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Quinta-feira, 16 de Agosto de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1000
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CADERNO DA CIDADANIA > FIM DE SEMANA, 13 E 14/9

Agência Carta Maior

16/09/2008 na edição 503

CRISE
Agência Carta Maior

Membro da ONU critica cobertura do El País sobre a Bolívia, 15/9

‘Bartolomé Clavero, Membro do Foro Permanente das Nações Unidas para as Questões Indígenas, enviou uma carta à redação do jornal espanhol El País, criticando a linha editorial da cobertura sobre os recentes acontecimentos na Bolívia. Clavero denuncia a linha de desinformação praticada pelo jornal, acusando-o de cumplicidade com a política racista de prefeitos racistas da Bolívia. Além disso, lembra que o grupo Prisa, ao qual pertence o El País, controla os grandes meios de comunicação na Bolívia. Leia a íntegra da carta:

Estimados responsáveis do El País,

Cabe celebrar que, no segundo editorial de sábado, 13 de setembro, intitulado ‘O incêndio da Bolívia’, vocês por fim reconheceram o que até agora vinham omitindo, a saber, que o governo constitucional boliviano ‘melhorou seu apoio com um impressionante índice de 67% dos votos’ e que ‘as quatro províncias (rebeldes) fragilizam todas as normas constitucionais’. Suponho que conhecem os informes que correm pela internet sobre seu estranho comportamento desinformativo sobre a situação boliviana e decidiram retificar sua posição sobre esse par de fatos extremos essenciais.

Dito isso, cabe lamentar não só o modo pouco sincero da retificação, mas também o contexto do próprio editorial. Seguem apresentando como ‘rebeldes’ às quatros províncias em bloco, o que o próprio referendo demonstrou que é complemente errado. Se limitassem sua afirmação às capitais dos departamentos, haveria alguma consistência, pois as províncias mesmas dos departamentos ‘rebeldes’ (é secundário que confundam umas com os outros) votaram majoritariamente a favor do governo constitucional, o que debilitou sensivelmente a posição das prefeituras racistas, isto é, dos governos departamentais que só tiveram êxito nas cidades onde têm sua sede e não em seus departamentos.

Contra toda evidência, seu editorial também afirma que ‘os governadores rebeldes afiançaram sua posição’ com o referendo ‘em meio a uma extrema polarização’ que são eles que querem fomentar e vocês, aparentemente, alimentam.

A desinformação sobre a posição das prefeituras racistas não é o mais grave entre as inconsistências do editorial. Em suas primeiras frases se afirma que ‘os primeiros enfrentamentos com armas de fogo causaram pelo menos 10 mortes em Pando’. Vocês se referem a vítimas de emboscadas e assaltos praticados por esquadrões racistas. À parte a gravidade dessa utilização indigna dos mortos para seguir oferecendo uma imagem de divisão da Bolívia, sem distinção entre um governo constitucional com apoio democrático e uma agressão racista contra o mesmo, seguem, deste modo, acusando-se que não decidiram terminar com a linha de desinformação que é cúmplice da própria agressão.

Reconhecem parte do que vinham ocultando, mas não cessam em seu empenho de desinformação. Mostram-se cegos e alimentam a cegueira ante a mesma cronologia dos acontecimentos. A agressão aberta se produz, com o saldo mais grave, mas não único, de mortos, após o referendo que reforçou o governo constitucional e evidenciou as posições não só anti-constitucionais, mas fundamentalmente racistas. E não se trata de um assunto exclusivo de desinformação exterior, pois é preciso não esquecer do controle do grupo Prisa, ao qual pertence o El País, sobre os meios de comunicação na Bolívia.

Bartolomé Clavero, Membro do Foro Permanente das Nações Unidas para as Questões Indígenas.

Tradução: Marco Aurélio Weissheimer’

 

 

Altamiro Borges

Mídia acoberta terroristas da Bolívia, 14/9

‘‘Se precisar, vai ter sangue. É preciso conter o comunismo e derrubar o governo deste índio infeliz’.

Jorge Chávez, líder da oligarquia racista de Tarija.

‘Não vejo razão pela qual se deve permitir o Chile se tornar marxista pela irresponsabilidade de seu povo’. Henry Kissinger, secretário de Estado do EUA, poucos dias antes do golpe de 11 de setembro de 1973 que derrubou Salvador Allende.

É repugnante a cobertura que o grosso da mídia hegemônica tem dado aos trágicos confrontos na já sofrida Bolívia. Os serviçais da TV Globo tratam os chefões golpistas como ‘líderes cívicos’ e ‘dirigentes regionais’. Miriam Leitão, que esbanjou valentia ao sugerir que o governo brasileiro retirasse o nosso embaixador de La Paz e enviasse tropas às fronteiras quando da estatização do petróleo, agora é toda afável com a oligarquia racista deste país. Outros ‘colunistas’ bem pagos da mídia chegam a insinuar que a culpa pelos violentos conflitos, que já causaram oito mortes, é do presidente Evo Morales, ‘um radical e populista’ que instigou o separatismo regional.

