Terça-feira, 23 de Julho de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1047
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CADERNO DA CIDADANIA >

A ABI, o senador e um assassinato covarde

Por Oswaldo Vivas em 15/08/2006 na edição 273

Assassinato covarde é o que tentam fazer comigo a Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e o senador Arthur Virgílio (PSDB-AM). A ABI, através de seu presidente, Sr. Maurício Azedo, por um corporativismo barato; o senador por ter ouvido falar, segundo seu chefe de gabinete, Sr. Etísio, e resolver passar adiante. Fonte de informação: a ABI.

Nota da ABI em 25/7/2006:

‘O jornalista Ajuricaba Monassa de Paula foi assassinado entre 17h e 18h desta segunda feira, dia 25 de julho, no município de Guapimirim, interior do Rio, num incidente com o vereador Oswaldo Vivas, a quem ele vinha acusando de práticas irregulares. Monassa discutia com um irmão ou primo do vereador, Alfredo Vivas, quando Osvaldo Vivas interveio na discussão e passou a espancá-lo com extrema brutalidade. Faixa-preta de luta marcial, Osvaldo vivas só cessou a violência quando Ajuricaba Monassa, de 73 anos, tombou exangue na praça, onde foi submetido a técnicas de ressuscitação. Removido para o hospital de Parada Modelo, distrito do município vizinho de Duque de Caxias, Monassa não resistiu aos ferimentos. …’

Não quero direito de resposta, o prejuízo e o constrangimento que tive são irrecuperáveis. Quero uma imprensa responsável, para mim e para o meu país, dessa forma me sentiria recompensado, uma vez que os fatos são ou não são: o Sr. Ajuricaba não militava na vida política há mais de 10 anos, tampouco na de Guapimirim, portanto, nunca me acusou de práticas de irregularidades; também não discutia com meu primo; com um martelo em punho, ofendia transeuntes, como sempre faziam ele e também a esposa apenas quando bebiam.

E, no instante em que cheguei, ameaçava meu tio de 74 anos, aniversariando neste dia fatídico. Quando tentei dissuadi-lo verbalmente, ele, com os olhos arregalados, sem dizer uma palavra, agrediu-me com várias marteladas, acertou-me quatro vezes, sendo que não sou faixa-preta em artes marciais, como me atribuiu o repórter, mas sou atlético, disponho de bom reflexo e autoconfiança. Mas, como pude atestar, o Sr. Ajuricaba também não era uma pessoa comum para a idade e, assim como eu, tinha agilidade física e reflexo excepcionais, apesar de alcoolizado.

Irresponsabilidade

Eu apenas tentei dominá-lo sem ter que agredi-lo, porque não sou covarde, ainda que em legítima defesa, que neste caso poderia ser o revide da agressão física. Mas assim não agi. Quando consegui agarrá-lo, meu tio, repito, de 74 anos, em meu socorro nos deu uma trombada, nós dois fomos ao chão e ele, infelizmente, bateu com a cabeça fortemente no chão. No momento em que me levantava percebi que ele havia desmaiado, quis levá-lo ao hospital, mas sua mulher, que a tudo assistia, incentivando-o a me agredir, não me permitiu. Acatei sua decisão, pois não havia ainda percebido a gravidade do fato. Mas assim que percebi que ele estava respirando com dificuldade, eu, que já havia solicitado socorro ao secretário de Saúde, agachei-me ao lado dele, junto com sua esposa, Sra. Alix, pedindo-lhe calma e que me ajudasse em nome de Deus.

Passei a lhe fazer massagem cardíaca e pedi a ela que fizesse respiração boca a boca, quando meu irmão, José Otávio, professor de Educação Física e enfermeiro, criticou o procedimento da Sra. Alix, que não tapava o nariz quando lhe assoprava a boca. Então pedi a ele que fizesse o procedimento, o que fizemos até a chegada da ambulância. Quando a ambulância saiu, na presença de várias testemunhas, ela me agradeceu ‘por tudo’, em reconhecimento ao meu esforço em tentar mantê-lo vivo, mas fez uma ressalva: ‘Se ele morrer você ta fu…’.

Compreendo perfeitamente sua ameaça no dia e suas revelações a respeito do fato no outro dia, pois, apesar de ainda não estar embriagada estava sob efeito de forte emoção, por perder um ente querido, de quem pelo visto gostava muito, pois senão já o teria abandonado, pois muitas vezes em sua bebedeiras ele a espancava, o que vizinhos podem atestar. O que não posso aceitar inerte é a irresponsabilidade veiculada caluniosamente pela ABI, que resultou em notícias mundo afora, e do pronunciamento do senador, que segundo seu chefe de gabinete, Sr. Etíseo, como se desculpasse, disse que o senador ‘ouviu falar’!!!

O senador é um homem de renome, e a imprensa é a maior responsável talvez pelos avanços na nossa sociedade rumo à democracia, por isso, apesar dos pesares, lamento por eles. Como deveria ser a notícia?

‘O Ver. Oswaldo Vivas, detentor de três mandatos consecutivos, levantou às 5h30 e fez seu cooper, às 7h já visitava a primeira comunidade, trabalho que findou às 16h da tarde, como pôde constatar nossa equipe de reportagem. Quando recebeu um telefonema, chamando-o para socorrer seus familiares, pois o Sr. Ajuricaba havia começado a beber desde as 8h da manhã e o inferno para os vizinhos e transeuntes já havia começado.

Quando recebeu o chamado telefônico, pedindo socorro, o vereador perguntou se já haviam chamado a polícia, tendo resposta afirmativa: ‘Sim, há mais de 20 minutos’. O vereador rumou para o local, sob o risco de até causar acidente em razão da velocidade que imprimiu, com medo de que o homem, alucinado, matasse alguém, uma vez que numa dessas bebedeiras tem antecedente registrado na 65ª DP, quando tentou matar o pai do vereador, de 77 anos, que também é vizinho da família do Sr. Ajuricaba, deixando-o ferido. Sr. Alceu foi salvo neste dia por José Messias, dono do prédio onde mora a família do Sr. Ajuricaba, e que, conhecendo seu comportamento e seu histórico em agredir seus vizinhos, o que já havia lhe custado a perda de inquilinos, o vigiava e viu quando ele entrou de faca em punho no corredor em direção à casa do Sr. Alceu, pai do vereador, e pôde socorrê-lo quando já estava prestes ‘a se entregar’, por não ter mais forças, conforme consta em Registro de Ocorrência na Delegacia mencionada e relataram a nossa reportagem o Sr. Alceu e o Sr. José Messias.

O Ver. Oswaldo Vivas tem fama de homem corajoso, mas não é violento, mas sensível – poeta. Em uma de suas poesias ele diz: ‘Não sou violento, mas apenas um homem valente, pois o canto que canto, é o mesmo que canta os pássaros, ou de quem não canta porque é mudo, mas que encanta com o brilho de seu olhar, que clama por justiça…’.

Mas o Sr. Ajuricaba tem mais de 100 entradas em delegacias por violência contra pessoas, e figura como réu em vários processos criminais. O Ver. Oswaldo Vivas, família, vizinhos, amigos e munícipes guapienses estão consternados que esse episódio tenha terminado assim.’

******

Vereador, Guapimirim, RJ

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