Quinta-feira, 23 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

CADERNO DA CIDADANIA > IRAQUE

Cinegrafista morto em conflito

27/01/2006 na edição 365

O cinegrafista Mahmoud Zaal, da emissora de televisão iraquiana Baghdad Satellite Channel, foi morto na terça-feira (24/1) em meio a um conflito entre rebeldes sunitas e tropas americanas em Ramadi. Zaal cobria a invasão de insurgentes a dois prédios ocupados por militares americanos. Ele é o 79º profissional da mídia assassinado no país desde que a guerra começou, em março de 2003, de acordo com a organização Repórteres Sem Fronteiras.


Testemunhas afirmaram que Zaal teria sido atingido por um ataque aéreo americano. O Exército dos EUA negou a informação e se recusou a comentar a morte do cinegrafista. ‘Quando os homens armados estavam atacando os prédios, helicópteros e aviões militares começaram a atirar neles. O cinegrafista estava na rua para filmar tudo quando foi ferido nas pernas e então atingido por um dos aviões americanos’, afirmou uma testemunha à agência de notícias Reuters. O médico Hamdi al-Alusi, do hospital de Ramadi, informou que dois civis foram mortos e três ficaram feridos no embate, incluindo uma mulher e uma criança de 10 anos. Ele não soube afirmar se havia rebeldes ou soldados entre as vítimas.


A emissora para a qual Zaal trabalhava pertence ao maior grupo político sunita do Iraque, o Partido Islâmico Iraquiano, que – assim como o Exército dos EUA – anunciou que investigaria o incidente. O conflito insurgente acontece após a dominância dos islâmicos xiitas no resultado das eleições parlamentares ocorridas em dezembro.


O Iraque continua sendo o país mais perigoso para o exercício do jornalismo. A Repórteres Sem Fronteiras afirmou em seu sítio que está ‘se tornando cada vez mais difícil e mais perigoso para jornalistas e profissionais da mídia trabalhar no Iraque e que o número de vítimas fatais é preocupante, com quatro profissionais mortos em menos de um mês’. Informações da Reuters [25/1/06] e dos RSF [26/1/06].


EUA libertam detentas iraquianas


O Exército americano libertou cinco detentas no Iraque na quinta-feira (26/1), mas negou qualquer ligação com a ordem dos seqüestradores da jornalista Jill Carrol. Repórter feelancer que trabalhava para o jornal americano Christian Science Monitor, Jill foi seqüestrada por homens armados em 7/1. Seus captores ameaçaram matá-la se os EUA não libertassem todas as mulheres presas no Iraque. O prazo final para a ‘troca’ expirou e não se tem mais notícias da jornalista.


As mulheres libertadas estão entre os cerca de 420 detentos que devem ser soltos depois que um painel formado por americanos e iraquianos decidiu que não havia motivo para mantê-los encarcerados. Os EUA afirmam que não negociam com seqüestradores, mas especula-se que um acordo informal possa ter sido fechado. ‘O caso das detentas é um caso legal e não tem nada a ver com o caso da jornalista americana’, declarou um funcionário do Ministério da Justiça do Iraque em entrevista à emissora de TV al-Jazira. Informações de Brian Whitaker [The Guardian, 27/1/06].

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