Sábado, 16 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

CADERNO DA CIDADANIA > RELATÓRIO DA FIJ

135 jornalistas mortos no exercício da profissão em 2014

Por Fenaj em 13/01/2015 na edição 833
Reproduzido do site da Fenaj, 6/1/2015; título original: “Relatório da FIJ registra 135 jornalistas mortos no exercício da profissão em 2014”; intertítulo do OI

A Federação Internacional de Jornalistas (FIJ) divulgou, no dia 31 de dezembro de 2014, seu relatório anual da violência com o registro de 118 jornalistas e profissionais de mídia mortos em 2014 em incidentes relacionados com o trabalho direcionado ou fogo cruzado, um aumento de 13 assassinatos em relação ao ano anterior. O relatório registra, também, que mais 17 profissionais morreram em acidentes rodoviários e desastres naturais enquanto exerciam suas atribuições, contabilizando 135 vítimas fatais.

De acordo com a lista anual da FIJ, a região da Ásia-Pacífico teve o maior número de óbitos, 35, o que torna a região mais perigosa para os jornalistas e meios de comunicação pelo segundo ano consecutivo. O Oriente Médio vem na segunda posição, com 31 mortes, seguido pelas Américas (26), a África (17) e a Europa com 9 mortes violentas.

Segundo a Federação, as guerras cruéis em curso na Síria, Iraque e Ucrânia, bem como a insurgência violenta no Paquistão e no Afeganistão são responsáveis por muitas mortes de jornalistas. O Paquistão foi classificado como o país mais perigoso, com 14 jornalistas mortos, seguido de Síria, onde 12 perderam suas vidas para a violência. O Afeganistão e a Palestina registraram nove mortes cada, enquanto oito jornalistas foram mortos no Iraque e na Ucrânia.

A Federação adverte que estes novos números são um lembrete da gravidade da crise de segurança na mídia e renovou o seu apelo urgente aos governos para que priorizem a proteção dos jornalistas. O relatório cita a decapitação pública brutal de muitos jornalistas, incluindo as dos freelancers norte-americanos James Foley e Steven Sotloff pelos chamados militantes do Estado islâmico, como um divisor de águas na atitude dos governos para a proteção da mídia.

“É hora de agir em face de ameaças sem precedentes para os jornalistas que são direcionados não apenas para restringir o livre fluxo de informações, mas cada vez mais como uma alavanca para garantir enormes resgates e concessões políticas através de pura violência”, disse o presidente da FIJ Jim Boumelha. “Como resultado, algumas organizações de mídia estão cansados de enviar repórteres para zonas de guerra, temendo por sua segurança, mesmo de usar o material recolhido por freelancers nestas áreas. A falta de melhorias na segurança da mídia vai afetar negativamente a cobertura de guerra que vai ser mais pobres por falta de testemunhas independentes”, completou.

Profissionais brasileiros

A FIJ aponta que uma outra causa para a perda de vida para jornalistas em 2014 tem sido os ataques irresponsáveis contra profissionais e instalações de mídia em zonas de conflito como a Ucrânia e da Faixa de Gaza.

Nesse meio tempo, a regra implacável do crime organizado de terror e violência continua a lançar uma sombra sobre o jornalismo na América Latina, especialmente em Honduras e México, onde os jornalistas pagam o preço final por cobrirem questões como a corrupção e o tráfico de drogas.

Esta foi a conclusão da missão de inquérito da FIJ, que em setembro do ano passado esteve no estado de Guerrero, uma das piores áreas de violência do México, para pressionar as autoridades sobre a necessidade de medidas drásticas para proteger os jornalistas.

“Os níveis de violência contra jornalistas permanecem inaceitavelmente elevados em vários países onde os jornalistas arriscam suas vidas em seu trabalho diário”, acrescenta Beth Costa, secretária-geral da FIJ. “Infelizmente, muitos já pagaram o preço final deste ano e perderam suas vidas para a espiral de violência que está engolindo a mídia, alimentada pelo clima de impunidade”, considera.

Em 2014, a FIJ intensificou seu trabalho de segurança, incluindo programas de formação para jornalistas de países de alto risco, como a região do Curdistão, do Iraque, Afeganistão e Paquistão. A entidade também firmou uma parceria com o Conselho da Europa para estabelecer uma plataforma de segurança on-line para os jornalistas e está testando novas ferramentas de segurança de ponta para manter contato permanente com os jornalistas enquanto em missões em zonas perigosas.

As estatísticas sobre os jornalistas e profissionais de imprensa mortos em 2014 são as seguintes:

** Alvejados em ataques com bombas e fogo cruzado: 118

** Mortes acidentes e catástrofes naturais: 17

** Número total de mortes: 135

Entre os países com os maiores números de assassinatos de profissionais de mídia constam: Paquistão (14); Síria (12); Afeganistão (9); Palestina (9); Iraque (8); Ucrânia (8); Honduras (6); México (5).

O relatório registra as mortes dos profissionais brasileiros Santiago Ilídio Andrade, repórter cinematográfico da TV Bandeirantes, Pedro Palma, editor do Panorama Regional, e Geolino Lopes Xavier, apresentador da N3 TV. Nele também consta o falecimento da jornalista argentina Maria Soledad Fernandez, da DirecTV Sports, em um acidente de automóvel quando cobria a Copa do Mundo de 2014.

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