Segunda-feira, 19 de Novembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1013
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CADERNO DA CIDADANIA >

A vitória da internet

Por Luciano Martins Costa em 05/11/2008 na edição 510

Os jornais de quarta-feira (5/11) amanheceram com a aposta nas manchetes: o senador democrata Barack Obama venceu as eleições para presidente dos Estados Unidos e o seu partido recupera a maioria no Senado americano.


Os cadernos especiais foram sendo produzidos na terça, ao longo do dia, mas as redações só tiveram informações seguras das projeções eleitorais perto das duas horas da manhã de quarta.


Em outros tempos, os jornais teriam o cuidado de colocar uma eventual condicionante em seus títulos, mas com a internet se tornou possível em poucos minutos juntar as evidências que fundamentaram a decisão: Obama é o vencedor, ainda que a contagem dos votos não tivesse terminado no final da edição.


A eleição americana deste ano é provavelmente o marco inicial do século 21 no que se refere às comunicações. Um punhado de analistas destaca o papel da internet não apenas na campanha eleitoral, mas principalmente na cobertura da votação e nas projeções do resultado.


Ainda vão se passar alguns dias até que todos os votos sejam contados e sejam divulgados os números oficiais. O sistema eleitoral americano é uma mistura de vários sistemas, desde a velha cédula de papel até complicados aparelhos eletrônicos que dificultam a vida do eleitor.


Roteiro do futuro


Com a internet foi possível antecipar a vitória de Obama. Mas a internet não é apenas instrumento da cobertura eleitoral. Foi também o principal veículo de campanha – e seu uso inteligente talvez um dos segredos da vitória de Barack Obama.


Quando lançou sua candidatura, em fevereiro de 2007, o então desconhecido senador de Illinois, um autêntico afro-descendente de primeira geração, prometeu que mudaria o jeito de fazer política em Washington. Pouca gente o levou a sério e a imprensa praticamente o ignorou.


Mas ele havia empolgado algumas centenas de correligionários que se juntaram para ouvir suas propostas. Organizadamente, essas centenas se transformaram rapidamente em dois milhões de militantes empenhados em tornar realidade aquilo que parecia improvável: um presidente negro de origem pobre chegar à Casa Branca.


Os dois milhões de voluntários arregimentaram quatro milhões de novos eleitores e, juntos, eles arrecadaram os 700 milhões de dólares usados na campanha. Tudo pela internet, à revelia dos poderosos canais de televisão e da imprensa tradicional.


Essa história está nos jornais de quarta-feira (5). É a história de uma impossibilidade que se torna real pela movimentação de cidadãos através da internet. Também é o roteiro do futuro da imprensa: ela nunca mais será a mesma.

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