Quarta-feira, 22 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

CADERNO DA CIDADANIA > DIREITOS SOCIAIS

Acessibilidade urgente

Por Paulo Renato Coelho Netto em 15/03/2011 na edição 633

Um grupo em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, criou o blog Acessibilidade na Prática. Divulgam opiniões de profissionais, experiências e realizam visitas periódicas a estabelecimentos públicos da cidade, avaliando a acessibilidade de lanchonetes, restaurantes, bancos, cinemas e eventos culturais. Eles têm o objetivo de avaliar e divulgar as condições de acesso para pessoas com mobilidade reduzida, realizando críticas baseadas nas normas da legislação sobre rampas, banheiros, elevadores e outros.

O blog contém dezenas de fotografias de calçadas de Campo Grande que são praticamente impossíveis de se transitar até mesmo em plenas condições físicas. A cidade está repleta de calçadas dessa forma. Algumas com um agravante: tornaram-se estacionamento para carros, geralmente em frente a um estabelecimento comercial. No lugar onde deveria estar a calçada, muitas vezes caminhonetes e pick ups enormes ocupam o lugar daqueles que por direito precisam passar a pé. Cegos, idosos, cadeirantes e gestantes devem se resignar para vencer os carros na maioria dos estacionamentos/calçada de Campo Grande.

Quem aprovou? Quem fiscaliza? A calçada/estacionamento deve ser permitida por lei, caso contrário não existiria. Isso precisa ter um fim. Que algum vereador apresente em caráter de urgência um Projeto de Lei que proíba que estabelecimentos comerciais e bancos reservem para automóveis o que é de direito histórico do pedestre. Competência para aprovar lei rapidamente, a Câmara Municipal de Campo Grande já demonstrou que tem, ao autorizar de forma fulminante – e por unanimidade – modificações na Lei do Silêncio.

Uma proposta pertinente

As leis de acessibilidade vão mudar no Brasil, com a eleição da primeira deputada federal tetraplégica da história do país, Mara Gabrilli (PSDB-SP). Determinada e inteligente, ela chegou à Câmara dos Deputados exigindo uma série de adaptações no plenário projetado por Oscar Niemeyer. As mudanças permitem que a parlamentar, que não tem movimentos do pescoço para baixo, participe das votações e discurse. O primeiro projeto dela pretende alterar o Código de Trânsito Brasileiro para agravar a punição ao motorista que estaciona o veículo em vaga reservada a idoso ou deficiente físico e determina a fiscalização em estacionamentos de locais como shoppings e supermercados.

Ninguém está livre de se tornar um cadeirante. O ator americano Christopher Reeve, que interpretou o Super-homem, literalmente caiu do cavalo e ficou tetraplégico durante uma competição de hipismo. No imaginário hollywoodiano, Christopher Reeve era o ícone do ser humano indefectível. Acontece que na vida real ninguém tem superpoderes. Todo mundo é mortal e tem 208 ossos que podem quebrar.

O que a gente deve se atentar é até que ponto as necessidades econômicas são mais importantes que a solidariedade ao ser humano. Campo Grande está cheia de calçadas intransitáveis. A principal rua no centro, a 14 de Julho, é um exemplo de descaso pela qualidade que oferece aos pedestres. No centro ou nos bairros, o fato é que a grande maioria das calçadas campo-grandenses são verdadeiras armadilhas a céu aberto para portadores de necessidades especiais ou não. São esburacadas tanto quanto as ruas e avenidas. Muitas com raízes exposta de árvores, troncos e entulhos.

Entre no blog Acessibilidade na Prática. A proposta é pertinente e deveria ser copiada em outras cidades. Veja por si mesmo as condições das calçadas da capital de Mato Grosso do Sul. Vale a pena visitar, refletir e mudar de atitude.

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Jornalista e pós-graduado em marketing

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