Sábado, 23 de Março de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1029
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CADERNO DA CIDADANIA >

Brasileiros inspiram articulação internacional

Por Jonas Valente em 03/02/2009

O Fórum de Mídia livre nasceu em 2008 como uma reunião de pessoas e coletivos envolvidos nas mais diversas formas de produção e circulação de informação e cultura, visando articular e potencializar estas experiências. Em junho do ano passado, um primeiro encontro realizado no Rio de Janeiro selou o compromisso de centenas de midialivristas de trabalharem juntos para fortalecer esta modalidade de expressão. Agora, o desafio é expandir esta iniciativa para além das fronteiras nacionais.

Esta foi a principal conclusão do 1º Fórum Mundial de Mídia Livre (FMML), evento preparatório ao Fórum Social Mundial que terminou na terça-feira (27/1) em Belém. Segundo as resoluções do encontro, o Fórum de Mídia Livre Brasil deve assumir ‘como responsabilidade o esforço por trabalhar pela articulação internacional de mídias livres’. Uma vez que o FMML foi uma primeira tentativa e não reuniu um contingente de midialivristas considerado suficiente para a criação de uma organização semelhante ao FML brasileiro, optou-se por buscar, a partir deste, um diálogo que avance nesta direção no plano internacional.

Assim como aconteceu no Brasil, a idéia é colocar frente a frente as várias iniciativas de mídia livre e alternativa em âmbito mundial (de veículos consolidados como o jornal Le Monde Diplomatique e a agência IPS às centenas de milhares de pessoas que utilizam as novas tecnologias digitais, como o YouTube ou o Orkut) para que encontrem uma identidade comum e se articulem de modo a promover a sua visibilidade, o seu fortalecimento e a expansão deste tipo de prática.

Altamiro Borges, editor do Portal Vermelho e um dos integrantes do Grupo de Trabalho Executivo do FML brasileiro, considerou o compromisso assumido ‘fundamental’ e defendeu que ele deve mirar, em um primeiro momento, abarcar as experiências latino-americanas, aproveitando o florescimento e fortalecimento delas no atual contexto de existência de diversos governos de esquerda. ‘Há meios públicos sendo criados e ampliados e iniciativas comunitárias e livre sendo apoiadas por estes governos. Precisamos conversar com todos estes veículos’, propôs.

Na avaliação de João Brant, do Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social, aos problemas cada vez mais globais da área das comunicações são necessárias reações no mesmo patamar. ‘Ficou claro que o enfrentamento ao pensamento hegemônico e aos grandes grupos de mídia depende da articulação internacional entre veículos, produtores de mídia livre e organizações que lutam pela democratização da comunicação. É preciso, de um lado, fortalecer as iniciativas desse campo e, por outro, lutar por politicas publicas de comunicação que fomentem a pluralidade e a diversidade, inclusive por meio do apoio a meios de comunicação democráticos’, disse.

Renato Rovai, editor da Revista Fórum e também integrante do GTE do FML, considerou o evento foi ‘bem sucedido’. ‘Tivemos algumas dificuldades estruturais e de mobilização, mas frente a elas acho que o resultado foi bem positivo’, concluiu.

Impulsionar as ações locais

Pela grande presença de brasileiros no evento, a plenária final do 1o Fórum Mundial de Mídia Livre incluiu também uma discussão sobre os próximos passos do FML Brasil. Uma das prioridades será a organização do campo para participar da 1ª Conferência Nacional de Comunicação, que irá acontecer este ano. ‘Entramos em um outro patamar agora, e teremos de suar muito a camisa para mobilizar os midialivristas e aqueles preocupados com a democratização da comunicação para que nossa voz seja ouvida’, disse Altamiro Borges.

Outro tema que demandará atenção do FML neste ano será o concurso dos Pontos de Mídia Livre, ação do Ministério da Cultura no interior do programa Cultura Viva. A criação de espaços de produção de mídia livre apoiadas por recursos públicos foi um dos principais pleitos da carta do encontro do Rio de Janeiro e agora se concretizou em um edital publicado no Diário Oficial da União.

A iniciativa foi saudada como uma conquista por alguns participantes, mas olhada com receio por outros: ‘Ainda não sabemos qual será o teor deste edital. Precisamos ter acesso a ele para formarmos uma idéia melhor a respeito e localizar se devemos apresentar críticas ou sugestões’, disse Rita Freire, do portal colaborativo Ciranda.Net. Esta discussão deverá ocorrer em atividade do Ministério da Cultura no Fórum Social Mundial sobre o tema, que acontece no dia 29.

Um terceiro tema que não surge na conjuntura, mas foi muito lembrado na plenária final é a luta pela democratização das verbas de comunicação estatal. Foi criado um grupo de trabalho entre os participantes que irá desenvolver estratégias de pressão junto aos governos federal e estaduais para criar regras mais democráticas e que incluam políticas de destinação destas verbas aos veículos alternativos e livres.

Por fim, foi reafirmado um próximo encontro do FML este ano, a ser realizado na cidade de Vitória (ES), ainda sem data definida.

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Do Observatório do Direito à Comunicação

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