Quarta-feira, 12 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1017
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CADERNO DA CIDADANIA >

‘As crianças são mais críticas que imaginamos’

13/04/2004 na edição 272

À frente da Fundação de Televisão Infantil Australiana (Australian Children’s Television Foundation – ACTF), Jenny Buckland participará da 4ª CMMCA. Ela será moderadora da Sessão Plenária 2 do dia 20 de abril, cujo tema é ‘Produção globalizada, uma visão industrial’.

Com vasta experiência na área de distribuição, financiamento e marketing, Jenny vem lutando por mais espaços nas TVs comerciais para as produções infantis. Na Austrália, ela afirma que sofre pressões políticas e econômicas para alcançar seus objetivos: ‘A produção de uma televisão infantil de qualidade custa caro. Além disso, as emissoras – sejam elas estatais ou comerciais – estão enxugando orçamentos e, freqüentemente, são os programas infantis os mais afetados’.

Dificuldades que, na sua opinião, acabam desqualificando as produções infantis, diminuindo o interesse do mercado e, conseqüentemente, desestimulando novos lançamentos.

Em entrevista ao site da 4ª CMMCA, Jenny Buckland avisa: ‘As crianças são mais criticas que imaginamos. Elas gostam de assistir a todos os tipos de programas na TV. Elas querem programas voltados para elas, com conteúdo e qualidade’.

***

Como surgiu a ACTF?

Jenny Buckland — A ACTF foi criada em 1982, em resposta a falta de uma televisão infantil de qualidade na Austrália. Sua diretora fundadora, Patrícia Edgar, fazia parte de uma iniciativa comunitária que promoveu a regulamentação da TV infantil no país. Regulamentação que obrigou as TVs comerciais a apresentarem em sua programação um número mínimo de horas de programação infantil, exibindo novos lançamentos de dramas infantis australianos. A regulamentação entrou em vigor em 1979. No entanto, poucas TVs produziam novas produções infantis. Prevendo que a regulamentação fracassasse – caso não houvesse produções de qualidade para serem exibidas – Patrícia lutou pela formação de uma organização que encorajasse a produção e distribuição de séries infantis. Ela convenceu políticos de todos os segmentos e fundou a ACTF.

Para as crianças, o ato de assistir à TV envolve muito mais jogo, brincadeira, ação e movimento do que uma atitude tradicional de telespectador diante da telinha?

J.B. — Discordo. Acho que esta afirmação banaliza a televisão infantil. Com certeza, as crianças e os adolescentes adoram comédia e humor e gostam que suas histórias sejam ritmadas. Mas as crianças são mais criticas que imaginamos. Elas gostam de assistir a todos os tipos de programas na TV – histórias engraçadas, tristes, filmes de terror, histórias da vida real e fantasia. Na verdade, não se trata de entreter as crianças somente com ‘cor e movimento’. Elas querem programas voltados para elas, com conteúdo e qualidade.

Quais são as dificuldades que a ACTF enfrenta hoje para produzir uma mídia de qualidade para as novas gerações?

J.B. — As dificuldades são financeiras e políticas. A produção de uma televisão infantil de qualidade custa caro. Além disso, as emissoras – sejam elas estatais ou comerciais – estão enxugando orçamentos e, freqüentemente, são os programas infantis os mais afetados. Isso significa que o mercado de venda de novos programas infantis é muito competitivo e acirrado. Mesmo quando conseguimos emplacar a venda de algum, as taxas de licenciamento não crescem na mesma velocidade dos custos de produção. Os problemas políticos que temos se devem ao fato de que a indústria australiana, especialmente a indústria de televisão infantil, é sustentada por uma regulamentação que obriga as emissoras a levar a programação infantil ao ar. Cada vez mais, as emissoras afirmam que não devem ser submetidos a esta regulamentação. Se conseguirem derrubar esta regulamentação, com certeza o mercado de televisão infantil em nosso país diminuirá rapidamente. Além disso, enfrentamos outros obstáculos políticos. A indústria americana, por exemplo, vem pressionando bastante o nosso governo para abolir a nossa regulamentação. Com isso os EUA poderiam fazer acordos livres com as emissoras australianas. Será difícil manter a produção local no futuro se os países não forem permitidos de legislar sobre este tema.

Neste sentido, como você vê a relação entre o interesse do mercado e os interesses culturais, educativos e de entretenimento dos produtores?

J.B. — O conflito entre o comércio e os interesses culturais, educativos e de entretenimento é crítico para ser equilibrado. De uma perspectiva, não há conflito. Toda produção é um negócio e os princípios comerciais devem ser aplicados – precisa-se de um mercado e de dinheiro para se produzir algo. Uma vez que se consegue financiamento ou patrocínio, há de se preocupar com o que os investidores esperam e necessitam, com certeza um bom retorno ao seu investimento. Mas não podemos deixar as coisas somente à mercê dos negócios. Se fosse assim, o mundo todo assistiria aos mesmos programas. Na Austrália, procuramos apoiar produções locais por meio de subsídios empresariais. Há também agências governamentais de cinema e de televisão que investem em programas produzidos localmente com o objetivo de apoiar valores culturais. Desta forma, estamos tentando encontrar um equilíbrio entre os lados comercial e cultural.

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