Quarta-feira, 24 de Outubro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1010
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CADERNO DA CIDADANIA >

A notícia em crise e
os rumos do jornalismo

Por Luiz Antonio Magalhães (seleção de textos) em 24/12/2008 na edição 517


Leia abaixo os textos de terça-feira selecionados para a seção Entre Aspas.


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Folha de S. Paulo


Terça-feira, 23 de dezembro de 2008


RUMOS DO JORNALISMO


Marcos Nobre


Notícia em crise


‘O JORNAL NASCEU quando se decretava o fim da arte e a morte da filosofia, no século 19. Com a rápida expansão da internet, foi o jornal que se tornou a mais nova vítima do serial killer ‘progresso’. Mas a questão aqui não é de atestado de óbito. É de saber se as práticas que esses nomes figuram podem adquirir novos sentidos ou não.


O jornal não é papel. É antes de tudo notícia. E é o formato notícia que está em crise há já algum tempo.


A notícia pretende separar o acontecimento de quem conta o que aconteceu, pretende separar o noticiário de artigos de opinião e de análise, distingue fatos de interpretações. O formato notícia pretende ter o monopólio da informação neutra e objetiva. Foi com base na notícia que o jornal construiu sua legitimidade e seu prestígio.


A internet minou essas distinções de maneira irremediável. Os processos colaborativos entre produção e consumo de informações, a cultura dos blogs, a proliferação acelerada de fontes virtuais destruíram na prática o monopólio do formato notícia.


O jornal tem procurado manter sua posição de influência como uma espécie de garantidor de última instância da confiabilidade da informação. Em alguns casos, tenta compensar sua renovada opção pelo formato notícia mantendo um certo pluralismo nas seções de análise e de opinião. Essa estratégia ainda tem lhe garantido uma posição de destaque.


Usando de seu prestígio, o jornal estabelece uma pauta de discussão que, em geral, tem sido até agora seguida pelos outros meios. De certa maneira, o jornal não apenas antecipa, mas também cria o fato porque seleciona os acontecimentos e cria o contexto em que são debatidos.


Também por isso a ideologia da neutralidade da notícia já não convence mais. Qualquer que seja o formato, a informação só faz sentido hoje se explicitar sua tomada de posição.


A novidade é perceber que isso pode ser feito de diversas maneiras. São diferentes as maneiras de apresentar e de elaborar explicitamente a formatação da informação. Como são diferentes as maneiras de difundir essa produção.


No momento, a alternativa ainda continua a se dar entre o formato notícia e uma politização mais ou menos direta da informação. E é difícil dizer qual deles representa melhor tendências futuras. Com transformações importantes, pode ser que essa tensão se mantenha por um bom tempo ainda.


O decisivo é que os fatos já não cabem na camisa-de-força do simples acontecimento capturado pela notícia. A maneira de organizar a informação se tornou parte da própria informação.’ 


 


 


MÍDIA & ECONOMIA


Carlos Heitor Cony


‘Olha a crise!’


‘Um desocupado contou e colocou na internet um dado inquietante: nos últimos tempos, a palavra ‘crise’ é a mais repetida em jornais e revistas de todas as partes do mundo. Não sei como ele chegou a esta inútil descoberta, mas dou-lhe razão: todos falam na crise e a evocam para justificar isso ou aquilo.


Não chega a ser novidade. Nos anos 60, eu morava no Posto Seis, em Copacabana. Todos os dias acordava com um cara que andava pelas ruas gritando: ‘Olha a crise! Olha a crise!’ Escrevi um texto para o ‘Correio da Manhã’ (Rio) e para a Folha, que então publicava minhas crônicas. Transcrevo o trecho que incluí num livro dedicado exatamente àquela parte final da praia:


‘O morador mais importante do Posto Seis é o bardo Carlos Drummond de Andrade. E o menos importante é um sujeito que sai pelas ruas gritando: ‘Olha a crise! Olha a crise!’. Nunca e ninguém olharam para a crise que o cara anuncia apavorado e inutilmente.’


