Terça-feira, 18 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1018
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CADERNO DA CIDADANIA >

A censura burra do Facebook

Por Marcelo Rubens Paiva em 26/05/2015 na edição 852

observateur

 

A censura é inculta.

Não tem olhos. Não tem cérebro.

Burra, como toda censura.

A censura embrutece.

Uma vítima do Facebook foi a histórica e polêmica foto de Simone de Beauvoir retocada na capa da Le Nouvel Observateur.

Polêmica porque a revista passou um Photoshop no corpo do ícone do movimento feminista e revolução sexual.

A original foi tirada em Chicago numa Leica pelo fotógrafo da Life, Art Shay, amigo do escritor Nelson Algren, eterno amante da mulher de Sartre.

Ela tinha 40 anos e foi tomar banho na casa de Shay, que deu um clique sem autorização.

A censura da foto do casal de índios botocudos de 1909, do acervo do Instituto Moreira Salles, usada para divulgar o Portal Brasiliana Fotográfica, acervo com mais de duas mil fotos, levou até o ministro da Cultura, Juca Ferreira, à ira.

Acusou a rede social, ameaçou processá-la, deu uma coletiva, o que fez voltarem atrás.

indios

“Se os índios não podem aparecer como são, o recado que fica é o de que precisam se travestir de não indígenas para serem reconhecidos. Isso é de uma crueldade sem fim”, disse exaltado na coletiva.

Agora é a vez de Duchamp, cuja foto, que prova que o corpo feminino é também uma obra de arte, e que ilustra o artigo de Marcia Tiburi para a revista Cult, “Como Conversar Com um Fascista”, foi censurada.

duchamp

São os próprios usuários quem denunciam o que consideram censurável.

Denúncias chegam diariamente, milhares, de todos os cantos, independente de religião, raça, escolaridade.

Na aba Nudez, das regras que regem a rede social, está indicado:

“Removemos fotos de pessoas exibindo genitais ou com foco em nádegas totalmente expostas. Também restringimos algumas imagens de seios que mostram os mamilos, mas sempre permitimos fotos de mulheres ativamente engajadas na importância da amamentação ou mostrando os seios após uma mastectomia. Também permitimos fotos de pinturas, esculturas e outras obras de arte que retratem figuras nuas. As restrições relativas à exibição de nudez e de atividade sexual também se estendem aos conteúdos digitais, exceto quando a publicação do conteúdo se der por motivos educativos, humorísticos ou satíricos. Imagens explícitas de relações sexuais são proibidas. Descrições de atos sexuais que exponham detalhes muito vívidos podem também ser removidos.”

Estamos nas mãos de algoritmos, que nos emburrecerão.

***

Marcelo Rubens Paiva é escritor

 

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