Segunda-feira, 18 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

CADERNO DA CIDADANIA > PROFISSÃO PERIGO

90 jornalistas agredidos em manifestações nos últimos 14 meses

Por Taís Mendes e Bruno Amorim em 29/07/2014 na edição 809
Reproduzido do Globo.com, 25/7/2014; título original “Levantamento revela que 90 jornalistas foram agredidos em manifestações, nos últimos 14 meses”

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio de Janeiro oferece ajuda jurídica e orienta que os profissionais agredidos na noite desta quinta-feira, durante a libertação de ativistas no Complexo de Gericinó, em Bangu, façam registro na delegacia. O cinegrafista Tiago Ramos, que presta serviço para o SBT, ficou ferido e o fotógrafo do jornal O Dia, André Mello, teve o equipamento danificado ao registrarem a a saída de Elisa Quadros Sanzi, a Sininho; da coordenadora do programa de pós-graduação em filosofia da Uerj, Camila Jourdan; e de Igor D’Icarahy da cadeia. De acordo com levantamento feito pelo sindicato da categoria, 90 jornalistas foram agredidos no município, desde maio do ano passado, sendo 99% dos casos em manifestações. Em 80% das situações, a ação foi praticada por policiais.

– A gente repudia qualquer tipo de violência contra jornalistas, inclusive de parentes de manifestantes. Além de extrapolar os limites do direito no que se refere às manifestações políticas, isso viola os direitos humano dos jornalistas e, na verdade, impede o exercício da profissão, fundamental para a democracia. Se estamos lutando por democracia, por direitos, precisamos compreender que o papel do jornalista é fundamental – disse Paula Máiran, presidente do sindicato.

As violações de direitos cometidas pelo Estado no contexto da criminalização e perseguição dos manifestantes será tema da coletiva de imprensa nesta sexta-feira, às 11h, na sede do sindicato, no Centro. O encontro havia sido marcado antes da violência registrada nesta quinta-feira, em Bangu. Segundo o sindicato, parentes de presos políticos estarão presentes, assim como os grupos Tortura Nunca Mais, Justiça Global, Rede de Comunidades e Movimentos contra a Violência, Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos (Cebraspo)

– Vamos aproveitar o encontro para cobrar diretamente. Mas não podemos responsabilizar entidades e movimentos pelo comportamento de alguns – disse a presidente do sindicato.

Entidades repudiam agressão contra cinegrafista

A Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) manifestou repúdio à agressão ao cinegrafista Tiago Ramos.

“Preocupa-nos especialmente aqueles que clamam por liberdade e se dizem atuar em nome dela, mas buscam ações para impedir a livre atuação da imprensa na investigação de fatos de interesse público. Pedimos às autoridades do Estado do Rio de Janeiro que apurem o caso e punam seus autores, a fim de que se assegure a plena liberdade de imprensa e o amplo acesso dos cidadãos a informações,” informava a nota a associação.

A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/RJ) e A Associação de Repórteres Fotográficos e Cinematográficos do Rio de Janeiro (Arfoc Rio) também emitiram notas de repúdio.

“Desde o início dos protestos na cidade, a Ordem vem condenando atos de violência de qualquer natureza, independentemente de sua origem e de quem vitima. A liberdade de imprensa é um marco pelo qual a OAB sempre lutou. Foi graças à livre expressão que o país obteve conquistas significativas para o florescimento, a manutenção e a evolução da democracia brasileira,” afirmou a nota da OAB.

“Jornalistas que cobriam a soltura dos “ativistas” presos em Gericinó, denunciados por praticar atos criminosos, foram agredidos por parentes e integrantes do mesmo grupo dos “ativistas”. Pelo menos dois repórteres fotográficos foram agredidos e tiveram seus equipamentos danificados. Exigimos que as autoridades de segurança do Rio tomem providências imediatas, instaurando inquérito policial para identificar, processar e prender os agressores,” cobrou a nota da Arfoc Rio.

A Associação Brasileira de Imprensa (ABI) também informou que repudia agressões contra jornalistas. Alcir Cavalcanti, membro da comissão de direitos humanos da associação, acredita que a atitude dos ativistas é um “tiro no pé”, já que a imprensa defende o direito de manifestação.

– Essa agressão aos órgãos de imprensa é uma atitude desesperada, equivocada e que não vai levara a nada. A comissão de direitos humanos da ABI já havia se manifestado contra a prisão de ativistas, que foi arbitrária. Prisão pelo que poderia ser feito na final da Copa é próprio de uma ditadura. O Siro Darlan foi muito correto e objetivo ao conceder habeas corpus aos 23 ativistas. Ao mesmo tempo, repudiamos a violência contra a imprensa que iria mostra um fato favorável aos manifestantes. Agredindo a imprensa, eles ficam sem defesa – afirmou Cavalcanti.

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Taís Mendes e Bruno Amorim, do Globo.com

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