Sábado, 22 de Setembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1005
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CADERNO DA CIDADANIA > OBSERVAÇÃO DO LEITOR

Apagão e omissão na internet

Por Rogério Lorenzoni em 08/07/2008 na edição 493

Em meio ao caos provocado pelo apagão no sistema Speedy, o Portal Terra simplesmente se omitiu e não divulgou nem uma linha na data de ontem (3/7). Enquanto os concorrentes UOL, iG e G1 davam a notícia, o Terra sequer a citava. Nem para usar o veículo, que é um dos mais acessados do Brasil, para divulgar uma nota oficial, ou apenas para dizer que havia problema e que seria solucionado em breve. Vergonhoso e extremamente parcial! Acho que esse fato deve ser divulgado para que os responsáveis façam uma reflexão e tratem o leitor com um pouco mais de respeito. Isso não vale só para o Terra, mas para a Record, Globo etc. – que em muitas ocasiões estiveram envolvidos em ‘fatos desagradáveis’ e fazem de conta que nós, leitores, somos alienados e imbecis.


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Na quinta-feira (3/7) eu estava participando de uma assembléia regional da Apeoesp (sindicato dos professores do estado de São Paulo) e vi estampados nas paredes da sub-sede de Santo Amaro diversos jornais, dentre eles Agora, Diário de S.Paulo, Folhão e Estadão. E a minha reação foi de choque, pois todos eles mostravam fotografias das manifestações (de 13/6, 20/6, 27/06) no Masp, nas avenidas Paulista e Consolação, e números desmentiam as imagens: os jornais diziam haver cerca de 5 mil a 8 mil manifestantes, mas as imagens eram conflitantes. Havia muito mais gente. Nas três últimas semanas foi difícil encontrar algum órgão de imprensa que mostrasse o fato de maneira equilibrada para a população se informar e fazer sua própria reflexão.


Partindo deste relato me coloquei na situação de exigir e cobrar deste Observatório, pois ele é o local mais apropriado para fazer tal reclamação e aprofundamento desta questão. Sei que falo de um lugar, pois sou professor insatisfeito com o governo e na greve, mas é preciso abrir o debate para podermos dialogar com a população pelos meios de comunicação, já que estes sempre defendem o livre e incansável confronto das idéias. Espero ter conseguido provocá-los de alguma maneira. (Joilson Silva, professor, São Paulo, SP)


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É de se lamentar a ausência de uma cobertura imparcial do movimento grevista dos professores da rede oficial do estado de São Paulo, pois é lastimável a tentativa de jornais, rádios e TVs de esconder a legítima greve dos professores. Estive presente às manifestações ocorridas em 13 e 20 de junho e é óbvio que ali estavam muito mais do que os cinco mil manifestantes divulgados pela imprensa. Além disso, nos telejornais, a manifestação serviu apenas para relatar o ‘caos’ causado ao trânsito durante o seu trajeto. Não foi divulgada uma única foto da manifestação que mostrasse o seu verdadeiro tamanho e, mais grave, não houve nenhuma discussão acerca das causas da manifestação ou sobre a situação da educação pública no estado de São Paulo. Vocês não poderiam verificar esse assunto e realizar uma reportagem, matéria ou pelo menos denunciar essa armação dos grandes veículos de comunicação? (Fernando Silva, estudante, Embu-Guaçu, SP)


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Sugiro como pauta fazerem um levantamento da atuação da grande mídia e o soluço inflacionário que estamos vivendo. Para mim, está claro que estão apostando todas as fichas neste ponto pra tentar baixar o nível de aprovação do governo Lula. É inadmissível ver o Jornal Nacional da Rede Globo dizer que esta é a primeira vez que existe uma ameaça de volta da inflação desde a criação do Plano Real, quando em 1996, e entre 1999 e 2002, tivemos índices muito superiores aos estimados para este ano, passando inclusive de 12% (IPCA). Estarão desinformados??? Sem falar na insistência cansativa de ver reportagens dia após dia batendo nesta tecla, quando a previsão é de ficar abaixo do teto de 6,5%. (Jorge Pla, geólogo, Florianópolis, SC)


