Domingo, 27 de Maio de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº988
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CADERNO DA CIDADANIA > GRAMPOS NO STF

A volta da arapongagem

Por Luciano Martins Costa em 01/09/2008 na edição 500

Os jornais de segunda-feira (1/9) reagem com doses desiguais de informação e cautela à revelação da revista Veja sobre a gravação de conversa entre o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Gilmar Mendes, e o senador Demóstenos Torres.


O Globo compra inteiramente a tese de que agentes oficiais são os responsáveis pela escuta clandestina, ao afirmar, na primeira página, que o presidente do STF foi ‘grampeado pela Agência Brasileira de Inteligência, numa associação criminosa com a Polícia Federal’. O jornal joga, assim, duas instituições inteiras no meio do escândalo, sem atentar para as sutilezas do caso e para outras possibilidades.


Os outros grandes jornais de circulação nacional são mais cautelosos. Mesmo noticiando a elevação da temperatura política, com representantes da oposição voltando a levantar a bandeira do impeachment do presidente da República, a Folha de S.Paulo e o Estado de S.Paulo não apostam na hipótese de que a bisbilhotice tenha origem oficial, no comando da Abin ou da Polícia Federal.


Especulação, por enquanto


O Estadão destaca que o crime pode ter sido cometido por agentes egressos do antigo Serviço Nacional de Informações (SNI), criado pelo regime militar. Segundo o jornal paulista, militares da reserva transferidos para o serviço secreto e que foram protagonistas de outra onda de arapongagem, há dez anos, costumam trabalhar de forma independente e não dar satisfação a ninguém. Eles poderiam estar por trás dos fatos, com a intenção de provocar uma crise institucional.


A Folha de S.Paulo cita a possibilidade de que os grampos também tenham sido produzidos por agentes privados. Sabe-se que pelo menos uma empresa de segurança, de origem estrangeira, tem sido contratada por empresários para atuar nos negócios, grampeando concorrentes e até candidatos a cargos importantes nas organizações.


O fato de a conversa entre o senador e o presidente do STF ter sido gravada apenas quinze dias depois da Operação Satiagraha coloca outra vez o banqueiro Daniel Dantas entre os suspeitos. Mesmo assim, tudo ainda é especulação, e o melhor que a imprensa pode fazer é divulgar todas as possibilidades. E não aceitar informação de origem duvidosa. 


 


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Todos os comentários

  1. Comentou em 01/09/2008 Miro Junior

    Parabéns ao Carlos N Mendes , Santos-SP – industriário. Salvo exceções, é tamanha primariedade dos comentários que lemos dos profissionais do jornalismo que estou começando a pensar que de tanto queimar neurônios puxando o saco dos poderosos estes acabaram se transformando em .

    Pergunta básica que não quer calar:

    A quem interessa a divulgação desta conversa de salão entre o Ministro que soltou Dantas duas vezes e um Senador da oposição?

    Sorte que na razão inversa que cai o nível dos nossos “jornalista” cresce o de consciência da sociedade. Pode em menos de 48 horas um jornal já estampar que a Oposição pede o impedimento de Lula?

  2. Comentou em 01/09/2008 Luciano Prado

    ‘…tudo ainda é especulação, e o melhor que a imprensa pode fazer é divulgar todas as possibilidades. E não aceitar informação de origem duvidosa.’
    Isso é o que se espera da imprensa e dos jornalistas.
    Há tempos não lia algo tão sensato, responsável, sereno.
    Mas o que se observa é a decretação sumária de culpa, uma senteça final com trânsito em julgado. E todos querendo separar a cabeça do diretor da Abin do seu corpo e demonstrá-la em praça pública.
    Há uma orquestração irresponsável em andamento.
    Faz muito bem à cidadania as ponderações do Luciano Martins.
    O lamentável é que a imprena brasileira perdeu ,há muito, a imparcialidade e rompeu de vez com a ética jornalística.
    Isso é inaceitável.

  3. Comentou em 01/09/2008 Alexandre Carlos Aguiar

    Concordo plenamente com você, Carlos Mendes e tenho dito à exaustão por aí. Lula tem (teve) nas mãos a oportunidade única que todo o político governante do mundo queria: a chance de pôr na cadeia, bem algemadinhos e apresentados na TV (por que é assim que bandido deve ser tratado), um balaio de siris corruptos, passando inclusive por aquele cara chamado Gilmar, que está presidente do Supremo. Não ia acabar com nenhuma instituição e daria um recado muito sério à bandidagem de toda a ordem. Mas ele, o presidente, tirou da reta e esses meliantes travestidos de banqueiros, senadores, jornalistas, advogados e juizes estão tripudiando sobre as instituições. O Brasil não vai se acabar por causa disso, mas tivermos uma boa chance de limpar o tapete, tanto em baixo como em cima, que acredito não irá se repetir.

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