Terça-feira, 18 de Setembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1004
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CADERNO DA CIDADANIA > CUBA

Jornalista brasileira expulsa luta para concluir curso

Por Acássia Deliê em 19/08/2014 na edição 812

Tudo estava programado par ser a realização de um sonho, mas acabou virando um grande problema na vida da jornalista paulista Sálua de Oliveira, hoje com 27 anos. Dois anos depois de decidir investir na paixão pelo cinema e ser aprovada no curso da conceituada EICTV (Escuela Internacional de Cine y TV), Sálua hoje corre o risco de ser deportada de Cuba sem concluir a sonhada graduação.

O problema começou no dia 11 de julho, quando a direção da escola cubana, famosa por formar profissionais de audiovisual do mundo inteiro, decidiu desligar a jornalista da instituição. Sálua só recebeu a notícia no dia 22 de julho, quando já estava no Brasil, visitando o pai em São Paulo, durante o período de férias. “Eu não entendi nada, só soube da expulsão porque uma amiga me ligou para informar”, afirma Sálua. “Tentei diversas vezes contato por telefone com a escola, mas ninguém me atendeu e tive que voltar às pressas para Cuba. Não acreditei quando vi as justificativas da expulsão. São inacreditáveis e não me deram nenhum direito a defesa. Ainda estão me pressionando para deixar o país antes das aulas recomeçarem.”

Na carta assinada pelo diretor-geral Jerónimo Labrada, a EICTV afirma que a decisão foi baseada em problemas como falta de respeito a professores, ausência nas aulas e resistência a decisões tomadas por colegas de filmagem. Após a expulsão, Sálua ainda foi avisada de que teria o visto de permanência em Cuba cancelado.

Todas as acusações são refutadas pela jornalista, que agora luta em diversos órgãos internacionais para reverter a decisão. “Eu não posso acreditar que divergências naturais em qualquer sala de aula sejam tomadas por uma escola internacional como ‘resistência a decisões’ ou como ‘indisciplina’. Isso é absurdo. Mais absurdo ainda é que isto seja usado como argumento para expulsar um aluno e ainda cancelar o seu visto no país. Cumpri todos os meus deveres na escola, o que está claro no certificado emitido pela própria coordenação do curso”, afirma Sálua, mostrando o boletim com avaliações positivas em todas as disciplinas.

Auxílio de órgãos internacionais

A jornalista preparou uma carta-resposta refutando cada acusação da escola e enviou o documento para diversos órgãos internacionais com a esperança de poder concluir o último ano do curso de cinema na EICTV.

O documento foi encaminhado ao consulado e à embaixada brasileiros em Cuba, aos Ministérios da Cultura de Cuba e do Brasil, à Fundação do Novo Cinema Latino-americano, à Agência Nacional de Cinema (Ancine), à Secretaria e Diretoria de Audiovisual do Brasil, às representações da EICTV no Brasil e diversos órgãos de imprensa e entidades civis brasileiras.

Na carta, Sálua de Oliveira pede uma oportunidade de defender seu trabalho em sala de aula durante os dois últimos anos. “É de suma importância para mim esse curso em Cuba. Não existe outra escola no mundo onde eu possa estudar essa profissão com tantos recursos disponíveis e professores tão reconhecidos. Esse tema deve ser resolvido até setembro, quando as aulas recomeçam”, pede a jornalista brasileira.

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Acássia Deliê é jornalista

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