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Algo me intriga há muito tempo. O papel da imprensa é o de apenas informar, ela não pode formar opiniões, apontar e brigar por situações de injustiças, descalabro, corrupção, invasão, depredação, abusos, roubos e impunidades em geral. A censura continua à solta ou não existe um senso comum, ou há outros interesses, e estamos num regime de medo e temores onde o melhor é não passar dos limites impostos. Cada dia se descobre uma nova situação escusa na política, nos governos, no setor público em geral. Ninguém é preso. Espera-se que cada um se acuse. Ninguém é punido e existe um pacto entre os políticos para salvaguardar a todos. Descobri que, se aqueles que têm os instrumentos na mão para tentar mudar este estado de coisas não o fazem, como poderia eu? A resposta que se ouve e é a mais evasiva e descompromissada é a de que devemos usar o poder do voto. Como se quem tem o poder e o dinheiro não conseguisse manter aquilo que lhe serve. (Rubens Souza Moraes, aposentado, São Bernardo do Campo, SP)


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Considero o site Observatório da Imprensa o melhor lugar para se discutir a imprensa e considero que seria importante analisarem o papel que programas como o SBT Realidade, de Ana Paula Padrão, têm no direcionamento do jornalismo e na dissimulação de informações. Estou assistindo ao programa sobre Cuba e é impressionante sua linguagem, sua maneira de mostrar Cuba só com criticas. Quem já visitou Cuba, mesmo como eu, que não é socialista ou comunista, percebe a ignorância da produção do programa ao mostrar Cuba como um lugar horrível, limitado e com pessoas submissas. Isenção no jornalismo com certeza não existe, e discutir problemas não é através de imposições de opiniões. Se o programa e a jornalista pretendem criticar Cuba, deveriam no mínimo realizar isto de maneira ética. (Daniela Carvalho, jornalista, Guarapari, ES)


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E o meu direito constitucional da livre expressão? Não sou candidato e nem filiado a partido político (e nunca fui!), mas porque escrevi um ‘reflexivo’ texto sobre os possíveis desdobramentos de uma coligação partidária em Araranguá, poderei ser condenado a pagar altíssima multa eleitoral por manifestar opinião de que, se a mesma for vencedora, poderá promover significativas mudanças no município em que vivo. Mudanças tanto positivas como a implantação de órgãos e obras transformadoras e inovadoras, como a UFSC, CEFET e o Sistema Ambiental de Esgoto no município, quanto negativas, como o delicado loteamento de cargos políticos. A minha manifestação em relação à atual administração foi motivada com o objetivo de fortalecer a continuidade das citadas obras que muito defendo em minha empreitada sócio-ambiental. Sendo que, por esta democrática e participativa atitude, poderei ser condenado a pagar uma milionária multa, variando entre 20 a 50 mil reais, caso a Justiça Eleitoral acate a gravíssima denúncia do MPE. O artigo foi publicado em uma coluna que assino em jornal local, do qual nada recebo, muito menos dos partidos que citei envolvidos na coligação. (Tadeu Santos, Araranguá, SC)


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Até onde pode ir a tão propalada ‘liberdade de expressão’ quando o veículo dessa liberdade é a imprensa, seja qual for o canal? Temos discutido liberdade de expressão no mesmo nível em que se discute a inconcebível censura ao que um indivíduo pode expressar, enquanto idéia ou conceito, a respeito da sociedade onde vive. Um veículo de comunicação não pode estar preso a uma idéia, ideologia, partido, conceitos etc. Um indivíduo tem essa liberdade. A mídia ultrapassa a responsabilidade individual para tornar-se denunciante da história presente, sem distorções, sem omissões e sem edições. Uma vez que se tornaram empresas representantes de interesses individuais ou corporativos, elas perdem esse caráter social da informação para tornar-se aparelho ideológico. Porém, nessas circunstâncias, a liberdade de expressão conferida à mídia e garantida pela Constituição deve ser vedada quando se tratar de veículo a serviço de grupos ou indivíduos.


