Quinta-feira, 14 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

CADERNO DA CIDADANIA > MÉXICO

Agressores lançam granada contra estúdio de TV

Por Comitê para a Proteção dos Jornalistas em 13/01/2009 na edição 520

O ataque contra os estúdios da rede de televisão Televisa na cidade mexicana de Monterrey, na terça-feira (6/1), ressalta a importância da necessidade de uma lei federal que proteja a liberdade de expressão, declarou hoje o Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ). Uma lei que converteria os crimes contra jornalistas em delito federal está pendente, para debate, no Congresso mexicano.


Durante uma transmissão ao vivo, às 20h35 de terça-feira, pelo menos cinco pistoleiros em duas caminhonetes dispararam armas de grosso calibre e lançaram uma granada em frente aos estúdios da Televisa em Monterrey, no estado de Nuevo León, situado no norte do país, de acordo com informações divulgadas pela imprensa local e internacional. Segundo os informes, no momento do ataque os apresentadores pediram a ajuda da polícia enquanto estavam no ar.


O diretor de notícias da Televisa em Monterrey, Francisco Cobos, disse à imprensa local que os pistoleiros deixaram uma mensagem no pára-brisa de um dos carros que estavam no estacionamento da Televisa advertindo: ‘Parem de noticiar sobre nós. Transmitam também sobre narco-mandatários’, segundo os informes.


‘Os narcotraficantes estão claramente utilizando os meios de comunicação para difundir uma mensagem de medo e terror e deixar claro para todos que informar sobre suas atividades trará conseqüências’, declarou Carlos Lauría, coordenador sênior do programa das Américas do CPJ. ‘O governo não pode permitir que grupos criminosos silenciem os meios de comunicação.’


Dois repórteres desaparecidos


O ataque não deixou feridos, mas pelo menos seis carros e o portão da emissora ficaram danificados, informou Cobos. A polícia local, a polícia federal e o exército mexicano cercaram o edifício logo após o ataque e, segundo o jornal El Universal, foram deslocados efetivos do exército para outras duas emissoras de televisão de Monterrey, a Azteca 7 e o Canal 12 Multimedios. As autoridades federais estão investigando o incidente, de acordo com as matérias divulgadas pela imprensa local.


Um projeto de lei que modificaria o Código Penal, para que qualquer restrição ao direito de toda pessoa à liberdade de expressão se converta em delito federal, será debatido pelo Congresso no próximo mês. ‘Os mexicanos necessitam, com urgência, de um marco legal mais adequado, que proteja o direito humano básico à liberdade de expressão’, destacou Lauría. ‘Chegou o momento de o governo mexicano adotar medidas imediatas para garantir que a sociedade possa se expressar sem temor.’


Até recentemente, Monterrey era considerada uma das cidades mais seguras do México. Desde o início de 2007, entretanto, a violência se estendeu na medida em que os narcotraficantes – incluindo o braço armado do cartel do Golfo, os Zetas – lutam pelo controle de Monterrey e pela rota de tráfico até o Texas (EUA). Em maio de 2007, dois repórteres da rede de televisão TV Azteca desapareceram, segundo o Informe Especial do CPJ intitulado Los Desaparecidos, publicado em 2008.


O México é um dos países mais perigosos para a imprensa na América Latina, de acordo com as investigações do CPJ. Desde o ano de 2000, 24 repórteres foram assassinados, pelo menos oito deles em represália direta por seu trabalho. Também há registro de sete jornalistas desaparecidos desde 2005. [Nova York, 7 de janeiro de 2009]

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O CPJ é uma organização independente, sem fins lucrativos, sediada em Nova York, que se dedica a defender a liberdade de imprensa em todo o mundo

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