Terça-feira, 18 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1018
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CADERNO DA CIDADANIA >

As minorias étnicas no audiovisual francês

Por Leneide Duarte-Plon, de Paris em 18/11/2008 na edição 512

Quando o mundo inteiro festejava a eleição do primeiro presidente americano mestiço, os jornalistas e intelectuais franceses começaram a se interrogar sobre a visibilidade das minorias na França.

O resultado desse questionamento não é muito animador. Isso sem nem levar em conta a remotíssima hipótese de um presidente negro ou mestiço no país de Voltaire. Apenas uma olhada na mídia e no parlamento já daria para perceber o atraso da França em matéria de promoção da diversidade étnica.

Tanto na vida política quanto na mídia francesa, as minorias de origem árabe, asiática ou africana estão muito pouco representadas. Na Assembléia Legislativa francesa há apenas uma deputada de origem africana. Nenhum parlamentar de origem árabe ou asiática toma assento entre os 577 deputados franceses.

Na mídia audiovisual, essa representação também é muito menor do que o ideal. Quem garante é o Observatório da Diversidade na Mídia Audiovisual, criado no ano passado e ligado ao Conselho Superior do Audiovisual (CSA). Como álibi, os canais France 3 e TF1 têm respectivamente Audrey Pulvar e Harry Roselmack, dois belos e competentes apresentadores de origem africana.

Igualdade de oportunidades

Na quarta-feira (12/11), o Conselho Superior do Audiovisual divulgou um estudo que mostra que o que os franceses chamam pudicamente diversité, ou seja, a diversidade racial, ainda está timidamente representada no audiovisual, pois não reflete a diversidade da sociedade francesa.

Quem define a origem etno-racial das pessoas que aparecem na televisão francesa? A equipe do sociólogo Eric Macé, que dirigiu a pesquisa para o CSA, achou por bem deixar essa tarefa a cargo do próprio telespectador. Assim, as pessoas que aparecem na telinha foram definidas pelos telespectadores como brancas, negras, árabes ou asiáticas. Assim é, se lhe parece…

A partir da pesquisa, fica-se sabendo que 34% das pessoas que aparecem no audiovisual francês são vistas como não-brancas (25% vistas como negras e 9% como árabes). Essa proporção foi julgada ‘favorável’ pelo comitê do Observatório da Diversidade na Mídia Audiovisual, que divulgou o relatório. O último estudo neste sentido havia sido feito em 1999.

No país dos direitos humanos, onde falar de raça é uma heresia intolerável (não se sabe quantos árabes, negros ou judeus existem na França por causa do tabu de recensear a população por características étnicas ou mesmo origem religiosa), a luta contra discriminações no audiovisual está inscrita na lei sobre igualdade de oportunidades, adotada em 2006 no governo de Jacques Chirac.

Testes de DNA

No ano passado, a imprensa debateu durante várias semanas a validade de recensear a população através de classificações étnico-raciais, como queria o governo Sarkozy. A iniciativa foi denunciada como uma derivação perigosamente racista pela associação SOS Racisme, que publicou uma petição contra o recenseamento étnico, assinada por intelectuais e diversas personalidades [ver a íntegra abaixo, em francês].

Em 15 de novembro do ano passado, o Conselho Constitucional validou a lei do governo Sarkozy que introduzia testes de DNA no direito dos estrangeiros. Por outro lado, o mesmo Conselho anulou o artigo que autorizava as estatísticas étnicas.

Pétition contre les statistiques ethniques (SOS racisme)

En adoptant la loi relative à l´immigration, l´intégration, l´asile, le parlement a modifié la loi Informatique et Liberté en autorisant la collecte de ‘statistiques ethniques’ dans le cadre d´’études sur la mesure de la diversité des origines des personnes, de la discrimination et de l´intégration’. Dès 2008, une grande enquête publique prévoit de demander à 24.000 personnes de répondre à des questions comme ‘De quelle couleur de peau vous diriez-vous?’ ou ‘Avez-vous une religion? Si oui, laquelle?’ etc.

Il est urgent de se mobiliser devant ce renoncement aux principes fondateurs de notre République. Aujourd´hui, un appel est lancé:

Je refuse les ‘statistiques ethniques’…

Je refuse que quiconque me réclame ma couleur de peau, mon origine ou ma religion… Ni l´Etat, ni mon chef d´entreprise, ni un institut de sondage. Je refuse que l´on puisse faire de même avec mon conjoint, mes enfants ou mes parents… Mon identité ne se réduit pas à des critères d´un autre temps… Celui de la France coloniale ou d’avant août 44.

Je m´oppose à un Etat qui réhabilite une nomenclature raciale en se fondant sur la couleur de peau ou établisse un référentiel ethnico-religieux sur la base d´origines ou d´appartenances confessionnelles réelles ou supposées en totale contradiction avec les libertés et droits fondamentaux de la personne.

Prétendre que l´action en faveur de l´intégration et l´égalité de traitement reposent sur l´établissement de ‘statistiques ethniques’ est une manipulation intellectuelle et politique. On ne combat pas les phénomènes discriminatoires à l´aide de marqueurs identitaires. Les organisations qui se donnent pour objet de lutter contre les discriminations sont d´ailleurs massivement hostiles aux ‘statistiques ethniques’! Ne faudrait-il pas commencer par publier les décrets d’application du CV anonyme et ouvrir les 5,2 millions d´emplois non régaliens actuellement fermés aux étrangers non européens?

La nécessaire connaissance de la réalité des discriminations doit passer par d´autres moyens comme, par exemple, les testings qui doivent se pratiquer à grande échelle comme le fait le BIT… Le regard doit d´abord se poser sur les auteurs de discrimination. S´opposer à un délit a toujours nécessité d´étudier l´attitude du délinquant, pas celle des victimes potentielles.

Autoriser de telles les ‘statistiques ethniques’ conduit à renforcer une vision ethnicisante du monde et offre une prétendue caution scientifique aux stéréotypes racistes qui continuent malheureusement de travailler de l´intérieur la société française. Après les tests ADN qui organisent un ‘tri’ parmi les immigrés, la dimension raciale et/ou ethnique ne doit pas servir à diagnostiquer les Français.

Je refuse que l´on m´enferme dans une catégorie ethno-raciale pour finalement, à l´aide de cette dangereuse grille d´interprétation, définir mes droits et juger mes comportements…

Je souhaite que l´on cherche à diagnostiquer réellement les pratiques discriminantes afin de contraindre les auteurs à y mettre un terme sans délai et obtenir des condamnations dissuasives par la voie civile ou pénale.

Au fond, je refuse de renier les principes fondateurs de notre République!

******

Jornalista

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