Sábado, 20 de Outubro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1009
Menu

CADERNO DA CIDADANIA >

A propaganda não é a alma da educação

Por Gabriel Perissé em 01/07/2008 na edição 492

Hoje, politicamente falando, o tema da educação cresceu em importância dentre as tradicionais questões em (eterno) debate, como a saúde pública, a violência, a inflação, o desemprego, a reforma agrária…

No horizonte próximo, as eleições municipais preparam a disputa de 2010. O que se fez, o que se faz no campo da educação, e o que se difunde sobre o passado e o futuro são lances determinantes neste jogo do poder.

A mídia divulga informes publicitários dos governos. Por exemplo, na Folha de S.Paulo (27/6), meia página para o governo paulista: ‘Um ensino cada vez melhor. Essa é nossa prioridade’. Os cinco parágrafos que se seguem tentam, de quebra, desmontar a atual e incômoda greve dos professores estaduais.

São palavras já influenciadas pelo marketing político: ‘nova proposta curricular’, ‘maus professores’, ‘transferências abusivas’, ‘premiar professores e funcionários’. Tudo parece ‘melhor’, noção que surge 10 vezes no texto na forma de verbo, advérbio, adjetivo e substantivo.

A estratégia inclui uma espécie de ‘ministério da educação’ paralelo. O governo José Serra criou o PQE (Programa de Qualidade da Escola), clone do PDE (Plano de Desenvolvimento da Educação) do governo federal. Criou também o Idesp (Índice de Desenvolvimento da Educação do Estado de São Paulo), clone do Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica).

Um tema que causa impacto

O MEC traz igualmente a público suas propostas, metas e resultados. Na revista Nova Escola de abril de 2008, para citar apenas uma entre outras iniciativas de divulgação, havia um caderno de 16 páginas no qual se destacavam idéias como a democratização do acesso ao ensino superior, o investimento na educação tecnológica e profissional, na alfabetização…

A propaganda não é a alma da educação, mas é nesse espaço que já teve início o corpo-a-corpo da campanha presidencial. Não é à toa que o governador José Serra, a secretária de Educação de São Paulo, Maria Helena Guimarães de Castro, e o ex-ministro da Educação Paulo Renato Souza têm afirmado que o ministro Fernando Haddad faz uso político das avaliações educacionais como o Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) e o Ideb. O medo, este sim, de origem política, é que os resultados dessas avaliações enfraqueçam o projeto ‘Serra presidente’ perante a opinião pública.

Paulo Renato está atento à questão. Sabe muito bem, como podemos ver em seu artigo no Estado de S.Paulo (22/6), que se existe tema capaz de causar verdadeiro impacto na vida dos brasileiros (leia-se, eleitores), esse tema é a educação.

******

Doutor em Educação pela USP e escritor; www.perisse.com.br

Todos os comentários

x

Indique a um amigo

Este é um espaço para você indicar conteúdo do site aos seus amigos.

O Campos com * são obrigatórios.

Seus dados

Dados do amigo (1)

Dados do amigo (2)

Mensagem