Segunda-feira, 11 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº969

CADERNO DA CIDADANIA > ELOGIO À INTOLERÂNCIA

Nordestinos, esses vagabundos

Por Plínio Bortolotti em 04/11/2014 na edição 823
Reproduzido do O Povo (Fortaleza, CE), 30/10/2014

Raramente respondo a provocações contra nordestinos nas redes sociais, pois considero impossível dialogar com a loucura. Porém, quando o editorial de jornal do porte do O Globoequipara-se aos aloprados virtuais, chega a hora de confrontar a insanidade, antes que ela atinja o nível de um tsunami que poderá engolfar todos os brasileiros.

Pode parecer inacreditável, mas o editorial do jornal carioca (28/10/2014, ver aqui), entre outras sandices, registra o seguinte, a respeito da eleição presidencial:

“O desenho esboçado no primeiro turno, com a divisão do país em dois grandes blocos, recebeu traços mais fortes: grosso modo, o Norte-Nordeste perfilado ao PT, o Sudeste/Sul/Centro-Oeste com a oposição.

“Fica evidente que o país que produz e paga impostos – pesados, ressalte-se – deseja o PT longe do Planalto, enquanto aquele Brasil cuja população se beneficia dos lautos programas sociais – não só o Bolsa Família –, financiados pelos impostos, não quer mudanças em Brasília, por óbvias razões.”

Parece muito evidente que a “razão óbvia” conjurada pelo O Globoé que o nordestino é, antes de tudo, um vagabundo. Porém, além do equívoco conceitual, o editorial comete crassos erros factuais – como sugerir que se paga imposto somente de Minas Gerais para baixo – o que torna ainda mais inaceitável, apesar de ridículas, a conclusão preconceituosa do jornal.

Uma análise, ainda que superficial, mostra que somente aqueles acometidos por uma terrível cegueira ideológica poderiam pintar o Norte-Nordeste de vermelho e o sul maravilha de azul: o que se vê é uma mistura das duas cores, um lilás, um pouco mais escuro em alguns lugares, um pouco mais claro em outros. É uma imagem matizada, tão diversa e colorida como é a sociedade brasileira, que uma parte da “elite branca” ainda teima em rejeitar.

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Plínio Bortolottié jornalista de O Povo

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