O papel social da Comunicação deve permanecer intocável: informar com responsabilidade para formar opinião. Infelizmente, o que vemos não apenas no Brasil, mas no mundo inteiro, é a freqüente manipulação da informação como ato legal protegido pelo também distorcido jargão da liberdade de imprensa. Em nome dessa liberdade a opinião pública tornou-se escrava de uma só opinião. (Saulo Cavalcanti de Souza, jornalista)


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Abro o Pravda e vejo a notícia grande, com destaque, sobre o Premio Itamaraty para monografias sobre Graciliano Ramos (1892-1953), jornalista, contista, escritor, memorialista e um dos grandes nomes da literatura brasileira. A mídia brasileira nada publicou a respeito de concurso de tamanha envergadura. Basta ver os valores dos prêmios concedidos: 20 mil, 15 mil, 10 mil, 5 mil e 3 mil dólares para o primeiro, segundo, terceiro, quarto e quinto colocados. As inscrições ainda estão abertas e terminam em 30 de agosto próximo.


É um descaso da imprensa, de modo geral, não noticiar evento tão importante. Quem quiser saber notícias brasileiras com detalhes, é obrigado a ler o Pravda, fácil de ser encontrado online, bastando entrar no Google com a indicação ‘Pravda Ru’. As notícias são em português.


Os interessados podem procurar o site do Ministério das Relações Exteriores, e a participação é livre, não exigindo nacionalidade brasileira. Todas as informações sobre o concurso do autor de Memórias de Cárcere e Vidas Secas, suas obras mais conhecidas, podem ser encontradas no site mencionado. Para não se fazer injustiça, União de Escritores Brasileiros divulgou o concurso. Mas ela não faz parte da mídia; é uma entidade de classe. (Jorge Cortás Sader Filho, advogado e escritor, Niterói, RJ)


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O espaço concedido pela Folha de S.Paulo à notícia da morte da Sra. Dagmar Frias, e as conseqüentes mensagens de pêsames veiculadas em seu Painel do Leitor, excedem em muito o razoável, demonstrando mais uma vez como no Brasil se confunde permanentemente os espaços público e privado. (Alfredo Schechtman, médico, Brasília, DF)


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Caros senhores do Observatório da Imprensa, uma coisa que está acontecendo aqui em Porto Alegre em uma TV pública causa-me enorme indignação. Um jornalista de reputação e talento bem questionáveis está usando seu programa em benefício próprio. Ele já levou por volta de seis vezes um cirurgião plástico e outros, possivelmente da mesma equipe, para entrevistas num canal público e ninguém reclamou nem fez nada. No segundo programa ele apareceu com sinais, mais que evidentes, de quem sofreu uma intervenção cirúrgica corretiva! Isso pode acontecer? Nosso dinheiro arrecadado com impostos pode financiar esse tipo de coisa? Não é um escárnio com o contribuinte? Não configura crime de prevaricação? Para quem devo encaminhar está denúncia aqui em Porto Alegre? Ao Ministério Público? (Afonso Carvalho, empresário, Porto Alegre, RS)


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Enquanto a grande mídia ocupa metade do tempo televisivo e das páginas dos jornais com o assassinato da Isabela Nardoni, reconhecidamente um crime bárbaro, a perfuração genital da índia Xavante Jaya, menina, muda e cadeirante, quase não foi noticiada pelos veículos de comunicação. Jaya estava sob a custódia do Estado, em um dos escritórios da Funai. Quer dizer, sob a custódia do Estado, o que acarreta responsabilidade direta do Estado, por seus próprios agentes. Nenhuma tese sofisticada de Drittwirkung. Isso demonstra o desprezo dos meios de comunicação e da população em geral com uma menina multiplamente vulnerável. Se os jornais pouco noticiam esse crime bárbaro, significa que a população não se interessa; esse tipo de notícia não vende. O que vocês acham? (Paulo de Tarso Lugon Arantes, advogado e pesquisador, Leuven, Bélgica)

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Jornalista e repórter fotográfico, São Paulo, SP)

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