Terça-feira, 19 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

CADERNO DA CIDADANIA > DADOS PESSOAIS

O futuro da privacidade

Por Carlos Eduardo Lins da Silva em 10/03/2015 na edição 841

Reproduzido da Revista de Jornalismo ESPM nº 12 (janeiro, fevereiro e março de 2015). Para assinar a revista, clique aqui

O Pew Research Center realizou em dezembro do ano passado um estudo qualitativo sobre o futuro da privacidade. Foram entrevistadas pessoas que ocupam cargos de liderança na indústria da comunicação e lhes foi pedido que esboçassem suas impressões sobre como nos próximos dez anos poderão se desenvolver as relações entre garantia da privacidade e avanço da tecnologia. Abaixo, respostas de algumas delas.

** “Temos testemunhado o conceito de publicity (o direito de tornar pública qualquer coisa a respeito de qualquer pessoa) emergir como a modalidade default na sociedade e o conceito de privacidade (privacy), o direito de manter reservadas algumas coisas pessoais, declinar. Para ser possível a existência do ‘online’, é preciso publicar informações que sejam amplamente repartidas em espaços públicos, abertos” (Stowe Boyd, pesquisador principal da GigaOM).

** “A liberdade para capturar dados pessoais está no coração dos modelos de negócios das mais bem-sucedidas empresas de tecnologia (e de forma crescente também nas indústrias tradicionais, como o varejo, assistência médica, entretenimento, finanças, jornalismo, seguros) e de como os governos encaram a relação entre os cidadãos e o Estado” (Leah Lievrouw, professora da University of California, Los Angeles).

** “Big data significa grandes negócios. Os interesses especiais dos grandes negócios continuarão a bloquear qualquer política pública eficaz que garanta segurança, liberdade e privacidade online” (alto executivo de uma grande empresa de internet, que pediu anonimato).

** “A falta de preocupação em garantir o direito à privacidade decorre da complacência das pessoas, porque a experiência delas as ensina que dar acesso a seus dados pessoais permite às organizações privadas e públicas facilitar a sua vida e a rotina, e só raramente é que elas se sentem seriamente prejudicadas por terem permitido que sua privacidade fosse invadida” (Bob Briscoe, pesquisador-chefe da British Telecom).

** “As pessoas vão cada vez mais aceitar a troca de sua privacidade pela customização de serviços, a não ser que um grande esforço de educação seja iniciado imediatamente” (Gina Neff, professora da Universidade de Washington).

>> Clique aqui para assinar a Revista de Jornalismo ESPM, a edição brasileira da Columbia Journalism Review

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Carlos Eduardo Lins da Silva, livre­docente e doutor em comunicação pela USP, mestre em comunicação pela Michigan State University e editor da revista Política Externa

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