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Terça-feira, 21 de Agosto de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1000
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CADERNO DA CIDADANIA > JOGOS NA CHINA

Censura segue com repórteres linchados e praça bloqueada

06/08/2008 na edição 497

O espancamento de dois jornalistas japoneses no oeste da China levou o governo a publicar um pedido de desculpas oficial no dia 5/8. Agora o problema está em Pequim: novos obstáculos para veículos de mídia que querem reportar da Praça Tiananmen estão causando alvoroço entre jornalistas cobrindo as Olimpíadas.


Na semana passada, o Comitê Olímpico Internacional (COI) conseguiu fazer com que a China desbloqueasse alguns sítios na internet após protestos de jornalistas. Agora, o COI terá nova tarefa envolvendo a mídia: analisar as novas regras que exigem que repórteres tenham uma hora marcada por telefone para reportar de Tiananmen.


Os dois incidentes, segundo artigo de Dikky Sinn [AP, 5/5/08], dão a impressão de que a China não está cumprindo a promessa de que a mídia estrangeira teria acesso irrestrito durante os Jogos e reverteu para o rígido controle que o governo comunista exerce sobre a imprensa normalmente.


Um executivo de TV que preferiu permanecer anônimo disse que o acesso a Tiananmen é um problema até para emissoras que pagaram dezenas de milhões de dólares pelos direitos de transmissão das Olimpíadas.


Espancamento e repressão


Atritos entre oficiais chineses e jornalistas se aprofundaram após a polícia ter detido e espancado dois jornalistas japoneses que cobriam a suspeita de um ataque terrorista em Xinjiang, oeste da China. Oficiais de relações internacionais garantiram que a polícia sentia pelo ocorrido e pagaria por quaisquer danos aos equipamentos e consultas médicas.


Shinji Katsuta, repórter da emissora japonesa Nippon Television Network Corp., afirmou que ele e Shinzou Kawakita, fotógrafo do jornal Tokyo Shimbun, foram agarrados e apreendidos por duas horas pela polícia. ‘Meu rosto foi prensado contra o chão, meu braço foi torcido e fui atingido duas ou três vezes por golpes na cara’, disse Katsuta. Kawakita descreveu ter sido cercado por paramilitares, levantado do chão pelos braços e pernas antes de uma sucessão de chutes, encerrada com uma bota de polícia em seu rosto fazendo-o despencar no chão.


‘Isso é inaceitável e particularmente repreensível poucos dias antes do início das Olimpíadas, quando a China prometeu total liberdade à mídia’, disse Jonathan Watts, correspondente internacional do jornal britânico The Guardian.


O secretário do estado japonês disse a repórteres em Tóquio que o governo planeja ‘alocar um forte protesto’ contra a China devido ao incidente.


Liu Yaohua, chefe da polícia de Xinjiang, disse que os jornalistas japoneses tentaram entrar em área proibida, segundo a agência de notícias oficial Xinhua. ‘Os repórteres japoneses quebraram as regras chinesas ao forçarem-se para entrar numa área militar. O ato não era justificado e eles deveriam aceitar as conseqüências’, disse Liu. ‘Eu, no entanto, peço desculpas aos repórteres pelo incidente com os policiais de fronteira.’

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