A manipulação é grotesca até na terminologia. No caso das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), que há décadas enfrentam as oligarquias paramilitares e que foram excluídas violentamente da luta institucional no país, os guerrilheiros são estigmatizados como terroristas, narcotraficantes, bandidos. Já os bandos terroristas da Bolívia, organizados e armados pela elite racista que desrespeita o voto popular, são tratados como ‘comitês cívicos’ e ‘grupos rebeldes’. O embaixador estadunidense Philip Goldberg, que acaba de ser expulso da Bolívia por estimular abertamente a divisão do país, é apresentado pela mídia subserviente como ‘negociador’.

A triste lembrança do Chile

O que está em curso na Bolívia é um golpe fascista organizado pela oligarquia local e teleguiado pelos EUA. Seus métodos terroristas lembram o ocorrido no Chile, em setembro de 1973, noutro golpe sangrento orquestrado pelo ‘império do mal’. Visam desestabilizar e derrubar o governo democraticamente eleito de Evo Morales, confirmado em agosto num referendo. Poucos são os veículos midiáticos e os ‘colunistas’ que denunciam esta conspiração, talvez porque torçam pela derrota do que FHC chamou num paper ao governo Bush de ‘esquerdização da América Latina’. Como verdadeiro ‘partido da direita e do capital’, a mídia burguesa não tolera a democracia!

Uma das raras exceções foi o lúcido artigo de Clóvis Rossi, que há muito estava adormecido por seu rancor antiesquerda. ‘O que está em andamento na Bolívia é uma tentativa de golpe contra o presidente Evo Morales. Segue uma linha ideológica e táticas parecidas as que levaram ao golpe no Chile, em 1973, contra o governo de Salvador Allende, tão constitucional e legítimo quanto o de Evo Morales. Os bloqueios agora adotados nos Departamentos são uma cópia dos locautes de caminhoneiros que ajudaram a sitiar o governo Allende… Nem o governo nem a oposição no Brasil têm o direito ao silêncio’, escreveu, relembrando sua perspicácia e coragem do passado.

O criminoso Philip Goldberg

A conspiração golpista na Bolívia, acobertada pelo grosso da mídia nativa, exige rápida resposta das forças progressistas e democráticas do Brasil. Como afirmou Evo Morales, trata-se de ‘uma violência fascista com o objetivo de acabar com a democracia e dividir o país’. Sob o biombo da autonomia regional, governadores de cinco departamentos (estados) e abastados empresários têm financiado bandos terroristas que já assassinaram oito camponeses favoráveis ao governo eleito, saquearam prédios públicos, destruíram uma emissora estatal de televisão, sabotaram gasodutos, bloquearam rodovias e proibiram o próprio presidente de pousar em três aeroportos do país.

Segundo relatos de Marco Aurélio Weissheimer, da Carta Maior, na semana passada ‘grupos de jovens de setores da classe média branca, que não escondem seu sentimento racista em relação a Evo Morales, lideraram as manifestações. Capitaneados pela União Juvenil Cruzense (UJC), eles invadiram o prédio da empresa estatal de telecomunicação para ‘entregá-lo à administração do governo Rubén Costas’, de Santa Cruz. Na Televisión Boliviana/Canal 7, saquearam o escritório, destruíram computadores e fizeram uma fogueira na entrada do prédio’. Além de Santa Cruz, as ações terroristas ocorrem em outros quatro departamentos – Beni, Pando, Tarija e Chuquisaca.

Os EUA estão diretamente metidos no complô. O embaixador Philip Goldberg já foi fotografado em eventos da União Juvenil Cruzense (UJC), grupo terrorista de Santa Cruz que utiliza o slogan ‘terminemos com os ‘collas’ [indígenas], raça maldita’. A embaixada ianque até contratou vários destes bandidos. Goldberg é um fascista convicto. Como embaixador dos EUA na ex-Iugoslávia, ele orquestrou a crise no Kosovo e a sangrenta guerra civil separatista naquele país. Declarado persona non grata, ele finalmente foi expulso da Bolívia. ‘Não queremos aqui gente separatista, divisionista, que conspira contra a unidade do país’, justificou o presidente Evo Morales.

Intensificar a solidariedade internacionalista

O governo, mesmo aberto ao diálogo, não tem se submetido à pressão dos golpistas, que exigem a anulação da nova Constituição e do referendo que aprovou a manutenção do mandato de Evo Morales. Ocorrido em 10 de agosto, por demanda da própria oposição, o referendo confirmou a força do atual presidente. Evo foi ratificado em 95 das 112 províncias do país e, apesar do caos promovido pelos golpistas, teve mais votos do que na eleição presidencial – obteve 67,41% dos votos, bem acima dos 53,3% em 2005. Sua votação cresceu em oito dos nove departamentos e o referendo ainda revogou o mandato de dois governadores ligados às oligarquias racistas.

