Sexta-feira, 22 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

CADERNO DA CIDADANIA > LIBERDADE DE IMPRENSA

A guerra bolivariana contra a imprensa profissional

Por ‘OG’ em 16/03/2015 na edição 842
Editorial reproduzido de O Globo, 13/3/2015

O relatório da Comissão de Liberdade de Imprensa e Informação, divulgado esta semana durante a reunião de meio de ano da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), na Cidade do Panamá, apresenta um quadro detalhado e extenso dos obstáculos ao exercício do jornalismo profissional no continente. Dois países do bloco bolivariano se destacam negativamente: Venezuela e Equador, onde a censura e a intimidação comprometem o fluxo de informação confiável à sociedade.

No país de Nicolás Maduro, aponta o documento, o Estado possui a hegemonia dos meios de comunicação e as poucas vozes independentes do governo, além de submetidas a todo tipo de repressão e intimidação, sofrem o impacto da crise econômica e social gerada pela má gestão. O relatório lembra, por exemplo, que a inflação de 2014 chegou a 65%, a mais alta do mundo. Além disso, a Venezuela amarga queda brusca de receitas devido ao mergulho do preço do petróleo no mercado internacional; desvalorização de quase 4.000% de sua moeda; e um endividamento de US$ 147 bilhões. Há escassez de produtos básicos e insumos variados e aumento do desemprego.

Neste ambiente adverso, o que resta de imprensa profissional da Venezuela enfrenta muita dificuldade para exercer a tarefa de informar com autonomia. O governo de Maduro, que não tolera divergências de opinião ou críticas, reprime qualquer protesto como se fora um ato subversivo. O relatório da SIP menciona exemplos de violência e tortura, e cita a prisão de membros da oposição, como o prefeito de Caracas, Antonio Ledezman, detido em seu gabinete por um grupo de homens armados sem mandado judicial.

No Equador, chamam a atenção os ataques pessoais proferidos por Rafael Correa contra veículos de comunicação, jornalistas e chargistas. O presidente equatoriano ocupa os espaços de mídia estatal para atacar instituições como a própria SIP e a Comissão Interamericana de Direitos Humanos. Em seu programa semanal aos sábados, Correa recorre a adjetivos como “perverso”, “desonesto”, “envenenado” e similares para desqualificar meios de comunicação e jornalistas.

Mas o braço draconiano do Executivo contra a mídia independente são a Superintendência de Informação e Comunicação (Supercom) e o Conselho de Comunicação (Cordicom), responsáveis pela aplicação de multas, advertências, retificações, réplicas, pedidos de desculpa, suspensões e cassações de licença. Essa atuação resulta em rígido controle da mídia e impede a autonomia na divulgação de informações.

Ao revelar detalhes do cerceamento à liberdade de imprensa nestes países, o relatório da SIP confirma, mais uma vez, que a guerra contra os meios de comunicação profissionais é uma das facetas do regime bolivariano, idealizado por Hugo Chávez, e aliados.

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