No dia em que a crônica foi publicada, o poeta, que era meu vizinho de bairro e colega de Redação, escreveu-me um bilhete pedindo uma correção: o morador mais importante do Posto Seis não era ele, Drummond, mas o sujeito que andava pelas ruas do bairro pedindo que tomássemos conhecimento da crise.


Os tempos até que eram calmos naquele distante ano. Bem verdade que, pouco tempo depois, a coisa engrossou, tivemos (e fomos forçados a olhar) uma crise político-militar que desaguou num golpe de Estado. Por coincidência, o cara desapareceu das ruas.


Mas não era essa, exatamente, a crise que o sujeito anunciava pelas ruas. Devia ser uma crise pessoal e antiga que ele proclamava aos berros. Que ficássemos atentos para evitar que cada um de nós fossemos para as ruas fazer o mesmo.’


 


 


MÍDIA & POLÍTICA


Folha de S. Paulo


Lula é eleito 18ª pessoa mais poderosa do mundo pela Newsweek


‘Atrás do presidente eleito dos EUA, Barack Obama -número um da lista composta de 50 nomes- e dos presidentes da China, Hu Jintao, e França, Nicolas Sarkozy, Lula ficou à frente de nomes como a democrata Nancy Pelosi, presidente da Câmara dos Representantes dos EUA, e do papa Bento 16. Ao citar o brasileiro, a revista americana diz que o ‘ex-sindicalista cabeludo’ levou o país, ‘que já esteve à beira da ruína’, a ser uma das mais saudáveis economias emergentes.’


 


 


SAPATADA NO PRESIDENTE


Folha de S. Paulo


Agressor de Bush será julgado dia 31


‘Foi marcado para 31 de dezembro o julgamento do jornalista iraquiano Muntader al Zaidi, que atirou seus sapatos no presidente dos EUA, George W. Bush. Zaidi é acusado de ‘agressão a um líder estrangeiro em visita ao país’. Seu irmão afirmou que o jornalista sofreu tortura na prisão e foi induzido a dizer que teve um cúmplice na ação, mas que se pudesse voltar atrás ele ‘faria tudo de novo’.’


 


 


BARRIGA DO NYT


Folha de S. Paulo


‘Times’ publica falsa carta de prefeito de Paris


‘O ‘New York Times’ admitiu que era falsa uma carta atribuída ao prefeito de Paris, Bertrand Delanoë, e publicada ontem pelo jornal. A carta trazia uma crítica à tentativa de Caroline Kennedy, filha do ex-presidente dos EUA, John Kennedy, em ocupar o assento vago deixado por Hillary Clinton no Senado.


O texto chamava Caroline de ‘pouco democrática’. ‘Que direito a sra. Kennedy tem ao assento de Hillary? Nós franceses vemos isso como uma atitude da declinante dinastia Kennedy’, dizia a carta.


O ‘Times’ se desculpou em sua página na internet. O jornal afirma que a carta chegou por e-mail. O jornal respondeu a mensagem, mas não obteve tréplica. ‘Deveríamos ter ligado ao escritório de Delanoë para confirmar a veracidade da correspondência. Mas não fizemos isso’, disse o comunicado do jornal, que revisará seus procedimentos de verificação de cartas.


Quem primeiro identificou o erro foi a revista francesa ‘France-Amérique’. ‘A escolha de palavras era tão surpreendente que ligamos para Paris para checar’, disse o editor-chefe da publicação, Jean-Cosme Delaloye.’


 


 


INTERNET


Web séries.br


Fernanda Ezabella


‘Puristas da língua portuguesa, tremei! Lembra daquele diálogo torto, escrito às pressas na internet, cheio de carinhas coloridas e abreviações peculiares? Pois bem, não só virou roteiro, como virou seriado.


‘Control C Control V’ (http://msn.copieecole.com.br), criado na esteira de novas mídias para o mercado publicitário, usa conversas gravadas no MSN, enviadas pelos próprios usuários, como base de seus roteiros. Tem apenas três episódios, mas deve chegar a dez até março.


