Sexta-feira, 20 de Outubro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº962

CADERNO DA CIDADANIA > COLÔMBIA

Acusações de Uribe geram alarme

Por Comitê para a Proteção dos Jornalistas em 09/10/2007 na edição 454

O Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) está preocupado com os comentários feitos na terça-feira pelo presidente Álvaro Uribe Vélez, que poderiam colocar em risco de vida o jornalista colombiano Gonzalo Guillén.

Uribe chamou as estações nacionais de rádio Caracol e RCN para negar imputações recentes que o vinculavam com o falecido narcotraficante Pablo Escobar. As acusações foram feitas pela amante de Escobar, Virginia Vallejo, em seu novo livro Amando Pablo, odiando Escobar. Uribe declarou que Guillén, correspondente do jornal El Nuevo Herald, de Miami, havia colaborado com Vallejo na redação do livro, publicado em setembro.

Durante a entrevista, Uribe também acusou Guillén de ser ‘uma pessoa que persistentemente tenta me atingir, e quando não pode fazer isso neste país, ele o faz no exterior’.

Guillén afirmou ao CPJ que não teve nada a ver com o livro. Explicou que a única vez na qual se encontrou com Vallejo foi no ano passado, para entrevistá-la sobre a participação de Escobar no assassinato, em 1989, do candidato à Presidência Luis Carlos Galán.

Paramilitares e polícia local

‘Preocupa-nos que os comentários do presidente possam colocar em risco nosso colega Gonzalo Guillén’ declarou Joel Simon, diretor-executivo do CPJ. ‘Instamos o presidente Uribe a abster-se de fazer esse tipo de acusação.’

Guillén recebeu várias ameaças recentes. Suas reportagens abordam atividades paramilitares e supostos vínculos entre grupos armados ilegais e membros da administração de Uribe, entre outros temas. O programa de proteção para jornalistas do governo outorgou ao repórter, recentemente, um esquema de segurança e um veículo blindado como conseqüência das ameaças.

Em 25 de maio, uma mensagem eletrônica anônima foi enviada para o escritório do El Nuevo Herald em Miami, informando da existência de uma ordem para assassinar Guillén como parte de um plano organizado por um grupo paramilitar e membros da polícia local, a Metrobog. O jornalista contou ao CPJ que, quatro dias mais tarde, vários indivíduos em motocicletas marcadas com insígnias da Metrobog chegaram ao edifício no qual ele se encontrava e comentaram, em voz alta, que o local não tinha segurança. Guillén ligou imediatamente para a Metrobog, onde foi informado que nenhuma unidade havia sido despachada para o local.

Repórter seria outro

Guillén disse ao CPJ acreditar que os comentários de Uribe possam iniciar novos atos de intimidação contra ele. O jornalista sublinhou que enviaria uma carta ao escritório do presidente para pedir uma retificação pública das acusações efetuadas por Uribe.

Humberto Castelló, diretor de El Nuevo Herald, disse que os comentários de Uribe eram irresponsáveis. Em uma declaração publicada na edição de hoje (03/10), Castelló afirmou: ‘Lamento a ligeireza, a injustiça e a irresponsabilidade que cometeu, com esse comentário, a pessoa de mais alta investidura em um país onde se tem visto que os defensores armados do presidente – à margem da lei – não corrigem os jornalistas com cartas, mas sim com balas.’

Castelló destacou que Uribe nunca solicitou uma mínima correção sequer ou esclarecimento sobre os artigos de Guillén. Na edição de hoje, El Nuevo Herald ressaltou que um dos artigos citados por Uribe como difamatórios não foi escrito por Guillén, mas por outro repórter do jornal. [Nova York, 3 de outubro de 2007]

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O CPJ é uma organização independente, sem fins lucrativos, sediada em Nova York, e se dedica a defender a liberdade de imprensa em todo o mundo

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