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Sábado, 18 de Agosto de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1000
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CADERNO DA CIDADANIA > ARGENTINA

Casa Rosada rechaça reestruturação do grupo Clarín

Por Denise Chrispim Marin em 14/10/2014 na edição 820
Reproduzido do Estado de S.Paulo, 9/10/2014; título original “Casa Rosada rechaça reestruturação de grupo e retoma assédio ao Clarín”, intertítulo do OI

O governo argentino retomou sua ameaça de executar compulsoriamente a partilha de bens do Grupo Clarín ao rejeitar ontem o projeto apresentado pela empresa de comunicações em fevereiro deste ano.

A Autoridade Federal de Serviços de Comunicação Audiovisual (AFSCA), órgão regulador do governo, alegou haver “irregularidades” na proposta do Grupo Clarín que justificam o abandono de sua divisão voluntária e o início da “adequação de ofício (por decisão judicial)”.

Em comunicado, a empresa afirmou ter elaborado seu plano rigorosamente de acordo com a Lei de Mídia e argumenta que as alegações da AFSCA são “falsas, brutais e injuriosas”.

O anúncio da AFSCA foi mais um golpe contra o Grupo Clarín e outros meios de comunicação privados da Argentina, também sujeitos a se desmembrar.

O desmonte dessas empresas tem sido perseguido há anos pelo governo de Cristina Kirchner, que obteve em 2009 a aprovação do Congresso a seu projeto polêmico de Lei de Serviços Audiovisuais (mais conhecida como Lei de Mídia).

O objetivo da legislação é limitar a participação privada nos setores de rádio e televisão. Sobretudo, no caso de grupos críticos às políticas oficiais, como o Clarín, dono de 12 canais de rádio e TV, 4 jornais e 8 revistas, entre outros.

Relações rompidas

A Lei de Mídia começou a ser aplicada efetivamente em outubro de 2013 quando, ao final de uma batalha nos tribunais argentinos, a Corte Suprema de Justiça a considerou constitucional. O Grupo Clarín não teve saída senão apresentar à AFSCA, em fevereiro, um plano de partilha de suas licenças de rádio e televisão entre seus acionistas e de venda de bens, agora rejeitado pela mesma autoridade reguladora dos meios audiovisuais.

O diretor da AFSCA, Martín Sabbatella, notificou o Grupo Clarín ontem de manhã e, à tarde, uma reunião do conselho do órgão oficializou a rejeição ao projeto apresentado pela empresa por cinco votos a dois. “Estamos apresentando as irregularidades do Grupo Clarín porque é o que mais prejudica a liberdade de imprensa na Argentina”, afirmou Sabbatella, para, em seguida, acrescentar sua intenção de recorrer hoje à Justiça e a outros órgãos argentinos sobre potenciais “delitos econômicos” do grupo.

Segundo o AFSCA, três responsáveis pelas unidades 1 e 2, resultantes da partilha do Grupo Clarín, seriam sócios na Fox Horan & Camerini LLP.

Outros dois seriam os donos do escritório de advocacia Saenz Valiente y Asociados. O Grupo Clarín alegou que essas unidades “pertencerão a acionistas absolutamente diferentes, que não têm nem terão participação cruzada entre eles”. A lei foi cumprida de forma irrestrita, e as exigências da AFSCA são “grosseiramente impossíveis de ser aplicadas e buscam confundir a opinião pública”, insistiu a direção do Clarín. A AFSCA também alega que as operações de venda das unidades 3 a 6 do Clarín não se deram de forma aberta e pública.

A empresa informou que todas as cláusulas do contrato foram apresentadas à própria AFSCA, à Comissão Nacional de Valores e a outros organismos oficiais, além de terem sido aprovadas pela assembleia da empresa. As alegações da AFCSA, completou o Clarín, são “falaciosas” e constituem nova tentativa do governo de Cristina Kirchner de “avançar na apropriação dos meios do grupo.

“Torna-se claro que o governo não tem nenhum interesse em aplicar a lei, mas apenas em continuar a perseguir e fustigar o Grupo Clarín. Do contrário, teria permitido ao Grupo Clarín exercer seu direito de defesa”, afirmou a empresa em seu comunicado. “A perseguição inédita do governo contra o grupo Clarín e, em geral, contra todas as vozes dissidentes, ratificada com brutalidade por Martín Sabbatella, não mudará a vontade do Grupo Clarín de cumprir a lei nem sua decisão de continuar a fazer o jornalismo no qual crê”, completou.

Durante os primeiros anos do governo de Néstor Kirchner, o Grupo Clarín manteve boas relações com a Casa Rosada. Mas a cordialidade foi rompida em 2008, quando Kirchner se irritou com a cobertura que o jornal fez do locaute do setor agrícola.

