Domingo, 17 de Novembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1063
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CADERNO DA CIDADANIA >

Atentado contra jornalista que cobria corrupção

Por Comitê para a Proteção dos Jornalistas em 14/08/2007 na edição 446

Na manhã de domingo (5/8), um indivíduo não identificado atirou contra o jornalista mexicano Alberto Fernández Portilla quando este chegava a sua casa, em Salina Cruz, cidade portuária do estado de Oaxaca, no sul do país. O Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) instou as autoridades mexicanas a investigar o ataque.

Segundo Fernández, o ataque ocorreu por volta de 1h50 da madrugada, quando retornava sozinho de um jantar com amigos em um restaurante local. Ao chegar a sua casa, um homem não identificado se aproximou e disse: ‘Não se meta com nosso líder.’ O indivíduo disparou cinco vezes contra Fernández com uma pistola 9 mm., ferindo-o ma coxa, braço e dorso. Fernández continuava internado no hospital.

‘Instamos as autoridades estaduais e federais a realizarem uma investigação exaustiva e rápida sobre o ataque contra Fernández’ declarou Joel Simon, diretor-executivo do CPJ. ‘Todos os responsáveis devem ser encontrados e processados.’

Fernández é diretor de notícias da estação de rádio XEKZ de Tehuantepec, um povoado próximo a Salina Cruz. O jornalista também é diretor do jornal El Semanário, de Salina Cruz, e colunista político dos jornais El Sol del Istmo, de Salina Cruz, e El Sur, de Juchitán. Salina Cruz está situada a 299 quilômetros da cidade de Oaxaca, capital do estado.

Nos últimos meses, Fernández vinha trabalhando extensamente sobre casos de corrupção que envolviam o monopólio público de gás e petróleo da empresa Petróleos Mexicanos (Pemex) e seu sindicato local em Oaxaca. No fim de julho, um repórter de El Semanario recebeu uma ameaça por telefone feita por um indivíduo não identificado, que o advertiu que ‘estavam perdidos’ se continuassem informando sobre casos de corrupção ligados à Pemex, disse Fernández ao CPJ.

No poder, há mais de 70 anos

María del Carmen Chiñas, subprocuradora regional de justiça em Oaxaca, afirmou a repórteres locais que as autoridades estavam seguindo várias linhas de investigação.

No domingo ocorreram as eleições para deputados locais no estado de Oaxaca. São as primeiras eleições desde o conflito ocorrido no ano passado, quando manifestantes de esquerda protestaram contra o governador Ulises Ruiz Ortiz, a quem acusavam de manipular as eleições de 2004. Durante vários meses, em 2006, manifestantes que, em sua maioria, pertenciam ao grupo Assembléia Popular do Povo de Oaxaca (APPO) tomaram as ruas da capital e pediram a renúncia de Ruiz. Foram registrados confrontos freqüentes entre manifestantes e homens armados, a maioria identificada como sendo policiais municipais à paisana. Vários jornalistas que cobriam os distúrbios foram acossados por manifestantes e por indivíduos armados, segundo as investigações do CPJ.

Em 27 de outubro, Bradley Roland Will, cinegrafista independente de Illinois (EUA) e repórter do site de notícias Indymedia, sediado em Nova York, foi assassinado durante um conflito de rua entre manifestantes anti-governamentais e homens à paisana, identificados por testemunhas como funcionários do governo de Ruiz. O assassinato de Will ainda não foi solucionado.

Os protestos de rua contra o governo diminuíram este ano, ainda que a tensão se mantenha elevada. Ao se aproximarem as eleições de 5 de agosto, manifestantes instaram os eleitores a não apoiarem candidatos do Partido Institucional Revolucionário (PRI), ao qual pertence Ruiz. O PRI tem se mantido no poder em Oaxaca há mais de 70 anos. O mandato de Ruiz termina em 2010. [Nova York, 6 de agosto de 2007]

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O CPJ é uma organização independente, sem fins lucrativos, sediada em Nova York, que se dedica a defender a liberdade de imprensa em todo o mundo

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