Terça-feira, 22 de Agosto de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº955

CADERNO DA CIDADANIA > MÍDIA ALTERNATIVA

A Carta Maior não pode acabar

Por Adalberto Wodianer Marcondes em 28/03/2007 na edição 426

A Agência Carta Maior não pode fechar. Isto não pode acontecer pelo simples fato de que seria um golpe de morte para a democratização da informação no Brasil. É preciso que todas as forças democráticas deste país compreendam que informação é o alicerce sobre o qual se constrói uma sociedade livre e desenvolvida sob o ponto de vista ambiental, econômico e social.


O Brasil não conseguirá superar seu subdesenvolvimento sem uma séria política de Estado para o financiamento à informação. Hoje a decisão do que o povo brasileiro deve ou não saber está nas mãos das agências de publicidade, que não têm interesse em fazer um juizo de valor sobre conteúdos.


Veículos como a Carta Maior são fundamentais, mas não conseguem sobreviver por falta de dinheiro. Não fortunas como as necessárias para manter a Veja ou a Globo, mas recursos muito menores, capazes de pagar salários e manter no ar uma agência jornalística de qualidade inquestionável e fundamental para a construção de muitas outras mídias comprometidas com a democracia e a sustentabilidade.


Se nós, como sociedade, permitirmos que a Carta Maior sucumba pelo simples fato não fazer parte do jogo de compra e venda de público que rege o mercado publicitário, estamos assumindo nossa incapacidade de discutir outros modelos.


Solidariedade


A história se repete. As mídias de resistência democrática dos anos 60 e 70 sucumbiram à incapacidade da sociedade brasileira sustentá-las. O jornalista Aloysio Biondi viu seu projeto de jornalismo comprometido com o desenvolvimento e a ética sucumbir por falta de apoio. Não se pode deixar que um projeto como o da Carta Maior siga para o esquecimento.


Está mais do que na hora de reunir jornalistas, publicitários, governo e sociedade para debater modelos de financiamento à informação no Brasil. Hoje, quando uma mídia dita alternativa consegue algum recurso é quase uma filantropia. Isto não é sustentável.


É preciso compreender que estas mídias têm um papel determinante na oferta de alternativas para a sociedade. Estamos em um momento de quebra de paradigmas e, para isto, precisamos de todos os canais de conhecimento disponíveis. Não será possível debater com a sociedade novos modelos de desenvolvimento mantendo os mesmos arcaicos modelos de jornalismo que sobrevivem à custa do status quo.


A todos os companheiros de Carta Maior a solidariedade da Agência Envolverde, que compartilha com vocês idéias e desafios.

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Diretor da Agência Envolverde

Todos os comentários

  1. Comentou em 30/03/2007 Francisco Malta

    Claro, claro. Vamos todos doar nosso suado dinheirinho para meia dúzia de ‘intelectuais’ continuarem suas diatribes contra o capitalismo, o neoliberalismo, e tudo o mais que acreditarem ser a raiz de seus problemas. Comigo não, violão?
    Chega de mamata nesse país! Chega de dinheiro público para sustentar esta ou aquela visão política. Não contem com minha grana para sustentar ninguém. Se a revista não se sustenta, azar o de vocês, vão procurar outro emprego.

  2. Comentou em 29/03/2007 Carlos Eduardo Martins

    Depois que perdemos Movimento, Pasquim e Opinião não houve alternativa à padronização e bloqueio da grande imprensa, Esta agência é o que há de mais plural e democrática em política, economia e cultura. Não podemos perder esse espaço.

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