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A nota do ‘Clarín’

El Grupo Clarin ante un nuevo avance ilegal del gobierno para apropiarse de sus medios

(em espanhol)

Tras la conferencia de prensa del titular de la AFSCA, Martín Sabbatella, en la que anunció el intento del gobierno de avanzar en una arbitraria e ilegal adecuación de oficio, el Grupo Clarín recurrirá a todas las instancias que correspondan para resguardar sus derechos y el cumplimiento del plan de adecuación aprobado, que se ajusta estrictamente a la ley de servicios de comunicación audiovisual.

Los exabruptos en los que incurrió el titular de la AFSCA, además de resultar falsos, burdos e injuriosos, demuestran hasta qué punto el gobierno está dispuesto a llegar en su incumplimiento del fallo de la Corte Suprema de Justicia y en la aplicación selectiva y discriminatoria de la ley de medios, para perseguir a los medios críticos y apropiarse de los que aún no pudo controlar.

Todas las manifestaciones realizadas por Sabbatella son deliberadamente falsas y están desmentidas por la realidad y por el propia conducta del Estado en los últimos meses. Las dos supuestas “maniobras” mencionadas por el funcionario kirchnerista son procedimientos absolutamente legales y regulares para el efectivo cumplimiento de la ley, que se realizó con un nivel de rigurosidad y transparencia inédito para todos los grupos de medios en la Argentina.

Las unidades 1 y 2 pertenecerán a accionistas absolutamente diferentes que no tienen ni tendrán participación cruzada alguna entre ellas, lo que implica el cumplimiento irrestricto de la ley, algo que no pudieron demostrar hasta ahora ni la AFSCA en otros casos, ni otros grupos de medios. Las menciones de Sabbatella a los abogados de fideicomisos o a otras sociedades ajenas a los medios, no tienen nada que ver con la ley de medios, son groseramente inaplicables y buscan confundir a la opinión pública. La ley de medios habla de accionistas diferentes, no de abogados ni tampoco de sociedades y negocios externos a los medios. Burdo sería que los accionistas del Grupo Clarín hubieran pretendido burlar la ley o engañar al gobierno escondiendo sociedades que están registradas y son públicas, u otras de las que ni siquiera forman parte. Pese a que el plan es técnicamente perfecto, tras recibir una notificación el Grupo Clarín le ofreció a la AFSCA cambiar los abogados para agilizar el proceso, lo que no sólo no fue respondido sino que derivó en este nuevo exabrupto. Queda claro que el Gobierno no tiene ningún interés en aplicar la ley sino que lo que busca es seguir persiguiendo y hostigando al Grupo Clarín. De lo contrario, le hubiera permitido al Grupo Clarín ejercer su derecho de defensa, lo que contrasta con todas los prórrogas, ajustes y postergaciones que le otorgó a los restantes grupos, en violación del fallo de la Corte.

Respecto de las unidades 3 y 4, las críticas de Sabbatella resultan tanto o más llamativas y falaces, dado que las compraventas fueron hechas públicas ante la propia AFSCA, la Comisión Nacional de Valores y otros organismos, y jamás existió objeción alguna a las mismas. Más aún, dichas compraventas fueron aprobadas por el Estado Nacional en las Asambleas del Grupo Clarín, lo que demuestra a las claras que este nuevo invento obedece a una decisión política posterior del kirchnerismo de avanzar en la apropiación de los medios del Grupo. Todas las cláusulas de dichos contratos son absolutamente transparentes, legales y legítimas, y forman parte del precio que se pudo obtener en las condiciones absolutamente adversas en las que deben venderse esas unidades. En efecto, como se expresó públicamente en la Asamblea, dichas cláusulas son usuales en operaciones realizadas bajo fuerza mayor, y apuntan a compensar al menos parcialmente el daño económico que implicó la venta forzada de dichas unidades en menos de 3 meses, en un contexto hostil para las inversiones en la Argentina.

En definitiva, tanto la división de los accionistas de las Unidades 1 y 2, como las ventas de las unidades 3, 4, 5 y 6, son las únicas operaciones realizadas hasta hoy, en el marco de la ley de medios, que cumplen a rajatabla las previsiones de dicha norma.

La persecución inédita del gobierno contra el Grupo Clarín y en general contra todas las voces disidentes, ratificada esta tarde con brutalidad por Martín Sabbatella, no cambiará la voluntad del Grupo Clarín de cumplir la ley ni su decisión de seguir haciendo el periodismo en el que cree.

Buenos Aires, 8 de octubre de 2014.

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Denise Chrispim Marin, do Estado de S.Paulo

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