Segunda-feira, 18 de Junho de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº991
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CADERNO DA CIDADANIA > TERRA DE ESPIÕES

Até onde vai a bisbilhotice

Por Luciano Martins Costa em 11/08/2008 na edição 497

Os jornais dedicaram bastante espaço nos últimos dias – e as revistas de fim de semana deram destaque – às denúncias de que policiais fora de controle estariam exagerando no uso das escutas clandestinas de telefones e no monitoramento da correspondência eletrônica.


A revista Veja apresenta na capa, como material exclusivo, a reportagem intitulada ‘Espiões fora de controle’, na qual se afirma que o Supremo Tribunal Federal e a ante-sala do presidente da República foram alvos de espionagem. A revista Época também trata do assunto, sob o título ‘Cuidado, você pode estar grampeado’.


Praticamente todas as reportagens se concentraram na ação da Polícia Federal, ainda como repercussão da Operação Satiagraha, que levou à prisão do banqueiro Daniel Dantas, do especulador Naji Nahas e do ex-prefeito Celso Pitta. Mas a imprensa passou muito longe da verdadeira dimensão do problema.


A questão da espionagem, que, segundo a revista Época, está transformando o Brasil num ‘Big Brother eletrônico’, não se limita a possíveis abusos de autoridades policiais. Segundo a imprensa, em 2007 foram autorizadas pela Justiça mais de 400 mil escutas telefônicas, mas calcula-se que pelo menos 4 milhões de brasileiros já foram grampeados.


O que a imprensa não diz, nem chegou perto, é que a prática já se tornou corriqueira em muitas empresas, como instrumento de concorrência e até mesmo na coleta de informações para a avaliação de candidatos a empregos.


Beneficiários. Ou vítimas


O caso envolvendo a multinacional de investigação corporativa Kroll, acusada de espionar ilegalmente diretores da Brasil Telecom e Telecom Itália a mando do banqueiro Daniel Dantas, é parte de uma rotina com muitos protagonistas importantes.


Uma conhecida empresa israelense de segurança estabelecida no Brasil oferece serviços de espionagem até mesmo para os departamentos de recursos humanos de seus clientes, investigando a vida de candidatos a cargos de gerente e de executivos.


As reportagens de Veja e Época passaram tão longe do problema que não se deram conta de que até mesmo alguns de seus jornalistas podem ser beneficiários ou vítimas do esquema nacional de bisbilhotagem.

Todos os comentários

  1. Comentou em 12/08/2008 EDERSON DOMINGOS

    Ao observarmos as notícias que vinculam na imprensa não sabemos ao certo o que realmente acontece por tras da notícia, pois porque em todos os debates não é apresentado e discutido como são feitas as interceptações, exite a interceptação telefonica legal, que se da atravéz de um link que a operadora desvia para o centro de dados dos órgão públicos e também existem alguns sistemas passivos utilizados para interceptação de celulares, este sistema pode capturar dados e interceptar convesas de qualquer aparelho que esteja próximo a ele, hoje pode haver alguns aparelhos deste tipo não só a disposição de órgãos públicos mas também a disposição de quem pagar pelo serviço e grande parte dos clientes podem ser os próprios políticos interessados em espionar seus adversários, dentre outros possíveis clientes, com relação a escuta ambiental que pode ter sido instalada no gabinete do supremo o que chama a atenção é que mesmo utilizando equipamentos de alto desempenho não foi encontrado nenhum dispositivo de transmissão, apenas uma frequencia, sabendo que em 99% das escutas ambientais são realizadas por equipamento que tem de ser introduzido no local que se deseja monitorar fica difícil entender o porque de não terem encontrado nenhuma prova do monitoramento do local e mesmo que tivesse sido utilizado outro tipo de dispositivo ainda seria possível chegar a indícios mais concretos.

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