A novidade faz parte do fenômeno das ‘webséries’. Lançado em novembro, o projeto já foi visto por meio milhão de usuários, segundo a agência de publicidade Y&R, que afirma ser este número maior que o público de uma minissérie da TV paga.


‘Um quinto da audiência das séries de TV a cabo nos Estados Unidos já está acontecendo na internet’, diz Fernando Taralli, responsável pelo núcleo digital da Y&R, que criou a série em parceria com a Microsoft.


Taralli aproveita para dizer a seus clientes patrocinadores que o Brasil tem a maior comunidade de Messenger do mundo, com 41 milhões de pessoas.


A websérie, que terá novos episódios a cada 20 dias, já recebeu 4.700 diálogos. ‘Nem tínhamos capacidade para receber, ler e avaliar tanta coisa’, diz Taralli, cuja equipe que reescreve as histórias tem dois roteiristas e dois redatores, que limpam bizarrices como cemitério com i, visitante com z, e achar com x. Eles também dão um jeito de encaixar ‘com suavidade’ os produtos dos patrocinadores. Cerca de 100 diálogos originais estão disponíveis.


O site mostra a conversa editada, com a foto do autor, ao lado do vídeo de cerca de cinco minutos. Carinhas coloridas típicas do Messenger surgem no meio das histórias, assim como personagens que aparecem do nada, pulando na tela como se fossem uma janela de diálogo.


No episódio ‘TPM Truque de Meninas’, uma garota narra um encontro romântico que teve no seu pior dia do mês.


Os dez atores da série têm perfis detalhados no site, como estado civil e até e-mails.


Warlei Santana, do elenco do programa de TV CQC, está no elenco, assim como Fabio Lucio Benvenuti, escolhido através do YouTube pelas paródias que fazia do piloto Rubens Barrichello.


‘A série inteira sai pelo preço de um comercial maravilhoso’, diz Taralli, sem querer divulgar o preço do projeto, filmado em digital num processo que leva apenas 20 dias de produção.


‘Office’ brasileiro


O projeto foi inspirado na websérie americana ‘IntheMotherhood.com’, patrocinada por uma linha de produtos de beleza para mães. As usuárias mandam suas histórias para o site, que as transforma em vídeos. Já está na terceira temporada, com 15 milhões de pessoas acompanhando a série.


Ao contrário dos vídeos sobre baladas e paqueras, ‘Inthemotherhood’ trata de filhos, mães que trabalham, donas-de-casa etc. O sucesso foi tanto que a emissora ABC comprou os direitos para levar o seriado à TV.


No Brasil, a produtora O2 Digital criou em junho a websérie ‘O que que É Isso?’, para um portal de serviços de internet. O último ‘websódio’ foi ao ar em novembro e, neste mês, ultrapassou os dois milhões de views. A série conta o cotidiano de uma empresa e seus funcionários preguiçosos, com diálogos de Adriana Falcão, roteirista de ‘A Grande Família’. Chegou a ter duas temporadas, com direção de Rodrigo Meirelles. No elenco, há até um global, Alexandre Nero (‘A Favorita’).’


 


 


 


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Youtube perde apoio de gravadora


‘Na contramão das séries e programas de TV, que ganham cada vez mais espaço na internet, a gravadora Warner pediu, há três dias, que o YouTube retire do ar todos os videoclipes de seus artistas.


As duas empresas tinham um contrato que a Warner preferiu não renovar. A razão foi que o dinheiro repassado pelo YouTube em 2008 foi muito pouco, na opinião da Warner.


Segundo a imprensa especializada, a Warner faturou US$ 639 milhões no ano com vendas digitais e o valor repassado pelo YouTube não atingiu 1% disso.


Os acordos que o YouTube mantém com Sony, Universal e EMI também expiram em breve.’


 


 


TELEVISÃO


Caio Jobim


Fernanda Montenegro narra especial


‘Fernanda Montenegro aparece apenas no início e no final de ‘O Natal do Menino Imperador’, antes de a história começar propriamente e depois que ela se encerra.