Desesperada, a elite investe no terrorismo e esbarra na resistência do governo e do povo. ‘Vamos agir com serenidade, mas também com firmeza’, diz Alfredo Rada, ministro da Defesa. Walker Sam Miguel, ministro do Interior, garante que ‘os fascistas não passarão’. O governo já decretou estado de sítio, ameaça deter os chefes terroristas e acionou tropas do exército nos departamentos para garantir o fornecimento de gás e a ordem pública. A derrota dos fascistas, porém, exige o apoio dos governos e dos movimentos sociais na América Latina. O que está em jogo é o avanço da democracia, é a derrota das oligarquias, do ‘império do mal’ e da mídia mentirosa.

Altamiro Borges é jornalista, membro do Comitê Central do PCdoB, editor da revista Debate Sindical e organizador do livro ‘Para entender e combater a Alca’ (Editora Anita Garibaldi, 2002).’

 

 

ELEIÇÕES
Observatório Brasileiro de Mídia

Marta Suplicy tem mais reportagens desfavoráveis do que Alckmin e Kassab, 10/9

‘De acordo com segundo relatório do Ibservatório, entre os dias 30 de agosto e 5 de setembro, a candidata petista tece o maior percentual de reportagens desfavoráveis desde o início das eleições. Marta Suplicy teve 40,8% de reportagens desfavoráveis, 32,6% de favoráveis e 20,4% de equilibradas. Já o prefeito Gilberto Kassab teve 52,3% de reportagens favoráveis, 9,1% de desfavoráveis e 34,1% de matérias equilibradas.

SÃO PAULO – O Observatório Brasileiro de Mídia lançou o segundo relatório de acompanhamento da cobertura da mídia impressa sobre as eleições municipais na capital paulista. O aumento do percentual de reportagens desfavoráveis para a candidata petista foi o fato novo em relação ao relatório da semana passada.

De acordo com o relatório, entre os dias 30/08 e 05/09 a petista teve o maior percentual de reportagens desfavoráveis desde o início das eleições. A discussão sobre a participação do governo federal na ampliação do metrô de São Paulo e a polarização com Gilberto Kassab foram noticiadas de maneira desfavorável à candidata petista. Marta Suplicy teve 40,8% de reportagens desfavoráveis, 32,6% de favoráveis e 20,4% de equilibradas.

A aproximação do governador José Serra da campanha do tucano Geraldo Alckmin e a divergência entre os institutos Datafolha e Ibope sobre a estabilidade ou continuidade de queda dos índices de intenção de voto no tucano contribuíram para a diminuição do percentual de reportagens desfavoráveis e aumento das reportagens favoráveis e equilibradas. Alckmin teve 37,8% de reportagens desfavoráveis; 35,6% de equilibradas e 24,4% de favoráveis.

A polarização com a prefeita e a confirmação das pesquisas Ibope e Datafolha que confirmaram o aumento dos índices de intenção de voto no prefeito e indicaram melhora da avaliação de sua gestão, impulsionaram que a candidatura do prefeito tivesse 52,3% de reportagens favoráveis, o segundo maior percentual da série iniciada no dia 06/07/08. Kassab teve 34,1% de reportagens equilibradas e 9,1% de desfavoráveis.

Os cinco veículos pesquisados dedicaram 176 reportagens que trataram das 6 candidaturas a prefeito. As três principais candidaturas tiveram juntas 138 reportagens ou 78,4% do total de reportagens que trataram como foco principal do texto uma ou mais candidaturas.

A candidata Marta Suplicy teve 49 reportagens que trataram de sua candidatura. Seguida pelo tucano Geraldo Alckmin que teve 45 reportagens. O candidato à reeleição Gilberto Kassab teve 44 reportagens ou 25% do total de reportagens que trataram da eleição do município de São Paulo.

As candidaturas de Paulo Maluf, Soninha e Ivan Valente continuam sendo noticiadas de forma marginal, basicamente quando há publicação de pesquisas de intenção de voto, matérias sobre a posição dos candidatos em relação a algum tema em especial.

Os principais assuntos que mobilizaram o noticiário dos candidatos foram:

1 – a divulgação das pesquisas eleitorais;

2 – a mobilização dos apoios do presidente Lula e do governador José Serra;

3 – o projeto de ampliação do metrô proposto pela candidata petista;

4 – aumento da polarização das candidaturas de Gilberto Kassab e Marta Suplicy.

O relatório analisa reportagens dos jornais Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo, Diário de S. Paulo, Agora São Paulo e Jornal da Tarde sobre a cobertura dos candidatos Marta Suplicy, Geraldo Alckmin, Gilberto Kassab, Paulo Maluf, Soninha Francine e Ivan Valente.

Maiores informações no site do Observatório Brasileiro de Mídia.’

 

 

 

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Clique nos links abaixo para acessar os textos do final de semana selecionados para a seção Entre Aspas.

Folha de S. Paulo – 1

Folha de S. Paulo – 2

O Estado de S. Paulo – 1

O Estado de S. Paulo – 2

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