Sábado, 18 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

CADERNO DA CIDADANIA > MANIFESTAÇÕES DE RUA

A mídia e os protestos contra o governo federal

Por Diones Franchi em 16/03/2015 na edição 842

É fato que estamos vivendo um dos momentos mais críticos na história da politica recente do Brasil, principalmente por causa dos escândalos da Petrobras, onde existem acusações de que muito dinheiro foi desviado por políticos e partidos políticos. Com isso é muito fácil haver desnivelamento das notícias, que a cada dia corrompem o noticiário nas mídias impressa, televisiva e digital do país. Não sabemos mais o que é verdadeiro ou falso, com tanta notícia distorcida em meio ao mar de corrupção que nos assola.

Os políticos há muito tempo perderam o respeito e a credibilidade perante a população. Basta sua presença em algum lugar, evento ou recinto, que vaias ecoam aos grilhões.

Infelizmente sabemos que existe uma distorção dos fatos pelos meios de comunicação. Prova disso aconteceu nas manifestações de domingo (15/3) contra o governo da presidente Dilma Rousseff em todo país. Simplesmente os números de participantes nos protestos não “batiam” de um canal para outro, ou de uma mídia eletrônica para outra. Afinal, estiveram presentes nas manifestações no Brasil contra o governo federal 500 mil ou 1,5 milhão de pessoas? Segundo a Folha de S.Paulo, em São Paulo havia 210 mil pessoas no protesto, ao contrário do divulgado por emissoras de TV, que informaram a presença de 1 milhão de pessoas. E também que havia 45 mil manifestantes em Brasília, ao invés de 50 mil pessoas noticiada pela Rede Globo e também pelo Correio Braziliense. Neste caso a diferença é pouca, mas para um parâmetro geral de números de manifestantes em todo o Brasil pode fazer uma grande diferença.

De acordo com O Estado de S.Paulo, policiais militares afirmaram que houve a presença de 2 milhões de pessoas nas manifestações pelo Brasil. Nos jornais Zero Hora e Correio do Povo havia um consenso de informações quanto ao número de manifestantes no Rio Grande do Sul, cerca de 100 mil pessoas.

A mídia é a protagonista?

E assim foi durante todo o dia. A mídia aproveitou para fazer das manifestações um processo de glamourização nos meios, onde boletins informativos sobre os protestos fizeram parte da programação das principais redes de comunicação. A Rede Bandeirantes montou um infográfico com todas as cidades que realizavam o protesto; já a Rede Globo destacou a mobilização desde cedo nas principais capitais.

A revista Veja, em seu site, destacou as manifestações de domingo (15) como o maior protesto popular da história democrática. Vale lembrar que a revista é uma ferrenha opositora do governo Dilma Rousseff e do PT. Muitas verdades podem estar incluídas, mas muitos fatos colocam-se em dúvida devido aos episódios recentes entre a revista e o governo. Já o site da revista Época destacava que a manifestação anti-Dilma entrava para a história.

A verdade é que as manifestações de 15 de março de 2015, contra o governo da presidente Dilma Rousseff, deram abertura para o espetáculo midiático e encurralaram o governo em suas ações. Talvez desde a época do impeachment do ex-presidente Fernando Collor não vivemos um momento político tão complicado e conturbado em nosso país. Fica a pergunta: em que meio vamos confiar para traçar a história da politica brasileira atual? A única certeza que temos é que mais um “movimento em falso” de nossa presidente e a mídia será a protagonista da nova página da história política de nosso país.

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Diones Franchi é jornalista e mestrando em História

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