‘O Natal na infância é uma coisa inesquecível. É a grande festa, mas, quando se chega a uma certa idade, há sempre uma nostalgia. Não é fácil passar essa data carregando as memórias sem as pessoas que já se foram. É muito difícil abrir mão de gente que testemunhou sua vida e sua história’, afirma Montenegro.


Ela é a narradora que apresenta o contexto histórico do século 19 a partir da chegada da corte portuguesa ao Brasil. ‘O texto [de Péricles Barros] tem um poder de síntese muito grande. Você passa rapidamente por vida, paixão e morte do personagem’, diz ela.


‘O Natal do Menino Imperador’ começa em 1834 e mostra o solitário herdeiro da coroa, então com nove anos, descobrindo os prazeres da infância -desconhecidos para ele, que desde os quatro era preparado para governar o país.


Tudo é visto em flashback, lembrado por dom Pedro 2º já velho (Sérgio Britto), deposto do trono e exilado na Europa, onde passa o último Natal de sua vida. No especial, o personagem repassa as melhores lembranças de sua infância.


‘Aquele foi o único Natal em que ele pôde brincar de verdade e esquecer que era o imperador. Naquele ano, ele quebrou todos os protocolos, levando o pessoal do circo para o palácio’, conta Guillermo Hundadze, 11, que interpreta dom Pedro 2º quando criança.


Embora não se trate de uma reconstituição histórica, o programa se apropria de fatos reais em sua dramaturgia. Por exemplo: a amizade do imperador com Rafael, um escravo mais velho com quem ele tinha intimidade. No especial, ele foi adaptado na figura de Dito (João Ramos), um escravo do palácio cuja idade coincide com a de dom Pedro 2º.


‘Quando o Dito encontra dom Pedro, não sabe que ele é o imperador e o trata como uma criança comum. Eles ficam amigos, e o Dito o ensina a ser criança’, conta Hundadze.


Cabe ao Marquês de Itanhaém (Guilherme Weber) zelar pela rígida rotina à qual o pequeno imperador era submetido, obrigando-o a comparecer a recepções e jantares e a ampliar os seus conhecimentos no terreno das artes e da ciência. Veio daí a formação do imperador, decisiva para os rumos da nação, segundo Fernanda Montenegro.


‘Eu gosto do Pedro 2º, acho que ele foi um homem importante no desenrolar da nossa vida pública. Era um homem culto, que sempre buscou tornar o Brasil um país moderno, contemporâneo.’


Aracy Balabanian, Luiz Carlos Vasconcelos e Reynaldo Gianecchini, que faz uma breve participação no papel de d. Pedro 1º, estão no elenco.


O NATAL DO MENINO IMPERADOR, Quando: hoje, às 22h15, Onde: na Globo, Classificação: não informada’


 


 


 


***


TVs dedicam séries infantis ao Natal


‘Como esperado, a TV concentra o melhor de sua programação desta semana na véspera e no dia de Natal e dedica parte dela ao público infantil.


Amanhã, a Cultura leva ao ar especiais de Natal de suas atrações ‘Vila Sésamo’ e ‘Cocoricó’. No primeiro (às 15h30, livre; reapresentação na quinta, às 9h e às 14h), os moradores da vila procuram os enfeites de suas árvores, mas Garibaldo e Bel só terão tempo para encontrar um deles. O dilema então é qual deles buscar.


Já em ‘Cocoricó Especial – A Grande Árvore de Natal’ (amanhã, às 16h30, reapresentação na quinta, às 10h30 e às 15h), Júlio e seu primo João são os responsáveis por montar a árvore de Natal, mas os seres estranhos Dito e Feito a comem, e uma nova árvore precisa ser encontrada.


Na quinta, o filme inédito ‘A História de Jack Frost’ (18h15; livre) retrata a história de um menino que nasceu com a pele gelada e foi encontrado por gnomos. O protagonista Jack, um menino mágico, terá que provar que usa sua magia para o bem, entre outros gnomos, nem tão bem intencionados.


