontrava caído na calçada. Ana Carolina Fernandes, fotógrafa da Agência Reuters, foi atacada com gás lacrimogênio. Blogueiros e mídia ativistas também foram alvos da brutalidade policial: Felipe Peçanha, do site de notícias independente Mídia Ninja, foi agredido diversas vezes durante essa mesma manifestação.

“Repórteres sem fronteiras demanda às autoridades que tomem as medidas necessárias para que as ações da polícia militar, responsável pela violência contra os jornalistas na ocasião, não fiquem impunes,” declarou Camille Soulier, responsável pela seção Américas de Repórteres Sem Fronteiras. “Apesar das promessas do governo, os jornalistas no Brasil não podem contar com a garantia da proteção da parte do Estado por meio de um mecanismo nacional de proteção”.

Durante uma visita recente ao Brasil, Christophe Deloire, Secretário Geral de Repórteres sem fronteiras, encontrou com porta-vozes da presidência em Brasília que garantiram que a polícia militar recebia formações específicas sobre como atuar em manifestações não violentas. No entanto, segundo eles, a polícia não depende do governo. Os mesmos representantes da presidência também informaram à Repórteres sem fronteiras que seria constituído um observatório dedicado às violências cometidas contra jornalistas, o que infelizmente não foi feito até o momento.

Ao longo de mais de um ano em que ocorreram dezenas de manifestações contra os gastos públicos ligados à realização da Copa do Mundo, a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) mapeou 210 agressões cometidas contra jornalistas, profissionais ou não, dos quais 38 foram cometidas durante a competição. As agressões mapeadas vão de insultos e ameaças, passando por roubo de material, à detenções arbitrárias e agressões físicas, informadas por meios de comunicação e sindicatos. No primeiro dia da Copa do Mundo, 12 de junho de 2014, uma colaboradora do Mídia Ninja, Karinny de Magalhães, foi detida durante uma manifestação em Belo Horizonte e agredida durante várias horas por agentes da polícia militar, que a intimidaram verbalmente e sexualmente até que ela desmaiasse. O cinegrafista da rede Bandeirantes de televisão, Santiago Ilídio Andrade, pagou com sua vida a cobertura que fazia das manifestações quando foi alvo de um rojão durante uma passeata no Rio de Janeiro no dia 6 de fevereiro deste ano.

O Brasil, que ocupa a 111ª posição entre 180 países na Classificação Mundial da Liberdade de Imprensa, é o segundo país mais perigoso para a profissão na América Latina, com 15 assassinatos de jornalistas registrados apenas nos últimos quatro anos.

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