Sexta-feira, 19 de Outubro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1009
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CADERNO DA CIDADANIA >

Governo argentino aperta o cerco ao ‘Clarín’

Por Janaína Figueiredo em 14/10/2014 na edição 820

A disputa entre a Casa Rosada e o grupo de meios de comunicação “Clarín”, o mais importante da Argentina, está longe de terminar. Nesta quarta-feira [8/10], o diretor da Autoridade Federal de Serviços Audiovisuais (AFCSA), o kirchnerista Martin Sabatella, antecipou sua decisão de pedir à diretoria do organismo que rechace o plano de adequação voluntária do grupo à polêmica Lei de Meios. Se o pedido de Sabatella for aceito, a AFCSA iniciará o processo de adequação compulsória do “Clarín”, que perderia, assim, algumas licenças de rádio e TV.

– Estamos apresentado as irregularidades do grupo Clarín, porque é o que mais prejudica a liberdade de imprensa na Argentina, temos de trabalhar para garantir a liberdade de expressão – declarou Sabatella.

Segundo o diretor da AFCSA, o plano apresentado pelo “Clarín”, que prevê dividir o grupo em seis unidades de negócios, não cumpre com a lei, já que existem vínculos societários entre as pessoas que ficariam à frente de cada uma das unidades.

Se o organismo decidir realizar uma adequação compulsória, o grupo perderá licenças de rádio e TV, que serão submetidas a novas licitações. O temor entre jornalistas e empresários do setor é de que os novos donos das licenças que hoje estão em poder do “Clarín” sejam pessoas alinhadas com o kirchnerismo, o que terminaria aumentando a concentração de meios de comunicação próximos ao governo da presidente Cristina Kirchner.

– Se estiverem cumprindo com o serviço, os atuais titulares (das licenças do “Clarín”) continuarão até que sejam convocadas as licitações – antecipou Sabatella.

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Governo argentino deve intervir no ‘Clarín’ em novembro

A Autoridade Federal de Serviços Audiovisuais (AFCSA), controlada por uma maioria kirchnerista, pretende avançar com o processo de adequação compulsória do grupo Clarín à Lei de Meios no mês que vem, segundo afirmou seu diretor, Martin Sabatella. O organismo ainda não informou que licenças atualmente em poder do grupo serão leiloadas e transferidas posteriormente a outros empresários. No entanto, fontes do “Clarín” disseram que o processo poderia envolver, entre outros meios, a emissora de rádio Mitre e o canal “13” de TV aberta. O grupo já antecipou sua decisão de recorrer novamente à Justiça, por considerar que a atuação da AFCSA é “arbitrária” e “discriminatória”.

Em comunicado oficial, o “Clarín” negou as acusações de Sabatella, e acusou o governo da presidente Cristina Kirchner de estar comandando “um novo avance ilegal para se apropriar de meios”. A decisão de submeter o grupo a um processo compulsório de adequação à Lei de Meios foi aprovada por uma maioria de cinco membros kirchneristas da diretoria do AFCSA, de um total de sete diretores. Os dois membros de partidos opositores acusaram Sabatella de não ter dado tempo aos integrantes da diretoria para analisar o caso.

Na quarta-feira [8/10], o diretor da AFCSA acusou o “Clarín” de ter apresentado um plano voluntário de adequação que viola artigos da Lei de Meios. Segundo Sabatella, existem vínculos societários entre as pessoas que ficariam à frente das seis unidades de negócios que seriam criadas, em caso de implementação da proposta apresentada pelo “Clarín”. O grupo assegurou que “todas as manifestações realizadas por Sabatella são deliberadamente falsas e podem ser desmentidas pela própria realidade”. O “Clarín”, disse o comunicado, sofre “uma perseguição inédita do governo, contra todas as vozes dissidentes”.

Representantes do grupo lembraram, ainda, que a AFCSA ainda não se pronunciou sobre outros planos de adequação voluntária, apresentados há quase dois anos. No caso do “Clarín”, a proposta foi entregue há um ano.

– Mais uma vez, vemos uma evidente intenção de prejudicar apenas o grupo que o governo considera inimigo – disse uma fonte do “Clarín”.

O temor entre jornalistas e empresários do setor é de que os novos donos das licenças, que hoje estão em poder do grupo, sejam pessoas alinhadas com o kirchnerismo, o que terminaria aumentando a concentração de meios de comunicação próximos ao governo da presidente Cristina Kirchner.

