Sexta-feira, 22 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

CADERNO DA CIDADANIA > COMBATE À VIOLÊNCIA

Entidades pedem políticas de proteção aos jornalistas

Por Fenaj em 27/01/2015 na edição 835
Reproduzido do site da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), 23/1/2015; título original “Entidades pedem fim da impunidade e políticas de proteção aos jornalistas”

No lançamento do “Relatório 2014 da Violência contra Jornalistas e Liberdade de Imprensa no Brasil“, dirigentes da FENAJ e da FIJ cobraram dos governos e empresários de comunicação ações para conter as agressões contra a categoria. Identificando a impunidade como motivadora do crescimento da violência contra profissionais de imprensa no Brasil e no mundo, reivindicaram políticas públicas de proteção, equipamentos e um protocolo de segurança e condições de trabalho aos jornalistas.

Para a secretária-geral da FIJ, Beth Costa, o que mais motiva a violência no Brasil e no mundo é a impunidade. Ela registrou que a entidade lançou, no final do ano passado, um relatório que contabilizou 135 mortes de jornalistas no exercício da profissão em todo o mundo e destacou que 98% dos casos não são investigados. Beth Costa informou que a FIJ desenvolve uma campanha junto à Unesco e às Nações Unidas para que os países aprimorem suas legislações de proteção aos jornalistas e punam os envolvidos na morte de profissionais de imprensa.

Celso Schröder, presidente da FENAJ, reforçou a necessidade de combate à impunidade. Frisou que a violência contra jornalistas revela a incapacidade de setores da sociedade em conviverem com a divulgação dos fatos e que a atividade jornalística é fundamental para a democracia. “Tais crimes são uma tentativa de atemorizar, de insensibilizar a sociedade como um todo”, disse.

Ele defendeu a necessidade de medidas urgentes para conter as agressões contra a categoria no país. “É necessário que os governos produzam políticas públicas de proteção aos jornalistas, que as empresas assumam suas responsabilidades, forneçam EPIs [ Equipamentos de Proteção Individual] nas coberturas de risco e assinem um protocolo de segurança, e que a sociedade apoie os jornalistas nesta luta para exigir o fim da violência e da impunidade”, sustentou.

A atividade foi acompanhada, por diretores dos Sindicatos dos Jornalistas do Município e do Estado do Rio de Janeiro, de São Paulo, Espírito Santo, Amazonas, do Rio Grande do Sul, de Santa Catarina e do Ceará. Participaram, também, representantes de duas universidades (UERJ e Unicarioca), o representante da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, Marcelo Sales, e Patrícia Palma, viúva do jornalista Pedro Palma, que foi assassinado em Miguel Pereira, Estado do Rio, em fevereiro de 2014. Ela protestou que, após 1 ano, os responsáveis pela morte de seu marido não foram identificados, e apoiou a movimentação da FENAJ contra a violência e a impunidade.

Maioria dos casos de violência contra jornalistas ocorreu em manifestações, diz relatório

Em coletiva à imprensa na quinta-feira (22/01) na sede da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), no Rio de Janeiro, a FENAJ lançou o “Relatório 2014 da Violência contra Jornalistas e Liberdade de Imprensa no Brasil”. Segundo o levantamento, no ano passado foram registrados 129 casos de agressões a jornalistas, dentre elas 3 mortes.

A realização de 1 minuto de silêncio em memória dos jornalistas mortos no exercício da profissão no ano passado, e em protesto pelas agressões praticadas contra os jornalistas, marcou o início da coletiva, que contou com as participações da secretária geral da Federação Internacional dos Jornalistas (FIJ), Beth Costa, do diretor de Assistência Social da ABI, Arcírio Gouvêa, do presidente da FENAJ, Celso Schröder, e da vice-presidente da entidade, Maria José Braga, que elaborou o relatório final.

relatório traz dados por região, estado, gênero, tipo de mídia e agressores, além do relato dos casos. Grande parte dos 129 casos registrados ocorreu durante manifestações de rua e foi praticada por policiais. E embora os registros apontem uma redução de 30% das agressões em relação a 2013, os casos de violência extrema – assassinato – aumentaram em relação a anos anteriores.

Assassinatos

O assassinato do repórter cinematográfico da Band do Rio de Janeiro, Santiago Ilídio Andrade, foi apontado como o mais emblemático da violência contra jornalistas registrada no ano passado. Ele foi atingido por um artefato explosivo, lançado por um manifestante durante um protesto popular realizado no dia 6 de fevereiro de 2014, foi hospitalizado e morreu quatro dias. Os responsáveis foram identificados, presos e respondem a processo criminal.

O mesmo desfecho não se verificou nos outros dois casos de assassinatos ocorridos no ano passado, os dos jornalistas Pedro Palma, do Rio de Janeiro, e Geolino Lopes Xavier, conhecido como Geo, da Bahia. Estes crimes tiveram características de assassinatos por encomenda, seus autores não foram identificados e permanecem impunes.

No relatório foi registrada, também, a morte de três radialistas e um blogueiro, não computados nos dados gerais por não pertencerem à categoria, além da morte de quatro jornalistas em crimes não relacionados com o exercício da profissão.

Protestos

Celso Schröder, presidente da FENAJ, destacou que, das 129 agressões contra jornalistas identificadas, 50,4% (65), aconteceram durante protestos. Destas,48,06% foram praticadas por policiais e 12,4% por manifestantes. A região Sudeste foi, mais uma vez, identificada como a mais violenta para os jornalistas, com 55,81% das agressões.

Ainda entre os vários dados do levantamento, identificou-se 17 casos de agressão física não relacionada a manifestações (13,17%), 12 de cerceamento à liberdade de expressão com ações judiciais (9,3%), 11 de ameaças e intimidações (8,52%) e 7 de agressões verbais (5,43%).

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