Já o canal Futura, que exibe o ‘Sítio do Picapau Amarelo’ desde o início do mês, reprisa amanhã (às 8h; livre), episódio que se desenrola às vésperas do Natal, quando um anjo cai em cima de uma árvore, na propriedade de Dona Benta. Mas o anjo se esbalda em refeição na casa dela e, sem conseguir voar, sobra para Emília desempenhar sua tarefa: a de fazer um Natal melhor para as crianças.’


 


 


Joana Cunha


Na zona leste, lazer é música e TV, diz pesquisa


‘As empresas de entretenimento estão perdendo a chance de apostar nas periferias onde as opções de lazer são escassas e há uma multidão de jovens interessada em consumir.


Quem quiser investir neste mercado vai perceber que a concorrência é praticamente inexistente. Cinemas, bares e casas noturnas são raros nas regiões onde vive a população de baixa renda. Há, nessas áreas, uma demanda reprimida disposta a pagar, em alguns casos, mais de R$ 200 pelo ingresso de um show.


A opinião é de Frederico Moreira, professor da Fundação Getulio Vargas, que desenvolveu uma pesquisa com jovens de 18 a 24 anos residentes em Itaquera, no extremo leste de São Paulo. Moreira concluiu que o mercado de lazer para o público jovem de baixa renda tem potencial inexplorado e que eventos ligados à música têm mais chance de sucesso.


A principal forma de lazer dentro de casa para essa população é ouvir música, segundo 76% dos entrevistados. Para 58%, assistir à TV aberta também é uma das principais atividades para o tempo livre. A maioria, porém, diz que gostaria de ter mais lazer fora de casa. De acordo com a pesquisa, 78% destes jovens dizem que realizam pelo menos uma atividade fora de casa mensalmente, o que representa aproximadamente 20,5 mil pessoas só no distrito estudado.


Segundo a pesquisa DNA Paulistano/Datafolha, os moradores reclamam da falta de lazer no extremo leste, onde a maior parcela das famílias tem renda mensal de até dois salários mínimos e 27% dos moradores tem entre 16 e 24 anos. Moradores da região deram nota 3,3 para a oferta de áreas de lazer. A média paulistana foi 4.


Os jovens dizem ter conhecimento das opções de lazer da cidade, mas a freqüência com que têm acesso a elas é baixa. Entre os motivos que os limitam, a falta de dinheiro foi citada por 42%. Os locais mais freqüentados pelos jovens de Itaquera são os situados no distrito ou em bairros próximos.


A opção seria investir em locais mais próximos para evitar gastos com deslocamento, afirma Moreira. Segundo a pesquisa, a intenção de investimento no show preferido é de R$ 40 em média. Mas há uma pequena parcela, 6%, disposta a pagar de R$ 75 a R$ 100; e 4% pagariam mais de R$ 100, se o show fosse de seu cantor favorito.’


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O Estado de S. Paulo


Terça-feira, 23 de dezembro de 2008


 SAPATADA NO PRESIDENTE


O Estado de S. Paulo


Jornalista foi torturado para pedir perdão a Bush, diz irmão


‘AP E REUTERS – Uday al-Zaidi, irmão do jornalista iraquiano Muntazer al-Zaidi, que jogou um par de sapatos no presidente dos EUA, George W. Bush, na semana passada, disse ontem que a carta escrita pelo jornalista, na qual pede desculpas por ter insultado o presidente americano, foi escrita sob tortura.


De acordo com ele, Zaidi foi golpeado no rosto, próximo aos olhos, perdeu um dente e teve a orelha queimada com ponta de cigarro. ‘Ele me disse que não se arrepende do que fez e faria tudo novamente’, contou Uday.


‘O que me faz rir e chorar ao mesmo tempo é que, quando o primeiro-ministro disse que meu irmão não estava sendo e não seria torturado, ele estava apanhando das autoridades de segurança do país.’


