Segunda-feira, 25 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº959

CADERNO DA CIDADANIA > PERU

Ameaças obrigam jornalista a deixar o país

Por Comitê para a Proteção dos Jornalistas em 17/04/2006 na edição 377

Nova York, 13 de abril de 2006 – O Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) está alarmado com as ameaças de morte feitas contra a jornalista peruana Marilú Marilú Gambini Lostanau e sua família, depois que ela divulgou informações sobre a influência de traficantes de drogas na política peruana. As ameaças forçaram a jornalista e dois de seus filhos a fugirem do país na semana passada.

Uma mulher não identificada ligou para Marilú Gambini, diretora do programa semanal Confidencial no Canal 31 de televisão na cidade nordestina de Chimbote, e a preveniu para parar com seus comentários dentro de uma semana, contou a jornalista ao CPJ. Na ligação, em 28 de março, a mulher também ameaçou ferir seus filhos pequenos. No dia seguinte, uma mulher não identificada ameaçou a filha mais velha de Marilú Gambini e sua neta, em um mercado em Chimbote. A jornalista disse ter recebido, diariamente, ligações em seu celular contando os dias que ainda restavam de vida para ela.

Em 2 de abril, segundo Marilú Gambini, ela e sua família saíram de Chimbote e denunciaram as ameaças às autoridades de Lima. Em 5 de abril Marilú Gambini abandonou o Peru com seus dois filhos menores. A jornalista solicitou ao CPJ não divulgar seu atual paradeiro por razões de segurança. Marilú Gambini informou ter recebido a confirmação de que as ameaças estão sendo investigadas pelas autoridades peruanas.

Constantes ameaças

Marilú Gambini disse ao CPJ acreditar que as ameaças são fruto de seus constantes informes sobre as atividades políticas de narcotraficantes, incluindo recentes contribuições para campanhas eleitorais. Segundo a jornalista, políticos e membros do governo peruano estão sendo manipulados por membros do crime organizado.

‘Estamos horrorizados com estes repugnantes atos de intimidação contra Marilú Gambini e sua família’, destacou a Diretora-executiva do CPJ, Ann Cooper. ‘Instamos as autoridades a levar os responsáveis à justiça e proporcionar a proteção necessária para permitir que Marilú Gambini regresse ao Peru e continue seu trabalho’.

Marilú Gambini, que tem informado sobre o tráfico de drogas e de armas no norte do Peru durante os últimos 10 anos, disse ao CPJ que já foi ameaçada e agredida anteriormente. O Instituto Imprensa e Sociedade (Instituto Prensa y Sociedad) informou, em março de 2005, sobre dois desconhecidos que invadiram a casa de Marilú Gambini, a empurraram e roubaram documentos relacionados a uma investigação sobre o tráfico de drogas. Em maio do mesmo ano, desconhecidos entraram na residência de Marilú Gambini e roubaram vários vídeos. A jornalista acrescentou ter recebido, também, constantes ameaças por telefone.

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O CPJ é uma organização independente, sem fins lucrativos, sediada em Nova York, que se dedica a defender a liberdade de imprensa em todas as partes do mundo

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