Sábado, 16 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

CADERNO DA CIDADANIA > ‘OI’ NA TV

A pauta da reforma política

Por lgarcia em 13/11/2014 na edição 824

Editorial do Observatório da Imprensa na TV nº 758, exibido em 11/11/2014

Desta vez o dia seguinte, o day after, não chegou a durar 24 horas. Na manhã da segunda-feira (27/10), depois de proclamados os resultados e da promessa da presidente reeleita Dilma Rousseff de tocar a reforma política, fomos obrigados a assistir à cansativa reprise de um filme de horror que poderia ser intitulado “Onde morrem os sonhos”.

Hoje (11/11), apenas quinze dias depois, estamos enfiados no velho e sufocante pesadelo armado pela necessidade de tricotar alianças num elenco partidário com 32 protagonistas insaciáveis.

A presidente bem que tentou escapar das armadilhas ao buscar a antecipação do debate sobre a forma de realizar a reforma política. Mas a proposta de uma consulta popular não colou. Se ainda não sabemos o teor, formato e o escopo da reforma não faz sentido discutir como será viabilizada.

Por mais paradoxal e irônico que possa parecer, a única proposta consistente partiu de uma das mais antigas raposas políticas, o ex-presidente José Sarney, fragorosamente derrotado em seu terreiro eleitoral, a caminho da aposentadoria: num artigo publicado com grande visibilidade na Folha de S.Paulo, o senador Sarney faz um inesperado mea-culpa e ao mesmo tempo costura uma série de alterações em nosso sistema representativo enfeixadas num projeto chamado “parlamentarismo”. Nenhuma repercussão, nem mesmo dele.

Vamos ficar nisso?

Não podemos ficar nisso. A memória das jornadas de junho do ano passado certamente nos ajudará a sair do atoleiro. Neste segundo episódio da série “Todos Juntos” oferecemos alguns elementos para que você participe desta empreitada. (Alberto Dines)

 

A mídia na semana

>> Na TV Brasil, de segunda a sexta, às 11 da noite, já está no ar a primeira telenovela angolana, Windeck, autêntica superprodução já exibida com grande sucesso em Portugal no ano passado e também em Cabo Verde e Moçambique. Em Portugal o título foi Windeck, o preço da ambição e desenrola-se na redação de uma revista editada na capital do país, Luanda. A novela foi uma das quatro que disputou o Emmy do ano passado e só perdeu para uma produção da TV Globo. Os admiradores do gênero passam a ter na TV aberta uma alternativa aos cansativos enredos sobre famílias complicadas e amores ilícitos que se repetem intermináveis há meio século, quando começou o Direito de nascer.

>> No domingo, 9 de novembro, a memória e a história foram acionadas para lembrar diversas efemérides: a mais famosa celebrou os 25 anos da queda do Muro de Berlim, quando a Cortina de Ferro começou sua fulminante ruína e as duas Alemanhas separadas pelo ódio ideológico recuperaram a integridade. O fim da fraude do “socialismo real” significou também o início da era do pensamento único com a exaltação do papel do mercado em detrimento do Estado, da solidariedade e dos valores humanistas. No mesmo domingo o luto se fez presente ao lembrar os 76 anos da infame Noite dos Cristais, quando as milícias nazistas obedecendo às ordens pessoais de Hitler fizeram o primeiro ensaio do Holocausto: quebraram vitrinas e vitrais de sinagogas em toda a Alemanha. Cerca de 25 mil judeus foram presos e enviados para campos de concentração e 91 foram espancados até a morte nas ruas. Todos os dias são dias para lembrar.

>> Eliane Cantanhêde estava na Folha de S.Paulo desde 1997: foram 17 anos como repórter, diretora da sucursal de Brasília e comentarista de política da prestigiada Página Dois, isso sem contar um brilhante currículo anterior na Veja, Globo, Gazeta Mercantil e Jornal do Brasil. Colega de Cantanhêde com quem se revezava na mesma página, Fernando Rodrigues trabalhou na Folha durante 27 anos, sempre como repórter e comentarista. Premiado várias vezes, ele foi um dos fundadores da Abraji, Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo. Na quinta-feira (6/11), Cantanhêde e Rodrigues foram demitidos do quadro de funcionários da Folha. Corre que o extremado gesto decorreu de um corte de despesas na redação. O jornal só comunicou o fato no domingo (9), no finzinho de uma matéria sobre as novas atrações. Na mesma edição, os leitores do jornal já comentavam a inesperada degola. A coluna da ombudsman-ouvidora não foi publicada neste domingo. Sua opinião sobre o episódio é ansiosamente aguardada.

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