Zaidi será julgado no dia 31. ‘Ele é acusado de agredir um chefe de Estado estrangeiro em visita ao Iraque’, disse o porta-voz da Justiça iraquiana, Satar Birqadr. ‘O caso não é complicado e espero que se chegue rapidamente a uma decisão.’’


 


 


 


TELEVISÃO


Patrícia Villalba


Um Weber vilanesco de presente de Natal


‘O ator Guilherme Weber passou um ano mostrando em larga escala, na televisão, o talento que o público fiel do bom teatro se acostumou a ver em montagens como A Vida É Cheia de Som e Fúria e Educação Sentimental do Vampiro. Ele encerra o ano profissional hoje, como o Marquês de Itanhaém da fábula O Natal do Menino Imperador, especial que a Globo exibe às 22 h (ou, como anunciado. ‘depois de A Favorita’).


Weber vive o personagem histórico carregado em tintas da vilania, como seria visto pelo menino que aos 9 anos se preparava para comandar o Império. Antes dele, o ator foi o incrível Benny da minissérie Queridos Amigos (que lhe rendeu o prêmio de melhor ator de TV na votação da APCA) e, entre os dois, viveu o dândi Arthur X da novela das 6 Ciranda de Pedra. São três personagens que, guardadas as sutilezas, têm em comum a performance.


Depois da maratona televisiva, Weber volta aos palcos de São Paulo para comemorar os 15 anos da Sutil Companhia de Teatro, que mantém em Curitiba com Felipe Hirsch e Érica Migon. Em 5 de fevereiro, eles trazem à cidade uma retrospectiva com as montagens de A Vida É Cheia de Som e Fúria, Avenida Dropsie e Não Sobre o Amor, para uma temporada de dois meses.


Quando você fez a novela Da Cor do Pecado, em 2004, já tinha uma estrada no teatro. Por que demorou tanto tempo para ir para a TV?


Eu sempre tive o foco principal no teatro. Comecei a fazer teatro amador em Curitiba e resolvi fundar uma companhia com o Felipe Hirsch, a Sutil Companhia de Teatro. Fiquei muito empenhado em fortalecê-la. Em 2003, percebi que ela estava estabelecida, e que era tempo de me dedicar a outras coisas. Em 2004, tirei um ano sabático. Fiz o Árido Movie (de Lírio Ferreira), depois o Nina (de Heitor Dália) e vim para o Rio gravar novela. Agora, consegui uma maturidade de logística para administrar três mídias.


Deve ser uma tentação ser chamado para a TV, que tem grande projeção, e não aceitar.


É mais imediato. E tem um mito também de que se você disser não para a TV não vai ser mais chamado. Mas tive o privilégio de vir para a televisão pelas mãos da Maria Adelaide, da Denise e do Silvio de Abreu, que até achavam louvável o meu gesto.


Em O Natal do Menino Imperador você é o Marquês de Itanhaém. É uma composição diferente dos seus outros personagens, todos ficcionais?


Ele também tem tintas fortes de composição. O programa é uma fábula, uma noite de Natal vista pelos olhos do Pedro II garoto. Por isso, os personagens se tornam um pouco arquétipos. Tem um pouco ali da luta da criança contra o mal e um olhar humanista sobre a infância. No especial, o marquês é visto como o mal, o vilão, porque era o cara que exigia rigor do menino, para prepará-lo para assumir o Império. Visualmente, o programa tem uma reconstrução de época muito fiel. Eu pintei o cabelo, uso uma barba falsa. Mas parou por aí, porque o único registro que temos dele é visual. E a (diretora) Denise Saraceni me pediu para fabular esse personagem, torná-lo bastante vilanesco.


Como é manter a Sutil Companhia de Teatro em pé?


É muito difícil. Não temos patrocínio fixo, por exemplo. Mas ela é peculiar, porque é uma companhia de criadores. É a maneira que a gente encontrou de se manter ativo. E de administrar criações, não egos.


Por que Curitiba?


