Sábado, 15 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1017
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CADERNO DA CIDADANIA >

Adam Smith vs. Zeca Pagodinho

Por Meg Barros em 28/10/2008 na edição 509

Dia desses, ao ser questionado sobre a atual situação de crise econômico-financeira mundial, o presidente Lula respondeu a repórteres que não se pode tratar a economia como na música de Zeca Pagodinho Deixa a vida me levar… Nem precisa dizer que choveram críticas dos jornalistas à resposta do chefe do poder Executivo.

O que poucos entenderam é que a frase do presidente tinha a intenção de tornar seu pensamento o mais rapidamente assimilado por qualquer pessoa sem conhecimento teórico sobre economia. Ele pretendia alcançar a compreensão de todos, perfazer o caminho completo da comunicação: do emissor (ele próprio) ao receptor (povo).

Os que já passaram pelas cadeiras do curso de Economia Política esbarram na teoria de Adam Smith sobre liberalismo econômico. Para ele, a intervenção do Estado na economia deve ser a menor possível (Teoria do Estado Mínimo), pois acredita existir uma ordem natural capaz de reger as relações econômicas dos Estados (Teoria da Mão Invisível). Smith era defensor da máxima ‘laissez-faire, laissez-passer‘, em português ‘deixe estar, deixe passar’, no sentido da não-interferência do Estado na economia.

Com o povo e para o povo

Lula, ao responder ao jornalista que não se pode tratar a economia como na música de Zeca Pagodinho Deixa a vida me levar, estava criticando, mas de uma forma muito criativa, o liberalismo econômico defendido por Smith (laissez-faire, laissez-passer).

Que outra forma mais simples e compreensível para um presidente falar sobre economia para os brasileiros? Ele estabeleceu um nível completo de comunicação. E mais, o tom cômico da frase de comparação torna a mensagem facilmente lembrada.

Com essa declaração, ao contrário do que muitos jornalistas pensaram, Lula defendeu a ingerência do Estado na controle da atividade econômica, como forma de proteger interesses que considera fundamentais para a política econômica do seu governo.

É uma forma de comunicar das mais inteligíveis que eu já vi, e que muita gente não compreende. Daí o que tantos não entendem – a crescente aprovação do governo Lula, no fundo, tem uma explicação muito simples: cada vez mais, ele fala com o povo e para o povo.

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Bacharel em Direito, estudante de Jornalismo, Belém, PA

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