Quarta-feira, 22 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

CADERNO DA CIDADANIA > VIOLÊNCIA E IMPUNIDADE

Aumentam assassinatos de jornalistas

Por Comitê de Proteção dos Jornalistas em 13/02/2007 na edição 420

Um número crescente de jornalistas foi morto ou preso por seu trabalho em 2006, informa o Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) em sua nova análise sobre as condições da imprensa no mundo, Ataques à Imprensa. O assassinato de jornalistas, do Iraque à Rússia, o aumento de autocratas popularmente eleitos na América Latina e o desgaste da condição tradicional de correspondentes de guerra como observadores neutros constituíram ameaças contra a liberdade de imprensa em 2006.

Investigado e escrito pela equipe do Comitê para a Proteção dos Jornalistas, Ataques à Imprensa também detalha um ano recorde de violência no Iraque, onde 32 jornalistas morreram enquanto faziam seu trabalho, convertendo 2006 no ano mais letal em um único país já documentado pelo CPJ. Desde sua fundação, em 1981, o CPJ publica Ataques à Imprensa anualmente.

De acordo com o aspecto global do trabalho do CPJ, Ataques à Imprensa será apresentado internacionalmente em coletivas de imprensa no Cairo, em Hong Kong, em Paris e em Washington. O informe anual do CPJ documenta centenas de casos de repressão aos meios de comunicação em dezenas de países. O relatório inclui a documentação de assassinatos, ataques, detenções, censura e perseguição judicial. Com um prólogo do jornalista da CNN Anderson Cooper, apresentador do programa de notícias Anderson Cooper 360º, Ataques à Imprensa destaca informes e análises detalhadas sobre as tendências mundiais.

Ataques à Imprensa pode ser lido aqui, em inglês..

Condições da imprensa no mundo

Alguns pontos de destaque:

** O CPJ apurou que, em 2006, 55 jornalistas morreram no mundo em represália direta por seu trabalho. O CPJ continua investigando as mortes de outros 27 jornalistas para determinar se suas mortes estão diretamente relacionadas a seu trabalho profissional. As cifras refletem um aumento em relação a 2005, quando 47 jornalistas foram mortos em conseqüência direta por seu trabalho.

** No Iraque, 30 dos 32 jornalistas assassinados eram iraquianos, seguindo uma tendência de dois anos segundo a qual os jornalistas locais formam o maior segmento entre as vítimas. Paul Douglas, cinegrafista da rede CBS, e o técnico de som James Brolan, sediados em Londres, foram os únicos jornalistas estrangeiros mortos no Iraque em 2006. Entre as vítimas iraquianas, destacou-se Bahjat, correspondente do canal de televisão via satélite Al-Arabiya e ex-repórter da Al-Jazira. O CPJ homenageou Bahjat postumamente, em novembro, com seu Prêmio Internacional da Liberdade de Imprensa.

** O número de jornalistas encarcerados por seu trabalho aumentou pelo segundo ano consecutivo, chegando a 134 – nove a mais do que em 2005. Segundo a análise do CPJ, um em cada três jornalistas atualmente presos é um blogueiro, um editor ou um repórter de internet, convertendo os profissionais desta área na categoria de jornalistas aprisionados que está crescendo com maior rapidez.

** Na China, o CPJ documentou a maior ofensiva do governo, desde o incidente na Praça de Tiananmen (Praça da Paz Celestial), que está calando a cobertura de distúrbios civis e degradação ambiental. A China, com 31 jornalistas encarcerados, foi pelo oitavo ano consecutivo o país com o maior número de jornalistas na prisão.

** Pontos de destaque da investigação do CPJ durante o ano incluem um informe sobre os dez países mais censurados, com Coréia do Norte, Belarus e Turcomenistão na dianteira, e um informe especial que mostra que o assassinato é a principal causa das mortes de jornalistas.

** As análises da equipe do CPJ sublinham a indiferença governamental para resolver os assassinatos de jornalistas em países da antiga União Soviética e o fracasso da União Africana em se manifestar contra os abusos cometidos contra a liberdade de imprensa. No Paquistão e no Afeganistão, ambos frentes na guerra contra o terrorismo, os repórteres sofrem enquanto a segurança se deteriora. Finalmente, em vários países latino-americanos, os governos de esquerda estão impondo novos freios à imprensa.

** Na África Sub-saariana, o encarceramento de jornalistas está aumentando, com 46 na prisão – 13 a mais que em 2005. Na Etiópia e na Eritréia, mais de 40 jornalistas foram presos sob falsas acusações.

Apesar destes ataques à imprensa, o CPJ documentou vários avanços. Na Tailândia, a ativista de mídia Supinya Klangnarong e outros quatro jornalistas do jornal Thai Post foram absolvidos das acusações de difamação apresentadas pelo gigante das telecomunicações Shien Corp. A Corte Suprema da Indonésia invalidou a condenação por calúnia contra o editor de Tempo, Bambang Harymurti. Na Cidade do México, a Assembléia Legislativa do Distrito Federal aprovou duas medidas para descriminalizar a difamação e a calúnia, e para permitir aos jornalistas que protejam a identidade de suas fontes confidenciais.

Nas Filipinas, condenações no caso de um jornalista assassinado deram prosseguimento à construção de uma tendência positiva. Em outubro, três pessoas foram condenadas e sentenciadas pelo assassinato da repórter investigativa Marlene García-Esperat. As Filipinas continuam sendo um dos países mais perigosos para os jornalistas, mas as autoridades se comprometeram a enfrentar a freqüente impunidade existente nos casos de jornalistas assassinados.

Com a introdução feita por Joel Simon, diretor-executivo do CPJ, Ataques à Imprensa é reconhecido como uma fonte fidedigna de informação sobre as condições da imprensa no mundo. Ataques à Imprensa pode ser adquirido através da Brrokings Institurion Press. [Nova York, 5 de fevereiro de 2007]

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O CPJ é uma organização independente, sem fins lucrativos, sediada em Nova York, que se dedica a defender a liberdade de imprensa em todo o mundo

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