Costumo dizer que Curitiba é uma doença sem cura. A necessidade de se manter em Curitiba é criativa, não logística – até porque não há nenhum apoio do governo ou de alguma fundação cultural ao nosso trabalho. Curitiba é a cidade que forneceu os nossos signos, a nossa primeira depuração de repertório. Ao mesmo tempo, conseguimos estabelecer uma relação muito forte com São Paulo, que sempre recebeu os exilados. São Paulo é a cidade que nos mostrou para o Brasil, quando montamos aqui A Vida É cheia de Som e de Fúria (1999). São Paulo sempre nos recebeu muito bem. Tanto é que vamos comemorar os nossos 15 anos no Teatro do Sesi, na Paulista. As minhas mais lindas memórias de teatro são daquele palco.


E como é reviver o Rob Fleming de A Vida É Cheia de Som e Fúria?


A minha abordagem desse personagem era muito mais performática. Fiquei mais maduro e, hoje, a performance está tão assimilada nesse personagem, que posso abordá-lo de maneira mais realista, mais humana. É também um espetáculo que fala sobre o amor, um assunto que abordamos em outros espetáculos da companhia. Então, essas novas pesquisas interferem na maneira de a gente olhar o amor nesse espetáculo.’


 


 


Etienne Jacintho


VOD é a nova sigla


‘A TVA lançará em janeiro o Video on Demand (VOD), usando a estrutura da rede de fibra ótica que a Telefônica está implantando em São Paulo, em cerca de 20 bairros como Jardins, Perdizes, Pinheiros, Morumbi, Moema e Vila Madalena. O VOD funciona como um pay-per-view, mas o assinante pode adquirir programas, via controle remoto, para assistir quando quiser.


A TVA tem parceria com os estúdios Paramount, Warner e Disney. Segundo a diretora-superintendente da TVA, Leila Loria, cerca de 500 vídeos estarão na loja virtual, entre filmes e séries. A má notícia é que apenas assinantes dos novos pacotes que a TVA e Telefônica vão lançar – com serviço de voz, internet de 30 Mbps (megabytes por segundo) TV digital em alta definição – terão acesso ao VOD. O preço deve ser de R$ 399 mensais.


A NET também anuncia para janeiro um tipo de VOD com sua internet de 20 ou 60 Mbps, pelo mesmo preço da TVA. A diferença é que a compra dos vídeos é feita pela internet, mas podem ser vistos na TV com o novo equipamento da operadora. Entre os parceiros da NET estão a Viacom, a Fox e a Globosat. As operadoras ainda não definiram preços para os vídeos.


Entre-linhas


Até o fim de março, a Record estréia três séries e um novo desenho. No pacote, comprado da Universal Studios, estão: CSI Nova York, Super Máquina (Knight-Rider) e Lipstick Jungle, além da animação animação X-Men e Volverine.


Íris Abravanel tem motivos para comemorar. Sua novela Revelação, do SBT, bateu recorde de audiência na última sexta-feira e alcançou dois dígitos, com 10 pontos de média no Ibope.


Ainda na sexta, o Som Brasil – Dorival Caymmi, na Globo, atingiu 10 pontos de média e ficou atrás do SBT e da Record, que empataram em primeiro lugar no Ibope, com 12 pontos de média de audiência por volta da meia-noite.


E o confronto entre Nikolay Valuev e Evander Holyfield, do Boxe Internacional, rendeu 7 pontos de média no ibope da Band.


Prestes a acertar nova missão na TV, Irene Ravache volta com a peça A Reserva, de Marta Góes, a partir do dia 9, agora pelo Teatro Sérgio Cardoso.


E Marcelo Médici faz o mesmo com a interminável Cada um com seus Pobrema, que volta ao cartaz no Frei Caneca, dia 13, às terças e quartas.


Quer saber o que aconteceu de pior nas séries brasileiras e americanas? O Blog na TV (http://blognatv.com) lançou o Troféu Abacaxi. São várias categorias, como pior corte de cabelo e até pior portador de Síndrome de Asperger!’


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