Sábado, 17 de Novembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1013
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CADERNO DA CIDADANIA >

Cobertura jornalística deficiente

Por Samira Moratti em 09/09/2008 na edição 502

Durante a Olimpíada em Pequim, os brasileiros puderam conferir via internet, jornais, revistas e, sobretudo, televisão, competições de algumas modalidades, sendo a maior parte de esportes mais populares como futebol, vôlei e ginástica. Foram poucas medalhas de ouro conquistadas (apenas três) pelo Brasil, mas o suficiente para acalentar uns e abrir os olhos de outros.

Ficou evidente, por exemplo, que, caso as coberturas jornalísticas também pudessem participar das competições, teriam levado medalha de prata ou até ouro, dependendo da mídia analisada. Em suma, a Olimpíada foi um prato cheio em assuntos quentes para alguns veículos nos quais muitas vezes minguam notícias relevantes para o público. Mas a imprensa brasileira poderia ter ido mais longe, principalmente a televisiva.

Falta de apoio ao esporte

Um dos pontos destacados por uma parcela dos atletas foi a falta de apoio financeiro, tanto por iniciativa privada quanto pelo governo federal. E um dos momentos mais altos do discurso acalorado foi o desabafo do nadador de ouro, César Cielo. Primeiro, afirmou aos repórteres que realmente falta apoio. Em um segundo momento, pediu desculpas por ter ido longe demais em seu manifesto. Ficou no ar se ele foi induzido a se manifestar ou se recebeu um ‘toque’ de alguém do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) para não ser tão duro em suas críticas.

O que faltou, porém, foi dar maior ênfase a essa temática: a falta de apoio ao esporte em nosso país, independente da modalidade. Além de não haver o incentivo à prática de esportes, especialmente nas escolas, a educação brasileira também não fomenta esse tipo de desejo em nossos estudantes. A não ser, claro, que tal desejo parta deles mesmos.

Mais que eficientes

O mais preocupante é a falta de visibilidade que a imprensa televisiva dá aos Jogos Paraolímpicos. Quem acompanha o mundo esportivo sabe que os atletas brasileiros são um dos melhores nesta categoria. Já foram conquistadas medalhas de ouro e prata e a mídia pouco fala a respeito. A televisão, um dos meios de comunicação mais vistos, por ser de massa, deveria mostrar que os nossos atletas, apesar de todas as dificuldades, são os que mais se sobressaem. Mas o que ocorre é o contrário: caso alguém queira se aprofundar mais sobre a Paraolimpíada, o ideal é buscar informações na internet ou pela TV paga.

Aliás, as pautas nas quais o personagem central é um deficiente físico são pouco requisitadas, sobretudo pelos editores. Geralmente são incluídas na grade do jornal televisivo quando não há outro tema quente a ser mencionado. Insere-se, então, junto às ditas ‘matérias de gaveta’.

Outro ponto a frisar é que a imprensa, assim como a sociedade, não sabe lidar com o outro, principalmente se o julgam ‘diferente’. Além disso, pouco se ouve dos próprios deficientes físicos o que acham a respeito de como são tratados pela imprensa. E, neste círculo vicioso, quem sai perdendo são eles, por não terem seu trabalho divulgado como deveria, além da imprensa, por continuar com esse espírito pobre e sem dar importância a boas pautas, como no caso da Paraolimpíada. Ressalte-se que os brasileiros que estão em Pequim, lutando para conquistar medalhas, bem como os muitos outros espalhados pelo país, não devem ser chamados de deficientes físicos, mas sim eficientes. Acima de qualquer um de nós.

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Estudante de Jornalismo da Faculdade Estácio de Sá, Florianópolis, SC

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