– Se estiverem cumprindo com o serviço, os atuais titulares (das licenças do “Clarín”) continuarão até que sejam convocadas as licitações – antecipou Sabatella. (Janaína Figueiredo)

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A nota do ‘Clarín’

El Grupo Clarin ante un nuevo avance ilegal del gobierno para apropiarse de sus medios

(em espanhol)

Tras la conferencia de prensa del titular de la AFSCA, Martín Sabbatella, en la que anunció el intento del gobierno de avanzar en una arbitraria e ilegal adecuación de oficio, el Grupo Clarín recurrirá a todas las instancias que correspondan para resguardar sus derechos y el cumplimiento del plan de adecuación aprobado, que se ajusta estrictamente a la ley de servicios de comunicación audiovisual.

Los exabruptos en los que incurrió el titular de la AFSCA, además de resultar falsos, burdos e injuriosos, demuestran hasta qué punto el gobierno está dispuesto a llegar en su incumplimiento del fallo de la Corte Suprema de Justicia y en la aplicación selectiva y discriminatoria de la ley de medios, para perseguir a los medios críticos y apropiarse de los que aún no pudo controlar.

Todas las manifestaciones realizadas por Sabbatella son deliberadamente falsas y están desmentidas por la realidad y por el propia conducta del Estado en los últimos meses. Las dos supuestas “maniobras” mencionadas por el funcionario kirchnerista son procedimientos absolutamente legales y regulares para el efectivo cumplimiento de la ley, que se realizó con un nivel de rigurosidad y transparencia inédito para todos los grupos de medios en la Argentina.

Las unidades 1 y 2 pertenecerán a accionistas absolutamente diferentes que no tienen ni tendrán participación cruzada alguna entre ellas, lo que implica el cumplimiento irrestricto de la ley, algo que no pudieron demostrar hasta ahora ni la AFSCA en otros casos, ni otros grupos de medios. Las menciones de Sabbatella a los abogados de fideicomisos o a otras sociedades ajenas a los medios, no tienen nada que ver con la ley de medios, son groseramente inaplicables y buscan confundir a la opinión pública. La ley de medios habla de accionistas diferentes, no de abogados ni tampoco de sociedades y negocios externos a los medios. Burdo sería que los accionistas del Grupo Clarín hubieran pretendido burlar la ley o engañar al gobierno escondiendo sociedades que están registradas y son públicas, u otras de las que ni siquiera forman parte. Pese a que el plan es técnicamente perfecto, tras recibir una notificación el Grupo Clarín le ofreció a la AFSCA cambiar los abogados para agilizar el proceso, lo que no sólo no fue respondido sino que derivó en este nuevo exabrupto. Queda claro que el Gobierno no tiene ningún interés en aplicar la ley sino que lo que busca es seguir persiguiendo y hostigando al Grupo Clarín. De lo contrario, le hubiera permitido al Grupo Clarín ejercer su derecho de defensa, lo que contrasta con todas los prórrogas, ajustes y postergaciones que le otorgó a los restantes grupos, en violación del fallo de la Corte.

Respecto de las unidades 3 y 4, las críticas de Sabbatella resultan tanto o más llamativas y falaces, dado que las compraventas fueron hechas públicas ante la propia AFSCA, la Comisión Nacional de Valores y otros organismos, y jamás existió objeción alguna a las mismas. Más aún, dichas compraventas fueron aprobadas por el Estado Nacional en las Asambleas del Grupo Clarín, lo que demuestra a las claras que este nuevo invento obedece a una decisión política posterior del kirchnerismo de avanzar en la apropiación de los medios del Grupo. Todas las cláusulas de dichos contratos son absolutamente transparentes, legales y legítimas, y forman parte del precio que se pudo obtener en las condiciones absolutamente adversas en las que deben venderse esas unidades. En efecto, como se expresó públicamente en la Asamblea, dichas cláusulas son usuales en operaciones realizadas bajo fuerza mayor, y apuntan a compensar al menos parcialmente el daño económico que implicó la venta forzada de dichas unidades en menos de 3 meses, en un contexto hostil para las inversiones en la Argentina.

En definitiva, tanto la división de los accionistas de las Unidades 1 y 2, como las ventas de las unidades 3, 4, 5 y 6, son las únicas operaciones realizadas hasta hoy, en el marco de la ley de medios, que cumplen a rajatabla las previsiones de dicha norma.

La persecución inédita del gobierno contra el Grupo Clarín y en general contra todas las voces disidentes, ratificada esta tarde con brutalidad por Martín Sabbatella, no cambiará la voluntad del Grupo Clarín de cumplir la ley ni su decisión de seguir haciendo el periodismo en el que cree.

Buenos Aires, 8 de octubre de 2014.

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Janaína Figueiredo, do Globo, em Buenos Aires

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