Quinta-feira, 19 de Outubro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº962

CADERNO DA CIDADANIA > COPA DO MUNDO

Os jornalistas foram os verdadeiros perdedores

Por Roni Pereira em 22/07/2014 na edição 808

Segundo uma nota da ONG Repórteres sem Fronteiras, entre os dias 12 de junho e 13 de julho 38 jornalistas brasileiros e estrangeiros foram agredidos por policiais e manifestantes. Somente na final da Copa do Mundo, no dia 13 de julho, 15 jornalistas foram agredidos durante a cobertura das manifestações contra a Fifa que ocorreram horas antes do jogo final.

Alguns exemplos de jornalistas agredidos que saíram na mídia:

** Samuel Tosta, fotógrafo freelancer e diretor do Sindicato dos Jornalistas, foi ferido nas costas por estilhaços de bomba de gás lacrimogêneo lançado por um PM.

** Jason O’Hara, documentarista canadense, recebeu um chute no rosto, dado por um policial, enquanto estava já caído na calçada. Essa ação fascista do policial foi filmada. (ver aqui). O’Hara ainda afirmou que foi roubado por um policial.

** O fotógrafo Mauro Pimentel, do Portal Terra, também foi agredido por policiais e teve seus equipamentos quebrados.

** Loldano da Silva, outro fotógrafo, recebeu golpes de cassetete no braço esquerdo e foi encaminhado para o hospital com suspeita de ter fraturado o braço.

** Ana Carolina Fernandes, fotógrafa da Agência Reuters, foi atacada com gás lacrimogênio.

** Blogueiros e mídia ativistas também não escaparam da brutalidade da policia: Felipe Peçanha, do site de notícias independente Mídia Ninja, foi várias vezes agredido nessa mesma manifestação.

Trezentas pessoas se reuniam em um protesto na Praça Saens Peña. Para evitar que essas pessoas seguissem até o Maracanã, dezenas de policiais militares cercaram a praça e dispersaram os manifestantes com bombas de gás lacrimogênio e golpes de cassetete.

“Os profissionais de imprensa foram impedidos de deixar a Praça Saens Peña durante duas horas, junto de cerca de 200 manifestantes. Esse grupo teve de enfrentar, sem possibilidade de refúgio, agressões físicas e o efeito das bombas de gás lacrimogêneo”, diz o relato do Sindicato dos Jornalistas do Rio de Janeiro.

Opaís mais perigoso para jornalistas na América Latina

Christophe Deloire, secretário-geral de Repórteres Sem Fronteiras, veio ao Brasil e dialogou com porta-vozes da presidência em Brasília. Foi-lhe garantido que a polícia militar recebia formações específicas sobre como atuar em manifestações não violentas. No entanto, também disseram que a policia não depende do governo. Pelas brutalidades cometidas pela policia durante as manifestações, nota-se que não houve formação alguma, ou, se houve, foi um fracasso.

Em mais de um ano de manifestações contra os gastos públicos ligados à Copa da Fifa, já foi mapeado pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) 210 agressões cometidas contra jornalistas, profissionais ou não, 38 agressões foram cometidas durante a competição. Os casos mais emblemáticos de violência contra jornalistas durante esta temporada de manifestações foram a da colaboradora do Mídia Ninja Karinny de Magalhães, que foi detida e agredida até desmaiar por policiais em uma manifestação em Belo Horizonte e do cinegrafista da rede Bandeirantes de Televisão Santiago Ilídio de Andrade, que foi morto por um rojão durante a passeata no Rio de Janeiro, em fevereiro deste ano.

Não é à toa que o Brasil está em 111ª posição entre 180 países na classificação mundial da liberdade de imprensa e é considerado o país mais perigoso para jornalistas na América Latina.

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Roni Pereira é estudante

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