Quarta-feira, 20 de Junho de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº991
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CADERNO DA CIDADANIA > MÍDIA & SANEAMENTO

Um retrato nada romântico do Brasil

Por Reinaldo Cabral em 12/08/2014 na edição 811

Em dois terços dos 5.564 municípios brasileiros, os lixões a céu aberto são o cartão postal do Brasil.

A Copa do Mundo conseguiu esconder o barril de pólvora aceso em junho passado. Mas a imagem transmitida do Brasil para o mundo está, aos poucos, sendo desfeita quando os turistas chegam às portas das cidades em todas as regiões – é uma visão do inferno, onde crianças disputam restos de comida com urubus, onde uma multidão de desempregados e desafortunados formam um exército de miseráveis como no genial romance de Victor Hugo, da França do século 19 (Os miseráveis).

Difícil acreditar e muito mais ainda de aceitar que a nona economia mundial tenha se deixado enveredar por um caminho tão tortuoso e vergonhoso. Por não ter sido o meio de denúncia desse estágio odiento, por cumplicidade, desinteresse e irresponsabilidade social dos dirigentes políticos, a mídia se vê hoje chafurdando no lamaçal.

Desde os fins do século 19, a questão do recolhimento e tratamento do lixo urbano é encarada como uma questão de saúde pública nas principais nações civilizadas do planeta. Mas os aterros sanitários só passaram a ser adotados como um recurso ambiental terminal imediatamente nos pós-guerra de 1945. No Brasil, os primeiros aterros sanitários só vieram a ser adotados nos anos 1970 do século passado.

Nem tudo está perdido

Devido a uma crescente degradação e a uma crescente conscientização da população, o governo federal sancionou a Lei de Resíduos Sólidos nº 9.604/98, complementada pela lei 12.305/2010, e fixou em 2/8/2014 a data limite para a implantação dos aterros sanitários pelas prefeituras com o apoio financeiro do governo federal, acabando-se teoricamente com os lixões à céu aberto.

Vencido o prazo em 2/8/14, as prefeituras não atenderam à exigência legal nem o governo federal adotou qualquer restrição ao funcionamento delas.

Daí, pergunta-se: por que a mídia nacional, regional e local não cobrou com rigor a ação das prefeituras, dando a esse assunto a relevância necessária?

Por que as Câmaras Municipais e a população silenciaram?

Por que nunca houve um levante da população que incluísse essa questão dos lixões como assunto principal em suas bandeiras?

Como nem tudo está perdido e a grande maioria da população vai definir seus candidatos ao governo nas próximas eleições, essa questão continua de pé. Até quando?

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Reinaldo Cabral é jornalista e escritor

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