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Sexta-feira, 17 de Agosto de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1000
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CADERNO DA CIDADANIA > COBERTURA ECONÔMICA

A imprensa e o desenvolvimento

Por Luciano Martins Costa em 27/05/2008 na edição 487

A questão do desenvolvimento continua sendo tratada pela imprensa brasileira como um tema apartado da política, dos negócios e da própria economia. Como se isso fosse possível ou recomendável. Um exemplo é a persistência do jornalismo de negócios em destacar o lucro como único fator de avaliação do desempenho das empresas. Ou a obsessão do jornalismo econômico pela evolução do PIB. É importante observar o crescimento do PIB, mas se não ocorrer concomitantemente à redução da pobreza e das diferenças de renda, esse fator não define desenvolvimento.

Um país que produz riqueza mas não a distribui de maneira mais equânime entre sua população não pode ser considerado um país desenvolvido. Também não se pode afirmar que um país alcançou o desenvolvimento se, nesse processo, destruiu de tal maneira seu patrimônio natural que coloca em risco o bem-estar das gerações futuras de sua população. Portanto, a questão do desenvolvimento não se resolve sem a solução das diferenças sociais e a preservação da diversidade biológica e da capacidade de seguir explorando racionalmente seus potenciais.

Nesse cenário, convém prestar atenção à notícia sobre uma nova promoção do Brasil ao grau de investimento, que se espera seja anunciada brevemente pela agência de classificação de risco Fitch. Quando a agência Standard and Poor´s divulgou, em 30 de abril, sua avaliação de risco da dívida externa brasileira, elevando o país do grau especulativo para grau de investimento, a imprensa em peso celebrou como um gol da seleção nacional em final de Copa do Mundo. Mas faltaram informações complementares que permitissem ao leitor cotizar a notícia com o que lê no dia-a-dia dos jornais.

Políticas e estratégias

A classificação de um país no grau de investimento não significa, necessariamente, que sua economia esteja livre de turbulências. As planilhas que fundamentam a decisão das agências de avaliação levam em conta essencialmente a capacidade do país – bem como de uma empresa – de honrar suas dívidas e cumprir contratos.

O grau especulativo aponta para a existência de oportunidades para os investidores, com risco significativo. O grau de investimento, no caso de um país em desenvolvimento, aponta para a existência de oportunidades com a redução dos riscos, ampliando o cenário para investimentos de prazo mais longo, uma vez que, teoricamente, há mais confiança na capacidade de honrar compromissos.

Para o dia-a-dia da economia, a promoção a grau de investimento também é importante porque alguns dos grandes investidores globais, como certos fundos, são impedidos de aplicar em alternativas de risco elevado e direcionam seus recursos para os países e empresas com grau de investimento. Da mesma forma, cresce a tendência de formação de fundos chamados ‘éticos’, que também levam em conta, entre os fatores de segurança e desempenho dos investimentos, o respeito ao meio ambiente e o potencial de influir positivamente na questão social. Esses capitais tendem a permanecer por prazo mais longo em seus destinos, o que proporciona mais segurança à economia do país e melhora suas perspectivas, facilitando o planejamento das políticas públicas e das estratégias de desenvolvimento.

Conceitos refinados

Ao celebrar a obtenção do grau de investimento pela agência Standard and Poor´s, a imprensa brasileira deixou de lado os outros fatores que complementam o quadro de um país em busca do desenvolvimento sustentável, de longo prazo, capaz de melhorar as condições de vida no presente e assegurar o bem-estar de seus futuros cidadãos.

A confirmação da promoção pela agência Fitch, esperada para breve por analistas do mercado, será mais uma oportunidade para a imprensa abordar o tema da sustentabilidade de maneira transversal, fazendo a necessária vinculação entre economia, negócios e política. Essa abordagem é importante para internalizar na sociedade e, principalmente, no ambiente de negócios, os conceitos que cada vez mais definem o que é desenvolvimento.

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Jornalista

Todos os comentários

  1. Comentou em 19/06/2008 Alexandre Weiss

    Viva os muitos brasileiros que morrem nas filas de hospitais com dengue, nos intermináveis congestionamento, das milhares pessoas que morrem vitimas da violência(nesse quisito ganhamos do Iraque), dos recordes de desmatamento (desenvolvimento segundo os alienados), e dos miseráveis que morrem vitímas da exclusão do sistema. Viva viva a liberdade de roubar e enriquecer as custas do próximo que é considerada pelos alienados como o valor máximo de nosso civilização. E está fraudulentamente epípedada de ‘democracia’. Viva a ‘liberdade’ da elite de ferrar com todo proletáriado, os lucros recordes dos banqueiros e da devastação ambiental que engorda a conta bancária dos predadores do agronegócio. Viva o subemprego, a exploração. Viva o paraíso dos banqueiros e dos especuladores. VIVA A ALIENAÇÃO e a todos alienados pelo sistema capitalista que batem palmas para tudo isso, igual nosso amigo abaixo que acompanha a ‘realidade’ pela telinha da televisão comemorando as mazelas, fruto desse sistema predatório que eles adoram. Pela anarquia e por um mundo livre de alienação e teses pequeno burguesas. SAUDAÇÕES LIBERTÁRIAS

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