Quinta-feira, 14 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

CADERNO DA CIDADANIA > VIOLÊNCIA CONTRA JORNALISTAS

Equipe do ‘Globo’ é recebida a tiros na Rocinha

Por ‘OG’ em 25/11/2014 na edição 826
Reproduzido do Globo.com, 21/11/2014; intertítulo do OI

Uma equipe de reportagem do GLOBO foi recebida a tiros, por volta das 9h desta sexta-feira [21/11], quando chegava à comunidade da Rocinha, na região da Via Ápia, na Zona Sul do Rio. Os jornalistas iam fazer uma reportagem sobre o alargamento da Rua 2 e as consequentes desapropriações previstas nas obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC-2). Durante os disparos, a Associação de Moradores da Rocinha fechou as portas, forçando a equipe a buscar abrigo em uma loja. Após cinco minutos de tiros, um homem bateu na porta do estabelecimento ordenando a saída dos repórteres da comunidade.

– Vocês vão aguardar cinco minutos. A ordem é para descerem assim que abrirmos a porta – disse a comerciante, assustada, após receber um recado dado por um jovem.

A Associação de Moradores da Rocinha informou que fechou por questão de segurança. Segundo a entidade, o clima está tenso na comunidade, onde estão acontecendo tiroteios regularmente.

Segundo a Coordenadoria de Polícia Pacificadora, após a saída dos jornalistas, houve um confronto entre policiais e criminosos, e uma granada foi apreendida.

Mais serviços

Na avaliação do fundador do Batalhão de Operações Especiais (Bope), Paulo Amendola, a alta concentração de usuários de drogas na Zona Sul prejudica o combate ao tráfico na Rocinha.

– A Rocinha fica num ponto muito estratégico para o tráfico na cidade. É um ponto altamente privilegiado para a venda de drogas. Fica exatamente entre a Zona Oeste e Sul do Rio, fazendo com que os marginais resistam. A vontade do tráfico de permanecer na Rocinha é maior do que em qualquer outra comunidade do Rio de Janeiro – disse.

Ao se aproximar da Rua 2, principal ponto de resistência, é possível notar um emaranhado de vielas e becos estreitos. Segundo especialistas, além de ajudar a combater a ação de traficantes, o alargamento das ruas possibilitará a redução dos índices de doenças. A tuberculose, por exemplo, atinge 300 pessoas da comunidade em cada grupo de 100 mil moradores. Segundo a Secretaria municipal de Saúde, é o quadro de contaminação mais grave do estado.

De acordo com Alberto Chebabo, infectologista do Hospital Universitário do Fundão, o alargamento de vias na Rocinha vai melhorar a entrada de luz solar e a ventilação, evitando uma série de doenças:

– Vai, sem dúvida, diminuir os casos de tuberculose e o risco do contágio de outras doenças, como a catapora e a leptospirose. O número de casos de doenças transmitidas por via aérea aumenta em locais de grande aglomeração, com falta de luz e de ventilação. Abrindo a via, tem-se coleta de lixo adequada, melhorando o saneamento da região prevenindo outras doenças.

Para o presidente do Instituto de Arquitetos do Rio de Janeiro (IAB-RJ), Pedro Luz Moreira, a abertura de vias nas comunidades, prevista no PAC-2, é muito importante por integrarem as favelas aos bairros.

O que se oferece nos bairros precisa ser oferecido nas favelas também. As vias vão permitir coleta de lixo e acesso das ambulâncias, por exemplo. O que se debate não é uma abertura indiscriminada de vias, mas ampliar corredores que possam garantir a chegada desses serviços – disse ele, reforçando que no projeto original do Favela-Bairro, na década de 1990, o tema foi intensamente debatido com as comunidades.

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