Domingo, 26 de Maio de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1038
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CADERNO DA CIDADANIA >

Ainda sobre os programas secretos

15/08/2006 na edição 394

Em sua coluna de domingo [13/8/06], o ombudsman do New York Times Byron Calame tratou mais uma vez do programa de rastreamento de registros telefônicos do governo Bush. Segundo ele, o artigo publicado no NYTimes em dezembro do ano passado que revelou o programa do serviço secreto americano gerou um intenso debate público. Conforme avalia Calame, a decisão de escrever sobre o programa, mesmo sob pressão da Casa Branca para não o fazer, mereceu ainda mais elogios do que ele havia dado na sua coluna de janeiro. Na época, sua coluna teve como tema a explicação inadequada do jornal sobre as razões de se ter atrasado a publicação do fato em um ano.

Timing

O artigo, escrito por James Risen e Eric Lichtblau, recebeu o prêmio Pulitzer e outras premiações. Mas comentários contraditórios feitos após a publicação por editores do NYTimes sobre a demora do artigo ser publicado deixou o ombudsman preocupado com uma questão chave: teria o NYTimes enganado os leitores ao declarar que qualquer decisão sobre o atraso na publicação teria ocorrido depois das eleições presidências de novembro de 2004? Em sua coluna de janeiro, na qual Calame recusou-se a publicar declarações de fontes anônimas, o ombudsman observou que ele ficou confuso com a questão do timing eleitoral. Agora, ele soube do editor-executivo Bill Keller que o NYTimes tomou a decisão de atrasar a publicação antes das eleições de 2004. ‘Esta revelação confirma o que fontes anônimas haviam dito a outras publicações como o Los Angeles Times e o The New York Observer, em dezembro do ano passado’, conta Calame.

Um grande número de leitores críticos à administração Bush ficou desconfiado que a decisão de adiar a revelação havia ocorrido antes das eleições. Eles alegam que se a revelação dos programas secretos tivesse sido feita antes das eleições, os resultados dos votos poderiam ser outros.

Calame havia ficado intrigado em relação ao tempo do adiamento do artigo informado por Keller, pois ele usava sempre a expressão ‘mais de um ano’. Quando o internauta Eric Sullivan afirmou em um chat online do jornal, em abril, que o artigo poderia ter mudado o resultado das eleições, o ombudsman decidiu avaliar mais uma vez o caso. Na época, Keller teria respondido a Sullivan que é difícil avaliar se a publicação teria influenciado as eleições se tivesse sido publicada antes.

Questão de justiça

O ombudsman voltou a conversar com Keller. ‘O clímax da discussão sobre se era certo publicar a revelação ocorreu na véspera das eleições’, revelou ele. Keller também afirmou que a decisão final de adiar a matéria foi dele, sem explicar com maiores detalhes os motivos que o levou a decidir pelo adiamento a fim de preservar a confidencialidade das fontes. No entanto, ele disse que as fontes pré-eleição não eram suficientemente de confiança para convencê-lo a publicar o artigo. Mas, em dezembro, outras pessoas apareceram e foi possível ter a certeza de que era certo divulgar o fato. ‘Eu concordo que candidatos afetados por um artigo precisam de tempo – alguns dias ou semanas – para responder a ele antes de os eleitores votarem’, opinou Keller. ‘Segurar a publicação da matéria na véspera das eleições foi uma questão de justiça’.

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