Segunda-feira, 18 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

CADERNO DA CIDADANIA > OBSERVAÇÃO DO LEITOR

As discrepâncias da Justiça

Por Fernanda Raquel Alves em 28/08/2007 na edição 448

Escrevo a vocês para expressar minha indignação com o que considero um claro exemplo de como a nossa Justiça não é tão cega quanto deveria ser. Na sexta-feira (24/8), a pseudo-atriz Luana Piovani e o pseudo-qualquer coisa Dado Dolabella ganharam na Justiça uma ação contra o programa Pânico, da Rede TV!, por danos morais. Valores:250 mil reais para ela e 50 mil para ele (sim, os valores são esses). E o que foi feito de tão terrível para justificar tamanha indenização? Em fevereiro deste ano, Vesgo e Ceará estacionaram um carro de som, daqueles tipo ‘telegramas de amor’, em frente ao apartamento de Luana (onde isso fere a honra de alguém eu não sei; se alguém me explicar, agradeço).

Pois é: enquanto uma duplinha de ‘artistas’ mimados – que entraram para o mundo da fama sabendo bem o que teriam de enfrentar (e, vale lembrar, esses dois já expuseram detalhes de sua vida de maneira escandalosa em praticamente todos os órgãos de imprensa do país) – são indenizados em tempo recorde por nossa Justiça, milhares de trabalhadores que tiveram sua saúde prejudicada de maneira irreversível por empresas gananciosas e antiéticas se humilham há anos por uma indenização, que quando sai (se sai), não chega a um décimo dos valores citados. Isso para não falar das vítimas de erros médicos, dos prejudicados pelo assédio moral, daqueles que perderam tudo nas enchentes, daqueles que tiveram suas economias destruídas por milhares de planos econômicos fracassados, de funcionários prejudicados por empresas que faliram de maneira fraudulenta, dos familiares de vitímas de acidentes aéreos, das vitímas inocentes da violência. Todos essas pessoas, desprovidas de fama, beleza e fortuna, esperam que a Justiça tenha com eles ao menos um pouco da generosidade que teve com Luana e Dado. Todos eles esperam que a Justiça brasileira, um dia, volte a ser cega.

Não se trata de gostar do que o Pânico faz ou não. Trata-se de reconhecer, aos olhos da lei, quem é vitima (e Luana e Dado, de maneira alguma, o são; pelo contrário, são daquele tipo de artista que alimenta esse comportamento da imprensa para se autopromover) e quem não é.

PS: Os dois vão ficar com o dinheiro? Pois se ficarem, é bom os jornalistas se cuidarem, pois haverá uma corrida de oportunistas aos tribunais, arranjando qualquer tipo de desculpa para arrancar dinheiro dos profissionais da mídia.

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Gostaria que fosse debatido no Observatório as posições tendenciosas na imprensa como as do jornalista Paulo Henrique Amorim, que defende posições indefensáveis da situação em seu blog governista e acusa de golpista e a serviço da elite branca paulista qualquer setor da imprensa que critique o governo Lula. A TV Globo e a revista Veja são seus alvos preferidos. Como não há argumentos plausíveis para defender a baderna que virou nosso país, Paulo Henrique tenta desqualificar o órgão e o profissional que ousou criticar o governo Lula. Onde anda a ética na imprensa, se é que ela existe? Pode o jornalista colocar seus interesses pessoais e partidários acima da verdade? (Rubens Costa Bingre Jr., comerciário, São Bernardo do Campo, SP)

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Vivemos num país onde a corrupção, a prostituição infantil, a miséria, o narcotráfico, já fazem parte do panorama político-social brasileiro. Onde boa parte das instituições já perdeu a credibilidade e em alguns casos, até a idoneidade moral. O mais grave de tudo isso é que até a imprensa, que até então era imune a esses vírus que degradam a nossa sociedade, aos poucos vão seguindo a mesma ideologia. Até a imprensa esportiva está se deixando contaminar por todas essas mazelas.

Estou decepcionado coma imprensa esportiva do Pará. Foram capazes de aplaudir arbitragem de Tuna Luso e Sampaio Correia, onde impedimentos, pênaltis inexistentes, e cartões amarelos desnecessários foram usados para desestabilizar a equipe do Sampaio Correia, um flagrante desrespeito ao esporte, aos profissionais. Tenho certeza que o time da Tuna Luso, a despeito da ironia de seus dirigentes, está acima de tudo isso. Em quem acreditar amigos? (José Rossini Costa Machado, servidor público federal, São Luis, MA)

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Técnica em química, Jundiaí, SP

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